Nove segundos de jogo, três lutas acesas entre jogadores dos Estados Unidos e do Canadá, quando se defrontavam na segunda ronda do torneio internacional 4 Nations Face-Off. No final do jogo, realizado em Monte Real, os EUA fizeram história, ao vencerem o Canadá por 3-1, feito que não conseguiam em jogos oficiais desde 2010, mas o dia fica para a história também por outras razões.

O ambiente de tensão entre os dois países tem súbito de nível desde que Donald Trump sugeriu que o vizinho poderia tornar-se mais um estado dos EUA e as questões políticas sentiram-se no confronto desportivo. Ainda antes do arranque do jogo, o hino norte-americano foi vaiado de forma ensurdecedora no Bell Centre de Montreal — uma atitude que tem vindo a tornar-se habitual em jogos da NHL e NBA desde que o Presidente dos EUA ameaçou com tarifas os produtos vendidos pelo Canadá.

De seguida, as lutas na pista de gelo — que apesar de darem penalizações são toleradas na modalidade — arrancaram tão depressa quanto o apito inicial. Em nove segundos (já que o tempo nesta modalidade congela sempre que o disco não está em movimento) houve três lutas entre jogadores norte-americanos e canadianos.

A primeira foi protagonizada por Brandon Hagel, do Canadá, e Matthew Tkachuk, dos Estados Unidos. Mandaram as luvas ao chão — uma das regras informais — e agrediram-se de mãos nuas, o que levou o público ao rubro. Depois de alguns segundos, os árbitros mandar-nos para a caixa de penalidades e deram seguimento ao jogo. O que, na realidade, não aconteceu. Foi a vez de Sam Bennett, do Canadá, e Brady Tkachuk, dos Estados Unidos, darem espetáculo nos mesmos moldes.

Mais um apito para um novo arranque, mais uma luta, aos nove segundos de jogo. J.T. Miller, norte-americano, e Colton Parayko, canadiano, envolveram-se em mais agressões.

Jon Cooper, treinador do Canadá, garantiu que o ato “não foi planeado” e que acabou por ser “o mais orgânico possível”. O treinador dos EUA, Mike Sullivan, também disse que não tinha conhecimento prévio de nada, argumentando que foi “indicativo do que isto significa para os jogadores”.

“Há duas equipas que são muito competitivas, que têm muito orgulho nas suas respetivas equipas e nos seus países. Para mim, quando se investe na tentativa de vencer da maneira como aconteceu, acho que é uma indicação disso. Que jogo de hóquei incrível”, reforçou.

No final, o que era realmente importante tornou-se uma nota de rodapé: os EUA venceram o Canadá e garantiram um lugar na final do torneio das 4 Nações, com uma vitória por 3-1. Não conseguiam vencer ao Canadá em jogos oficiais desde 2010.