A posição do Governo é “vender 100% do capital da TAP” porque a “nossa prioridade é que a TAP não seja uma coutada do Estado”, disse o ministro das Infraestruturas. Miguel Pinto Luz defendeu esta quarta-feira na comissão parlamentar de economia e obras públicas que “tem de haver independência na gestão” e na estrutura financeira para que o Estado não seja forçado a colocar mais fundos na empresa, cenário que afasta.

Apesar desta posição que não mudou desde que estava na oposição, o ministro das Infraestruturas reconheceu que o Governo tem de estar “disponível para encontrar soluções” porque é minoritário no Parlamento.

O atual Governo, realça, “defende a venda de 100%. O PS defende a venda de 49%”. Este “é um Governo minoritário que vai discutir o tema no Parlamento para procurar um consenso alargado”, acrescentou. “Estamos disponíveis para o debate e para encontrar soluções” que tornem a empresa “imune a interesses e a intervenções na gestão”. Até porque, respondeu a Carlos Guimarães Pinto da Iniciativa Liberal, “não podemos arriscar fazer uma operação” que venha a ser desfeita pelo próximo Governo”. O Governo, sublinha, acredita numa TAP capaz de continuar a fornecer um serviço estratégico, mas avisa que se tal não acontecer haverá outras companhias a preencher essa função.

[Amiga, faz parte! é o podcast onde a Mariana Ribeiro conversa sobre rotinas, hábitos, viagens, finanças pessoais, amizades, relacionamentos ou selfcare. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]

Pinto Luz lembra que o PS quando era Governo (com António Costa) defendia a venda de até 100% do capital e que depois mudou de posição. Mas não confirmou que a venda irá incidir sobre 49% do capital da companhia, percentagem noticiada esta terça-feira pela agência Bloomberg, remetendo as regras da operação para um decreto-lei que será aprovado.

O Observador já tinha noticiado que as condições de privatização da TAP serão ajustada às linhas vermelhas dos socialistas, em particular no que toca à venda de uma posição minoritária com o Estado a manter, nesta fase, a maioria do capital.

TAP. Governo prepara modelo de privatização para encaixar nas condições do PS que recusa vender maioria