Pode o Benfica não ganhar há quatro jogos na Luz para a Liga dos Campeões e sair na mesma satisfeito da noite? Pode. Pode e saiu. Mais: mantendo o registo europeu sem derrotas em casa com equipas francesas, com 13 vitórias e agora seis empates, conseguiu pela primeira vez eliminado um conjunto gaulês no atual formato da Champions inaugurado em 1992. Entre todos os registos, esse foi o que prevaleceu.

Kökçü riu por último num jogo com muita piada (a crónica do Benfica-Mónaco)

Pela terceira vez nesta edição da Liga dos Campeões, o Benfica conseguiu marcar três ou mais golos, após os encontros com Atl. Madrid e Barcelona (todos na Luz). Pela terceira vez também nesta edição da Liga dos Campeões, o Benfica consentiu três ou mais golos, após as partidas com Feyenoord e Barcelona (todos na Luz), sendo que 11 dos 15 golos sofridos na competição surgiram em duelos em casa. Ainda assim, entre as duas desvantagens até ao 3-3, sobrou o registo invicto frente ao Mónaco de três vitórias e dois empates.

Grande figura, mais uma vez? Vangelis Pavlidis. Até ao encontro de loucos com o Barcelona, numa derrota amarga por 5-4 no último lance, o avançado grego contratado este verão ao AZ levava “apenas” sete golos e cinco assistências em 29 encontros oficiais, a grande maioria dos quais como titular. A partir daí, tudo mudou: hat-trick frente aos catalães, quatro jogos consecutivos a marcar na Liga dos Campeões, nove golos e três assistências em oito partidas, uma imagem completamente diferente que o coloca na história.

Depois da assistência para Aktürkoglu, o internacional helénico marcou de penálti e chegou ao sétimo golo na competição, entrando assim no top 5 dos melhores marcadores dos encarnados neste formato da prova a par de Cardozo (11), João Mário, Rafa (nove cada) e Nuno Gomes (sete). Com isso, Pavlidis tornou-se ainda o primeiro jogador desde 1992 a marcar tantos golos pelo clube na Liga milionária, sendo que é preciso recuar mais de três décadas até ao russo Yuran na Taça dos Clubes Campeões Europeus para encontrar um registo semelhante. José Águas, com 11 golos em 1960/61, continua a ser o recordista.

“Na primeira parte, após o golo deles… Foi um início de jogo equilibrado. Chegámos à vantagem com mérito mas depois tivemos um período difícil. Tentámos corrigir ao intervalo. Tínhamos identificado o esquema de três centrais, já tinham feito isso no Mónaco. Como nos sentimos confortáveis no jogo lá, viemos com a mesma estratégia. Eles jogam com muita gente por dentro. A equipa reagiu e os adeptos também. É com grande mérito que a equipa começa a pressionar de forma diferente. Depois consegue marcar. É um resultado que nos permite seguir em frente. Substituções? O Samuel [Dahl] tem um posicionamento muito bom. Em posse jogava como ala, em bloco médio por dentro, em bloco baixo na linha de cinco. Percebemos a inteligência dele taticamente. Quando fizemos a alteração era para controlar o jogo interior. Era um adversário muito difícil, robusto, que procura o contacto”, explicou Bruno Lage no final à SportTV.

“É muito importante esta passagem aos oitavos, principalmente pelo prestígio e para as nossas carreiras. Acima de tudo, é trazer mais prestígio para o Benfica, que já venceu a competição duas vezes. É a 21.ª vez nos oitavos? É mais um registo. A nossa ambição é tentar ir o mais longe possível. Agora o foco é para dentro, vamos ter o Boavista e o Sp. Braga na Taça de Portugal. Barcelona ou Liverpool? Não tenho uma preferência. Conhecemos o Barcelona, também conhecemos o Liverpool. O que importa é perceber como joga o Boavista, que tem um novo treinador e imensos jogadores novos”, acrescentou o técnico dos encarnados.