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Trump impõe sanções de "retaliação" à Colômbia que incluem tarifas de 50%. Bogotá faz o mesmo

Este artigo tem mais de 1 ano

Presidente da Colômbia proibiu a entrada de aviões dos EUA com colombianos deportados. Trump não demorou a responder: vai impor tarifas de emergência de 50%. Bogotá anunciou que vai fazer o mesmo.

epa11849807 US President Donald Trump speaks to reporters as he departs the White House for North Carolina, where he is expected to tour hurricane damage, followed by a visit to tour fire damage in Los Angeles, in Washington, DC, USA, 24 January 2025. Trump spoke about the upcoming Congressional vote on his nominee for Department of Defense Hegseth.  EPA/JIM LO SCALZO
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JIM LO SCALZO/EPA

JIM LO SCALZO/EPA

Donald Trump respondeu este domingo com “medidas urgentes e de retaliação” à proibição pelo Presidente da Colômbia da entrada no país de aviões dos EUA com colombianos deportados. O Presidente norte-americano anunciou na Truth Social que vai impor tarifas de “emergência” de 25% sobre todos os produtos do país, que uma semana depois vão subir para 50%, e vai revogar com efeitos imediatos os vistos dos funcionários do governo colombiano e dos seus aliados e apoiantes. Horas depois, Bogotá anunciou que também vai aplicar tarifas de 50%.

As últimas horas foram atribuladas na relação diplomática entre os dois países. No domingo, Gustavo Petro, Presidente da Colômbia, anunciou que proibiu a entrada de aviões militares norte-americanos com colombianos deportados, afirmando que os migrantes devem ser tratados com dignidade. “Um migrante não é um criminoso e deve ser tratado com a dignidade que um ser humano merece. É por isso que fiz recuar os aviões militares norte-americanos com migrantes colombianos”, escreveu Gustavo Petro na rede social X.

Donald Trump apressou-se a responder com medidas de “retaliação” duras. “Acabo de ser informado de que dois voos de repatriamento provenientes dos Estados Unidos, com um grande número de criminosos ilegais, não foram autorizados a aterrar na Colômbia. Esta ordem foi dada pelo presidente socialista da Colômbia, Gustavo Petro, que já é muito impopular entre o seu povo. A recusa destes voos por parte de Petro pôs em risco a Segurança Nacional e a Segurança Pública dos Estados Unidos, pelo que dei instruções à minha Administração para tomar imediatamente as seguintes medidas de retaliação urgentes e decisivas“, lê-se na publicação.

O Presidente dos EUA, que tomou posse a 20 de janeiro, anunciou que os EUA vão impor tarifas de emergência de 25% sobre “todos os bens que entram” no país vindos da Colômbia e que “dentro de uma semana, as tarifas serão aumentadas para 50%“. Também proibiu viagens de funcionários do governo colombiano para os EUA e a revogação imediata dos seus vistos, assim como de “todos os seus aliados e apoiantes”.

Também vai avançar com “sanções de vistos” a todos os membros do partido de Petro, assim como familiares e apoiantes do governo. Na publicação, menciona ainda o “reforço das inspeções alfandegárias e da proteção das fronteiras a todos os cidadãos e cargas por razões de segurança nacional” e a imposição de sanções financeiras, bancárias e de tesouraria.

“Estas medidas são apenas o início. Não permitiremos que o Governo colombiano viole as suas obrigações legais no que respeita à aceitação e ao regresso dos criminosos que forçaram a entrar nos Estados Unidos!”, termina Trump.

Gustavo Petro viria a responder às sanções num longo texto na rede social X — entre outras coisas, diz que não gosta de viajar para os EUA porque o “aborrece”. “Fui informado de que impôs uma tarifa de 50% nas frutas da nossa mão de obra que entre nos EUA, e eu faço o mesmo“, escreveu.

O chefe de Estado colombiano tem sido crítico do seu homólogo norte-americano, Donald Trump. Quando anunciou a proibição dos voos de regresso de deportados pediu que fosse garantida dignidade aos seus concidadãos. “Não posso obrigar os migrantes a permanecer num país que não os quer, mas, se esse país os enviar de volta, deve ser feito com dignidade e respeito por eles e pelo nosso país. Vamos receber os nossos cidadãos em aviões civis, sem os tratar como criminosos”, declarou Petro. Desde a tomada de posse de Donald Trump, na passada segunda-feira, os EUA ainda não deportaram colombianos, mas já o fizeram com guatemaltecos e brasileiros.

No sábado, Brasília exigiu explicações a Washington sobre o “tratamento degradante” dos imigrantes ligais brasileiros durante a sua deportação pelos EUA num voo que aterrou na noite de sexta-feira em Manaus (norte do Brasil).

De acordo com o Governo brasileiro, estavam 88 pessoas a bordo do avião, que foram algemadas durante a viagem. Num comunicado, o Ministério da Justiça do Brasil ordenou às autoridades norte-americanas que retirassem “imediatamente as algemas” quando o avião que transportava os deportados aterrou, denunciando o “flagrante desrespeito pelos direitos fundamentais” dos seus cidadãos.

Deportados chegaram ao Brasil algemados e acorrentados dos EUA. Governo de Lula condena e fala em “desrespeito flagarante”

Artigo atualizado com novas declarações de Donald Trump e de Gustavo Petro

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