Poucos minutos depois de o conselho de administração do Hospital Amadora-Sintra ter apresentado a demissão, a ministra da Saúde, em resposta à líder do Bloco de Esquerda num debate sobre a tutela na Assembleia da República, concordou que a Unidade Local de Saúde (ULS) se “degradou”, apesar de em tempos já ter funcionado bem.
“Era um hospital organizado, que tinha urgências que nunca fechavam, sem listas de espera, construído para dar respostas numa zona problemática”, afirmou a ministrou, para depois detalhar o que considera ser um cenário oposto. “Temos um hospital que se degradou, urgências com macas nos corredores”, disse, juntando à lista o desaparecimento do serviço de cirurgia, que definiu como “um dos melhores de Lisboa e Vale do Tejo”.
Contudo, manifestou-se comprometida para “rapidamente resolver o problema”, que “não passa exclusivamente pela mudança da administração”. Para Ana Paula Martins, o principal foco do seu ministério deve ser o reestabelecimento da capacidade cirúrgica da unidade, com o objetivo de “voltar a ter uma equipa que consiga responder às necessidades”.
Um dos temas abordado por Mariana Mortágua, e que despertou uma resposta pronta da ministra, foi a nomeação de Álvaro Santos Almeida para a direção executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS). “Só por má fé é que poderia acreditar sequer que pelo facto de ter havido uma partilha de caminhos profissionais e académicos, implica conivências impróprias e ganhos ilícitos”, respondeu a responsável pela Saúde, que descreve o novo CEO como “um dos melhores ativos em Portugal na área da gestão de saúde”.
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Defendeu ainda que não “faria algum sentido” excluir alguém “com pensamento próprio, com visão estratégica, com provas dadas, só porque participa em iniciativas da Iniciativa Liberal”. Reforçou ainda o currículo de Santos Almeida, conquistas profissionais que apenas “atestam a sua competência” e dão “garantias de esperança de um bom trabalho”.
“Há um problema de gestão e modernização do SNS”, reconheceu Ana Paula Martins, voltando a defender que a solução não passa pela demissão sucessiva dos membros do Executivo. “Se eu tenho de fazer escalas de urgência, pergunto se um avião da TAP cancelar a viagem se também há de ser culpa do ministro da tutela”, afirmou. Indicou, também, que deve ser colocada em causa “a boa ou má gestão da respetiva unidade”, em vez de responsabilizar unicamente os ministros.
Sob acusações de “desmantelar o SNS”, a ministra defendeu que têm “uma visão diferente” que o Bloco de Esquerda, que “quer deixar as pessoas em listas de espera”, enquanto o Governo investe “350 mil milhões de euros para modernizar” os equipamentos e hospitais, valorizando também os recursos humanos. “Usamos toda a capacidade do SNS até ao seu último recurso, até à última cama”.
Afirmou, ainda, com uma ovação da bancada parlamentar do PSD, que não irá aceitar “sentar-se” em “cima de listas de espera e deixar as pessoas entregues à sua sorte”. Finalmente, negou acusações de estar a partidarizar o SNS, referindo ter mudado “apenas” 10 concelhos de administração das 42 ULS/IPO, enquanto o governo anterior mudou 21 quando iniciou funções.