Rodrigo Saraiva, deputado e dirigente da Iniciativa Liberal, tem sido apontado como possível candidato presidencial e ainda que essa hipótese pareça muito afastada, o liberal decidiu manter, para já, o tabu. Ainda assim, não poupa elogios à líder parlamentar do partido, Mariana Leitão, que tem vindo, por estes dias, a liderar verdadeiramente a bolsa de apostas.

Em entrevista ao Observador, no arranque da convenção da Iniciativa Liberal, Rodrigo Saraiva reservou grandes elogios para o percurso de Mariana Leitão, dizendo “não ter dúvidas de que será uma excelente candidata” se esse desafio se colocar. E deu mais algumas pistas: Saraiva acha importante que o candidato ou candidata seja alguém que já tenha nascido em democracia (ou seja, com menos de 51 anos) e considera que seria “muito interessante” contar com uma candidata mulher.

Na mesma entrevista, Saraiva foi questionado sobre a hipótese de “engolir um sapo” numa eventual segunda volta — já prevista numa sondagem — entre Henrique Gouveia e Melo e André Ventura, deixando claro que o partido nunca apoiaria Ventura: “Qualquer membro da IL nunca votará em alguém que usa o medo das pessoas, que é populista e extremista”.

Coligação em Lisboa é possível, mas só se Moedas mudar

O liberal falou também sobre um outro tabu — a dúvida sobre se a Iniciativa Liberal se vai desta vez juntar a PSD e CDS para uma coligação candidata à Câmara Municipal de Lisboa — frisando que faz parte do crescimento do partido deixar de ter necessidade de concorrer sempre sozinho, mas que cada caso é um caso. E no caso de Carlos Moedas, falar de ideias e não de lugares seria um “ótimo” ponto de partida, avisa.

Para a IL seria preciso reformar o sistema de higiene urbana ou pôr a derrama na taxa mínima. “Aí há caminho para andar, mas é o presidente que tem de perceber isso e falar com a IL. Se for para manter o que tem feito não vejo que possa haver entendimento”.

E deixou um aviso ao atual presidente da Câmara: fazendo as contas à diferença entre os votos da IL na Câmara Municipal de Lisboa e na Assembleia Municipal de Lisboa, “pode dizer-se que o eleitorado liberal deu a vitória a Moedas”. No caso do Porto, o cenário é ainda menos claro: ainda não se sabe quem será o candidato do PSD, e “isso vai ter peso” para decidir sobre uma coligação.

Caso Mayan foi “mau”. Mas “só faz falta quem cá está”

Saraiva foi ainda questionado sobre o estado da oposição interna e o caso da falsificação das assinaturas que afastou Tiago Mayan da corrida, admitindo que foi “mau” para o próprio e para a oposição interna, mas também para o partido e para a política, que fica “manchada” por estes casos. “Infelizmente aconteceu. Os partidos são falíveis”.

O partido não está desunido, apesar de ter duas candidaturas concorrentes e de ter visto militantes a saírem, frisou. “Houve espaço e vontade de união para trabalhar. Vi com os meus olhos. As pessoas não podem ser obrigadas se não querem estar — só faz falta quem cá está”.

Já um caso “insólito” como o de Miguel Arruda, defendeu, nunca poderia acontecer na IL ou noutros partidos “se alguém quisesse dificultar a vida ao Chega com um plano diabólico não conseguia escrever isto” — e belisca o partido que o escolheu em primeiro lugar, mas também a Assembleia da República como um todo.

A luta interna 2.0, a falta que faz Mayan à oposição e um candidato prometido pelo incumbente. A IX Convenção da IL em cinco pontos