Honra lhe seja feita, o ex-funcionário da Tesla Peter Rawlinson sempre foi a alma (e o CEO) da Lucid Motors, construtor que produz a berlina Air desde o final de 2021, a que juntou o SUV Gravity no início de 2025, modelos eléctricos que facilmente figuram entre os mais luxuosos, sofisticados e potentes do mercado. Mas a crua realidade é que, apesar da aparente qualidade do Air, a Lucid não o consegue produzir na quantidade esperada e muito menos vender, o que tem provocado contínuos prejuízos e a necessidade de recorrer a novos investidores para manter o barco à tona. Mas isso não impede Rawlinson, que entretanto se demitiu, de continuar a receber milhões para agir como consultor.
O Lucid Air tem quatro versões, nomeadamente Pure, Touring, Grand Touring e Sapphire, com potências de 430 cv até 1234 cv, passando pelas versões intermédias com 620 cv e 819 cv. O Sapphire é o topo de gama, cujos 1234 cv lhe permitem anunciar apenas 1,89 segundos para ir de 0-97 km/h (0-60 milhas/hora), o que deverá corresponder a 2,0 segundos de 0-100 km/h, a avaliar pelo que acontece com o Tesla Model S Plaid. Mas, tão importante quanto a sua capacidade de aceleração é a autonomia, com a versão mais potente a anunciar 687 km, bem como a capacidade de recarregar energia para percorrer mais 322 km em somente 15 minutos, graças a soluções próprias, a começar por um sistema eléctrico a 900V.
Além conceber bons veículos, Peter Rawlinson também deu nas vistas por disparar comentários menos abonatórios contra os seus adversários, sobretudo o seu antigo patrão Elon Musk. Isto levou o CEO da Tesla a resumir o potencial da Lucid da seguinte forma: “Este ano, eu fiz mais filhos do que os carros que a Lucid vendeu.”
Fabricando poucas unidades e vendendo ainda menos, a Lucid Motors registou prejuízos de 2,7 mil milhões de dólares, cerca de 2,5 mil milhões de euros, só em 2024. Mas nada disto parece afectar o rendimento de Rawlinson que, após se demitir de CEO da marca que hoje pertence maioritariamente ao Fundo Público de Investimento da Arábia Saudita, assegurou que teria um pagamento mensal de 120.000 dólares, cerca de 113.000€, durante os próximos dois anos. A isto é necessário juntar os 2 milhões que recebeu em acções, ainda assim uma “gota de água” face aos títulos que recebeu em 2023, avaliados na altura em mais de 372 milhões de dólares.
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