O sorteio deixou água na boca. A primeira mão confirmou toda a espectacularidade à volta de um épico euro-dérbi. Faltava a partida decisiva, aquela que ia apurar um dos gigantes da capital espanhola para a próxima fase. A única certeza era o Atlético estar obrigado a vencer para continuar a lutar por apuramento, depois de os golos de Rodrygo e Brahim Díaz terem sido decisivos para suplantar o fantástico tiro de Julián Alvarez, numa partida que terminou com três grandes golos e o triunfo do Real. Volvidos oito anos, a cimeira de Madrid rumava ao Metropolitano, numa partida que os espanhóis apelidavam de “transcendental” e “pura adrenalina”.

Eles querem ver-te campeão, mas vão ter de esperar: Real vence Atlético em dérbi de Madrid marcado por golaços

A grande dúvida para este encontro prendia-se com a utilização de Kylian Mbappé. O astro francês sofreu um toque no tornozelo na partida frente ao Rayo Vallecano (casa, 2-1), no último fim de semana, e ficou de fora do último treino dos blancos, na terça-feira. Contudo, a boa notícia chegou durante a manhã desta quarta-feira, com o Real Madrid a anunciar a convocatória do avançado. Ainda assim, a equipa técnica de Carlo Ancelotti só dava por garantida a sua utilização no caso de estar a 100%. Do outro lado, o regresso do capitão foi a grande novidade, com Diego Simeone a ter todo o plantel à disposição.

“O futebol tem diferentes cenários no jogo e energias diferentes. Teremos momentos difíceis a defender e teremos momentos melhores… a qualidade e o frescor dependerão dos jogadores. O Real Madrid está em vantagem e temos que procurar o golo que empate a eliminatória! Acredito nos meus jogadores, tenho confiança no plantel. Entendo o coração que os meus jogadores têm e vamos entrar em campo e tentar continuar nesta Liga dos Campeões. O nosso objetivo é jogar a final. As características do rival, com jogadores tão verticais, fazem com que tenham esse tipo jogo. Somos uma equipa coletiva que pode alternar entre jogar alto, jogar mais baixo… com posse, sem posse”, partilhou Cholo na antevisão ao dérbi.

“Chegamos a esta competição em boa forma e motivados, como sempre. Vai ser um jogo difícil e sabemos disso, mas estamos confiantes de que podemos continuar nesta competição, que é muito especial para nós. É uma partida que nos permite continuar a sonhar nesta competição, como fizemos nos anos anteriores. Este ano é mais complicado, mas continuamos com a mesma confiança para lutar até a última partida. Lembro-me de todos os jogos contra o Atlético e todos foram complicados. Às vezes ganhamos, outras vezes empatamos e outras vezes perdemos. Amanhã [quarta-feira] será igual e a eliminatória será decidido por pequenos detalhes”, afirmou Carletto.

Com os dados lançados, Simeone mexeu no lado esquerdo dos colchoneros, colocando Reinildo, que passou pelo futebol português, e Gallagher nos lugares que, na primeira mão, pertenceram a Javi Galán e ao ex-Gil Vicente Samuel Lino. Nos merengues, confirmou-se a disponibilidade e a titularidade de Mbappé, mas a grande novidade foi Luka Modric, que rendeu Camavinga e foi, no que respeita apenas ao clube, titular em dois encontros consecutivos pela primeira vez desde abril de 2024.

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Os rojiblancos entraram com tudo na partida e, na primeira posse de bola, empataram a eliminatória… aos 27 segundos, naquele que é o golo mais rápido apontado por um inglês em toda a história da Champions e o mais precoce desta edição. A equipa da casa construiu da direita para a esquerda e, já dentro da área, De Paul cruzou para Alvarez, que deixou a bola passar por entre as pernas, sobrando para o desvio certeiro de Gallagher (1′). A partir daí, o Real Madrid assumiu, as espaços, o domínio da partida, mas mostrou muitas dificuldades em chegar ao último terço, por conta da organização defensiva do Atl. Madrid. Fruto disso, os colchoneros continuaram a sair rapidamente para o ataque e, num desses lances, Alvarez quase fez o segundo, valendo Courtois a travar o seu remate (25′). A toada manteve-se até ao intervalo, que chegou com tudo em aberto (0-1).

A etapa complementar abriu com novo fulgor ofensivo do Atl. Madrid que, nos primeiros segundos, viu Courtois voltar a negar o golo a Alvarez, que atirou de fora da área (47′). Pouco depois, Lenglet apareceu com perigo depois de um livre, mas o cabeceamento saiu ao lado (60′). Ancelotti respondeu com as entradas de Lucas Vázquez e Camavinga, e não foi preciso esperar muito para Mbappé aparecer pela primeira vez em velocidade e conquistar um penálti, depois de ter sido derrubado por Lenglet (68′). Na cobrança, Vinícius tentou colocar a bola no ângulo superior direito, mas o remate saiu totalmente desenquadrado com a baliza (70′). Em cima do minuto 90, o recém entrado Correa quase fez um golo de bandeira, mas o disparo saiu por cima.

O jogo seguiu então para o prolongamento, onde se voltou a registar a tendência das outras partes, com Ángel Correa a testar a defesa blanca nos instantes iniciais — mas Rüdiger estava atento e impediu males maiores (92′). Na resposta, Valverde desferiu um remate cruzado ao lado (99′) e, a fechar a primeira etapa, Lucas cobrou um livre frontal ligeiramente por cima (105+2′). Nos derradeiros 15 minutos, o jogo continuou muito dividido e o desgaste começou a fazer-se sentir, levando Ancelotti a abdicar de Vinícius para as grandes penalidades, por troca com Endrick. Nos penáltis, Mbappé, Sorloth e Bellingham marcaram, até Alvarez ter visto o seu penálti anulado pelo VAR por ter tocado duas vezes na bola. Seguiram-se os golos de Valverde e Correa, com Oblak a restabelecer a igualdade logo a seguir, ao travar o remate de Lucas. Llorente acabou por atirar ao poste e, a fechar, Rüdiger fechou o jogo com alguma sorte, já que o guarda-redes defendeu para dentro (2-4). Assim, o Real Madrid continua em prova.