Investigadores do Instituto Politécnico de Milão descobriram a existência de túneis secretos no subsolo do Castelo Sforza, construções que tinham sido documentadas por Leonardo Da Vinci num esboço de 1495 e que, até então, faziam parte do imaginário medieval. Através de radares que penetram no solo, os cientistas foram capazes de localizar e mapear as passagens secretas por baixo dos muros exteriores, a chamada Ghirlanda. Há pelo menos 40 mil metros quadrados de construções escondidas debaixo da terra, de acordo com o que revelou a responsável pelo estudo, Francesca Biolo, à CNN.

Os investigadores do Politécnico de Milão usaram radares no estudo do castelo Politecnico di Milano

O castelo começou a ser construído em 1358, mas foi destruído cerca de um século depois. O duque de Milão, Francesco Sforza, mandou reconstrui-lo em 1450 e, depois, a renovação continuou pelas mãos do filho, Ludovico, conhecido como “O Mouro”. Leonardo da Vinci foi contratado nesta altura para decorar algumas das estruturas, nomeadamente a Sala delle Asse, onde ainda decorrem trabalhos para restaurar os frescos do artista. No final do século XV, Da Vinci era presença frequente no castelo e terá documentado as passagens secretas construídas sob a Ghirlanda. Mas até os túneis serem efetivamente descobertos durante o trabalho realizado pelo Politécnico de Milão entre 2021 e 2023, os cientistas só podiam especular sobre a sua existência através dos esboços de Da Vinci.

Além dos túneis para fins militares, os cientistas encontraram pequenos quartos subterrâneos e uma passagem que se acredita ter sido construída por Ludovico com o intuito de ligar o castelo à Basílica de Santa Maria delle Grazie, onde estava enterrada a mulher, Beatrice D’Este. Entretanto, explicou Francesca Biolo, mais investigações são necessárias para confirmar esta hipótese. O professor de geomática do Politécnico de Milão, Franco Guzzeti, explica, num comunicado, que agora o objetivo é “criar uma cópia digital do Castelo Sforza, um modelo que possa mostrar o aspeto atual do castelo e que também permita explorar o passado, revelando as estruturas ancestrais que não são mais visíveis”.

O quanto o artista participou efetivamente no projeto e na execução da obra arquitetónica ainda está por descobrir, entretanto, apesar de os desenhos terem sido essenciais para as descobertas, o mais provável é que Da Vinci os tenha feito para aprimorar os túneis já existentes no castelo diz a professora de história da arte da Universidade da Virginia, Francesca Fiorani. “Se os desenhos e os túneis descobertos recentemente são os mesmos será preciso confirmar com mais investigações”, disse a especialista em Leonardo Da Vinci, que não esteve envolvida nos trabalhos de investigação em Milão.

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