O parque automóvel em Portugal está cada vez mais envelhecido. Tem uma idade média de 14 anos que tem vindo a aumentar, considerando os veículos ligeiros de passageiros (com pesados e mercadorias a idade atinge os 16 anos — 1,6 milhões de viaturas têm mais de 20 anos). A ACAP – Associação Automóvel de Portugal defende que o regime que foi estabelecido para incentivar o abate de veículos em fim de vida não correspondeu às expectativas e é muito “fraco”. Defendeu, por isso, em conferência de imprensa, o reforço do sistema de incentivo ao abate. “O Governo fez uma aplicação muito fraca, mais reduzida do que era expectável. Não estava a funcionar”, apontou Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP e vice-presidente da CCP.

A associação defende, por isso, que não se limite a aquisição de carros a serem comparticipados por abate de um poluente aos carros 100% elétricos. Devem estar incluídos carros com alguma eletrificação, indica, aumentando o número de veículos elegíveis no programa.

Para a ACAP, o parque continua a ser pouco sustentável. 55% ainda são carros a gasóleo, 36% a gasolina e 9% a energias alternativas. Ainda assim, em termos de matrículas, Portugal não está mal posicionado. Em 2024 ficou no sexto lugar no peso dos elétricos nos novos veículos ligeiros introduzidos no mercado na União Europeia — atrás da Dinamarca, Holanda, Finlândia, Suécia e Bélgica — com um peso de 20%.

A ACAP realça a evolução do mercado. Em 2024, os ligeiros de passageiros vendidos ficaram ao nível dos 89 gramas de emissões, quando em 2021 estava nos 108 gramas. “É uma evolução bastante significativa”.

Hélder Pedro realça, no entanto, outra questão do mercado português. É que os usados vendidos representam emissões de 105 gramas. Além disso têm uma idade média de quase 8 anos. Ao Observador, o secretário-geral da ACAP indica, ainda, que a simplificação fiscal anunciada pelo Governo ajuda às importações destes veículos, tal como o Orçamento do Estado que determinou uma componente ambiental para o ISV destes carros, baixando o imposto.

Em 2024 os usados atingiram 812,9 mil, mais 7,1% do que no ano anterior. “Portugal é usado como fonte de escoamento de carros mais poluentes”, atira Pedro Lazarino, da direção da ACAP e diretor da Stellantis para Portugal.

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Em 2024 foram matriculados 209 mil ligeiros de passageiros novos, um crescimento de 5,1%, estando ainda abaixo do volume de 2019. Destes 41,75 mil são elétricos. Segundo a ACAP, “em 2024 o mercado total de ligeiros de passageiros matriculados em Portugal (novos + importados usados), cresceu 3,9% face a 2019 (ano pré-pandemia), mas o mercado de novos caiu 6,7%, o que se deveu ao forte aumento das matrículas de importados usados (+33,7%).”

A ACAP reclama por mais apoios para a eletrificação do parque automóvel, assumindo não acreditar que a Comissão Europeia volte atrás nas metas traçadas, nem no seguimento da reversão dos apoios aos elétricos nos Estados Unidos. “O caminho para lá chegar teria era de ser outro”, apontam os responsáveis da associação. Nomeadamente equacionar metas incluindo todos os tipos de veículos e não ter objetivos diferenciados por categoria.

No final de janeiro a Comissão Europeia terá uma reunião para equacionar um plano de harmonização dos apoios aos elétricos nos vários países europeus.