Milhares de apoiantes de Jair Bolsonaro encheram neste domingo, 16 de março, a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para mostrar apoio ao ex-presidente de extrema-direita do Brasil, que está a ser acusado de alegado plano de golpe de Estado. Os manifestantes também pedem a amnistia dos envolvidos no ataque de 8 de janeiro de 2023 em Brasília.

De acordo com uma estimativa do Monitor do Debate Político no Meio Digital em parceria com a ONG More in Common, citada pela Folha de S. Paulo, 18,3 mil pessoas participaram do protesto. A manifestação chegou a interditar um trecho da Avenida Atlântica.

Jair Bolsonaro, que liderou o Brasil entre 2019 e 2022, chegou por volta das 10h15 do horário local, 13h15 em Lisboa, ao palco onde discursou, abrindo caminho entre os manifestantes vestidos de amarelo e verde, as cores do país. No pódio, um cartaz mostrava o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, erguendo o punho após o ataque durante a campanha eleitoral na Pensilvânia, em julho do ano passado.

“Jamais pude imaginar um dia na minha vida em que teríamos refugiados brasileiros mundo afora”, disse o ex-presidente, fazendo referência aos acusados que pediram refúgio em outros países, como a Argentina. Bolsonaro defende que os 1.682 envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 “são inocentes e não cometeram nenhum ato de maldade”. De acordo com a Folha de S. Paulo, até o início de 2025, 375 réus já tinham sido condenados, com penas que variam de um a 17 anos de prisão.

Além disso, o ex-presidente fala da acusação de golpe de Estado. O julgamento da denúncia começa a 25 de março no Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro afirma que não pretender sair do Brasil e diz que o objetivo das autoridades “é uma condenação”. “Só não foi perfeita esta historinha de golpe para eles porque eu estava no Estados Unidos. Se eu tivesse aqui, estaria preso até hoje ou quem sabe morto por eles. Eu vou ser um problema para eles, preso ou morto. Mas eu deixo acesa a chama da esperança, da libertação do nosso povo. Afinal, o Brasil é um país fantástico”.

Bolsonaro também contestou a sua inelegibilidade até 2030, decisão tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023 através de duas condenações. “Quero dizer aos que não gostam de mim em Brasília: as eleições sem Bolsonaro são uma negação da democracia no Brasil”, afirmou o ex-presidente. O ato teve a presença de outras figuras políticas brasileiras, como os governadores do Rio de Janeiro, Cláudio Castro; de São Paulo, Tarcísio Freitas; de Santa Catarina, Jorginho Mello, e do Mato Grosso, Mauro Mendes.

À AFP, José de Souza Vitorino, um ex-militar de 64 anos, afirmou ter marcado presença por querer “deixar um Brasil melhor” para os seus filhos. “São tempos sombrios”, acrescentou. O lema da manifestação é amnistia para os condenados por envolvimento nos motins de 08 de janeiro de 2023 em Brasília, uma semana após a tomada de posse do atual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse dia, milhares de apoiantes de Bolsonaro invadiram e destruíram o palácio presidencial, parlamento e o Supremo Tribunal Federal.

Os tumultos foram uma das razões pelas quais o Ministério Público acusou, em fevereiro, o antigo presidente de um alegado plano de golpe de Estado para se manter no poder. Acusado de liderar uma “organização criminosa” com uma conspiração de longa data para o efeito, Bolsonaro arrisca-se a uma pena cumulativa de mais de 40 anos de prisão.