Não era um Benfica derrotado, mas era um Benfica ferido. A derrota contra o Barcelona a meio da semana, na Liga dos Campeões, foi bem mais do que uma derrota: os encarnados estiveram a ganhar por dois golos de diferença em duas ocasiões distintas, permitiram o empate e depois a reviravolta nos descontos, caindo para uma zona complexa da classificação. Mais do que uma derrota, o Benfica sofreu um duro golpe.

Este sábado, porém, a página mudava. Os encarnados voltavam à Primeira Liga para visitar o Casa Pia, em Rio Maior, e sabiam que a margem de erro está mais do que reduzida — tendo em conta a proximidade entre Sporting, Benfica e FC Porto no topo da tabela. Bruno Lage, porém, garantia que o truque era que os jogadores permanecessem “juntos”, uma ideia que já tinha deixado bem clara depois da desilusão na Luz contra os catalães.

Ficha de jogo

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Casa Pia-Benfica, 3-1

19.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Municipal de Rio Maior, em Rio Maior

Árbitro: António Nobre (AF Leiria)

Casa Pia: Patrick Sequeira, Duplexe Tchamba, João Goulart, José Fonte (Ruben Kluivert, 88′), Gaizka Larrazabal (André Geraldes, 73′), Leonardo Lelo, Beni Mukendi, Rafael Brito (Miguel Sousa, 73′), Nuno Moreira (Pablo Roberto, 88′), Jérémy Livolant, Cassiano (Max Svensson, 65′)

Suplentes não utilizados: Ricardo Batista, Fahem Benaissa, Nermin Zolotic, Samuel Obeng

Treinador: João Pereira

Benfica: Trubin, Álvaro Carreras, António Silva, Otamendi, Alexander Bah, Leandro Barreiro (Fredrik Aursnes, 81′), Kökçü, Florentino (Pavlidis, 69′), Di María (Manu Silva, 81′), Arthur Cabral (Amdouni, 81′), Aktürkoğlu (Schjelderup, 69′)

Suplentes não utilizados: Samuel Soares, Rollheiser, Jan-Niklas Beste, Tomás Araújo

Treinador: Bruno Lage

Golos: Di María (gp, 14′), Cassiano (32′), Nuno Moreira (60′), Jérémy Livolant (90+4′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Nuno Moreira (79′), a Miguel Sousa (82′)

“Temos de entrar com determinação, seguros, com uma boa entrada. Como fizemos no jogo contra o Barcelona. Há que valorizar o que fizemos, levantar a cabeça e olhar para o jogo seguinte com determinação. Preparamos sempre e apenas o jogo seguinte. Do treinador é sempre essa a mensagem, é nesse sentido que temos de estar focados. Não podemos jogar dois jogos ao mesmo tempo. A minha cabeça está a trabalhar a um ou dois jogos. Agora sei que tenho um jogo com o Casa Pia, passei toda a informação aos jogadores, como defendem, como atacam… Esse tem de ser o foco e o normal destes jogadores, é estarem concentrados nesse sentido. O Campeonato é muito importante e estes três pontos são preciosos”, explicou o treinador encarnado.

Neste contexto, Bruno Lage fazia quatro alterações face à equipa que tinha defrontado o Barcelona e trocava Tomás Araújo por Alexander Bah na direita e Fredrik Aursnes por Leandro Barreiro no meio-campo, para além de garantir o regresso de Di María à titularidade, em detrimento Aktürkoğlu, e potenciar a titularidade de Arthur Cabral, com Pavlidis a começar no banco. Manu Silva, médio ex-V. Guimarães que chegou esta semana à Luz, também era suplente. Do outro lado, num Casa Pia que vinha de seis jornadas sem perder, João Pereira tinha Cassiano como referência ofensiva, apoiado por Livolant e Nuno Moreira.

O Benfica começou melhor, com o Casa Pia a apresentar-se num formato muito semelhante ao que apareceu há alguns meses em Alvalade: uma linha de cinco a defender, com quatro elementos à frente, numa tentativa clara de colocar um bloco muito baixo que impedisse o adversário de chegar à baliza e abrisse a porta a transições rápidas e explorações da profundidade. Os encarnados, porém, não demoraram muito a causar perigo e a abrir o marcador.

