A polícia da Suécia confirmou que 10 pessoas morreram na sequência de um tiroteio numa escola para adultos em Örebro, a 200 km a oeste de Estocolmo, sendo que o número de feridos ainda não foi confirmado pelas autoridades. É admitido que o número de mortos possa aumentar, tendo em conta a gravidade dos ferimentos com que algumas pessoas foram transportadas para o hospital.

De acordo com o jornal sueco Expressen, o atirador suicidou-se durante o ataque, somando-se 11 mortes em resultado do incidente. Segundo o canal TV4, o presumível assassino tinha 35 anos e a sua casa em Örebro foi revistada pela polícia ao fim do dia. Além disso, atirador, que tinha licença de porte de arma, não estava registado na polícia.

“Muitas provas apontam” para suicídio, disse o comandante do distrito policial de Örebro, Roberto Eid Forest na quarta-feira, acrescentando que o “suspeito foi encontrado morto” pela polícia durante uma busca no local.

Anteriormente, em conferência de imprensa, Roberto Eid Forest, chefe da polícia local, deu os primeiros detalhes sobre o suspeito. Apesar de a investigação ainda estar em fase inicial, o atirador terá agido sozinho e não terá motivações terroristas. “De momento, a polícia acredita que o atirador agiu sozinho, mas não podemos descartar que mais pessoas estejam relacionadas com o incidente”, assumiu o chefe policial.

Além disso afirmou que não podia avançar com certeza que todos os mortos foram baleados. As autoridades de Örebro já tinham emitido um comunicado a informar que seis pessoas tinham sido levadas para as urgências do Örebro University Hospital (USÖ). “Cinco delas foram baleadas. Das pessoas que foram atingidas a tiro, quatro foram operadas, a quinta tem ferimentos ligeiros. O sexto ferido também é ligeiro”, lia-se no texto.

Também em conferência de imprensa, o primeiro-ministro, Ulf Kristersson, recordou que este é o tiroteio em massa mais mortal da história da Suécia.”É difícil perceber a magnitude do que aconteceu hoje”, disse, afirmando que não pode dar respostas ainda sobre os motivos por trás do ataque: “Não vamos especular. Vamos dar à polícia a paz necessária para investigar”. O ministro da Justiça, Gunnar Strömmer, citou outros dois ataques ocorridos na Suécia — um deles numa escola em Trollhättan em 2015, que causou quatro mortos e dois feridos, e outro em 2022 em Malmo, quando um estudante de 18 anos matou duas professoras — para demonstrar a gravidade do incidente desta terça-feira. “Nunca vivemos nada assim”, disse Strömmer.

O ataque aconteceu na escola Campus Risbergska, que é um centro de educação de adultos em Örebro, a cerca de 200 km de Estocolmo. Segundo o que relatou Lena Warenmark, uma das professoras da escola, à televisão pública SVT, havia menos alunos do que o habitual nas instalações na altura do tiroteio, uma vez que muitos tinham ido para casa depois de terminarem os exames. A Campus Risbergska leciona cursos de ensino primário e secundário, bem como aulas de sueco para imigrantes, formação profissional e programas para pessoas com deficiências intelectuais.

De acordo com o jornal diário Aftonbladet, foram ouvidos tiros automáticos e os serviços de urgência do hospital da cidade foram reorganizados. “Os relatos de violência em Orebro são muito graves. A polícia está no local. O Governo está em contacto próximo com a polícia e a monitorizar de perto os acontecimentos”, disse o ministro da Justiça, Gunnar Strommer. Está em curso uma investigação por “tentativa de homicídio, incêndio criminoso e violação agravada da legislação sobre armas”.

Governo português e Presidente da República manifestam pesar pelas vítimas

Através de uma mensagem na rede social X, o Governo português manifestou a sua solidariedade à Suécia. “O Governo português condena liminarmente o ataque atroz numa escola de Örebro. Apresenta sentidas condolências às vítimas, ao povo e às autoridades suecas”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, tutelado pelo ministro Paulo Rangel, na rede social X.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, expressou na quarta-feira consternação pelo que classificou como “ataque hediondo“, transmitindo ao Rei da Suécia o seu pesar e solidariedade.

Numa nota publicada na página oficial da Presidência da República portuguesa, lê-se que Marcelo Rebelo de Sousa manifestou ao Rei Carlos XVI Gustavo da Suécia o “seu pesar e solidariedade perante o ataque hediondo ocorrido de Örebro, onde uma escola se tornou num cenário de sofrimento e de angústia”.

“Na sua mensagem ao monarca sueco o Presidente da República transmitiu o seu pesar e toda a sua solidariedade aos familiares das vítimas, bem como a todos os suecos”, refere-se.