O apelo do líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, mais conhecido por PKK, à dissolução pode colocar um ponto final nas hostilidades com Ancara (Turquia), onde continua a ser considerado uma organização terrorista.

A partir da sua cela na ilha-prisão de Imrali, no mar de Mármara, a sul de Istambul, onde está encarcerado a cumprir prisão perpétua, Abdullah Ocalan, de 75 anos, desafiou também esta quinta-feira os militantes do PKK a depor as armas. “Estou a fazer um apelo à deposição de armas e assumo a responsabilidade histórica deste apelo“, disse Ocalan, numa carta tornada pública por membros do Partido da Igualdade e Democracia (DEM), considerado pró-curdo.

No passado, Abdullah Ocalan levou os militantes do PKK a pegarem nas armas; agora, o apelo pode marcar um fim no conflito de cerca de 40 anos com o Governo da Turquia e que teve implicações em toda a região. O fundador e líder histórico quer que o seu partido realize um congresso e que aceite formalmente dissolver-se, segundo a carta.

Mais de 40.000 pessoas terão morrido desde que o PKK lançou a sua luta separatista em 1984 com o objetivo de criar uma pátria para os curdos. Entretanto, as pretensões separatistas esmoreceram e colocou-se o foco na conquista de uma maior autonomia e mais direitos para os curdos no sudeste da Turquia.

O processo de paz entre a Turquia e o PKK fracassou há cerca de 10 anos. Há quatro meses, um aliado do Presidente Tayyip Erdogan propôs a Ocalan uma ação nesse sentido.

Abdullah Ocalan foi capturado pelos serviços secretos turcos no Quénia em 1999 e começou por ser condenado à morte. Três anos depois veria a sua pena a ser atenuada para prisão perpétua, na sequência da abolição da pena de morte pelo Governo turco.