Arthur Cabral teve a primeira situação relevante, com um remate de fora de área que Sequeira defendeu junto ao relvado (3′), e voltou a assustar pouco depois num lance em que atirou à figura do guarda-redes na sequência de um bom entendimento entre Bah e Di María na direita (8′). Ainda dentro do quarto de hora inicial, contudo, surgiu mesmo o golo: Tchamba fez falta sobre Leandro Barreiro na área do Casa Pia e Di María, na conversão da grande penalidade, colocou o Benfica a ganhar e fez o 14.º golo da temporada (14′).

Os encarnados mantiveram o pé do acelerador depois de chegarem ao golo, sem que o Casa Pia tivesse capacidade para reagir e com a equipa de Bruno Lage a prolongar níveis elevados de posse de bola e o total controlo das ocorrências. Aktürkoğlu poderia ter aumentado a vantagem, com um remate de fora de área que tirou tinta à trave da baliza de Sequeira (25′), mas tudo começou a mudar depois da meia-hora. O Benfica desligou, permitiu um crescimento claro do adversário e o Casa Pia não precisou de muito tempo no último terço contrário para empatar, com Cassiano a aproveitar um erro crasso de António Silva para bater Trubin (32′).

O Benfica ainda tremeu nos últimos minutos da primeira parte, já que António Nobre assinalou grande penalidade de Otamendi sobre Nuno Moreira mas reverteu a decisão depois de analisar as imagens do VAR, e o jogo foi mesmo empatado para o intervalo. No fim da primeira parte, já depois de Sequeira evitar o golo de Kökçü com uma grande defesa (45+4′), o Casa Pia ia aproveitando as claras fragilidades defensivas dos encarnados para discutir o resultado em Rio Maior.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e a segunda parte começou como a primeira tinha terminado, mais discutida e debatida na zona do meio-campo e com muitos duelos e bolas divididas. O Casa Pia teve mesmo as primeiras situações de perigo do segundo tempo, com Larrazabal a ver António Silva intercetar um remate praticamente em cima da linha de golo e, na recarga, a falhar o alvo (56′), e o Benfica não conseguia recuperar o controlo das dinâmicas que chegou a ter depois de abrir o marcador.

À passagem da hora de jogo, sem que os encarnados tivessem conseguido colocar gelo na partida, o Casa Pia carimbou a reviravolta. Larrazabal desequilibrou na direita, cruzou atrasado e Nuno Moreira, do outro lado da área, atirou colocado e capitalizou o desnorte defensivo que o Benfica não conseguia mascarar (60′). João Pereira foi o primeiro a mexer, trocando Cassiano por Max Svensson, e Bruno Lage também não demorou a lançar Pavlidis e Schjelderup, mantendo Arthur Cabral em campo e adaptando a equipa a uma espécie de 4x4x2 que era, na verdade, um 4x2x4.

Arthur Cabral poderia ter empatado com um cabeceamento ao lado (67′), mas o Casa Pia continuava a apostar com simplicidade na transição rápida e Livolant também ficou muito perto de aumentar a vantagem com um remate desenquadrado (70′). Bruno Lage esgotou as substituições já dentro dos últimos dez minutos, lançando Amdouni, Manu Silva e Aursnes de uma vez, mas os encarnados não conseguiram mais do que pontapés longe do alvo e lances inconsequentes e ainda sofreram o terceiro golo, por Livolant e num novo contra-ataque, nos descontos (90+4′).

O Benfica perdeu com o Casa Pia em Rio Maior e somou a segunda derrota consecutiva num jogo onde caiu abruptamente depois de sofrer o empate e nunca conseguiu reagir às contrariedades na segunda parte. A equipa de Bruno Lage corre agora o risco de perder o segundo lugar da Primeira Liga, em caso de vitória do FC Porto com o Santa Clara, e pode também distanciar-se da liderança do Sporting se os leões derrotarem o Nacional.