O manto de gelo da Gronelândia – a segundo maior massa de gelo do mundo e que cobre cerca de 80% da ilha -, está a rachar mais rapidamente que nunca, segundo um estudo citado pelo The Guardian.
“O que mais me impressiona neste estudo é a rapidez com que tudo está a acontecer”, alertou Tom Chudley, autor da investigação e professor assistente de Geografia na Universidade de Durham, no Reino Unido. Se numa investigação anterior eram mostradas comparações “com escalas de décadas”, agora essas diferenças são notadas “em escalas de cinco anos”, completa o especialista.
Os investigadores usaram 8000 mapas 3D com alta resolução de satélites comerciais para comparar a evolução nas falhas no gelo entre 2016 e 2021. O estudo permitiu concluir que as ‘crevasses’ – fendas transversais estreitas e profundas dos glaciares – aumentaram em tamanho e em profundidade nos últimos cinco anos, a um ritmo mais rápido do que o detetado anterior.
Desde 1992, a Gronelândia sentiu o efeito do aumento de cerca de 14mm do nível médio da água do mar. De acordo com os cientistas, o gelo derrete cada vez mais, fruto do aquecimento da água do mar, provocado pela crise climática. O autor do estudo diz que o aumento da temperatura dos oceanos também provoca um maior fluxo de gelo nos oceanos.
“Muitos dos nossos modelos de larga escala têm dificuldades em representar o que nós chamamos de instabilidades dinâmicas. Isto está relacionado com o maior e mais rápido fluxo de gelo“, acrescenta Chudley, que alerta para um aumento de um metro do nível de água do mar até 2100 e 10 metros até 2300.
“Precisamos desesperadamente de projetar o aumento da altura média da água do mar, porque precisamos de planear, mitigar e adaptar o aumento esperado nos próximos três séculos”, reforçou.