Foi convocada através das redes sociais — essencialmente pelo TikTok — sob o lema “Institut Indignats”, algo como “estudantes indignados” em catalão. A intenção era clara: reproduzir na capital catalã as manifestações violentas que França vive há dias, na sequência das mobilizações estudantis que decorrem há semanas. E foi na tarde deste sábado, com o centro de Barcelona cheio de residentes e turistas, que começaram os incêndios em equipamentos urbanos, o vandalismo contra o comércio e os saques. No final da noite, 100 pessoas tinham sido detidas, entre as quais 27 menores.
???????? #BARCELONA Imatges del saqueig d'una botiga d'informàtica al centre de #Barcelona. Concretament, al carrer de Balmes. La cita per xarxes ja alertava que un dels objectius era el pillatge. @Mossos segueix a lloc, amb situació més tranquila. @elnacionalcat pic.twitter.com/MWhAh9Bs4n
— Guillem Ramos-Salvat (@ramossalvat) October 24, 2026
De acordo com a imprensa espanhola, como o El País, nenhuma manifestação foi comunicada à Câmara Municipal de Barcelona. A convocatória circulou, apenas, pelas redes sociais, e mobilizou dezenas de jovens vestidos de preto até à Plaza Catalunya. De acordo com o El Mundo, os primeiros distúrbios — os incêndios de equipamentos urbanos, como caixotes de lixo — começaram pelas 18h30 locais, 17h30 em Lisboa.
Ao cair da noite, os jovens começaram a partir montras de lojas e invadir espaços comerciais. Nas redes sociais circula um vídeo que mostra dezenas de pessoas presas dentro do El Corte Inglés, depois de o centro comercial decidir fechar as portas para evitar a entrada dos vândalos. Noutras imagens, veem-se os comerciantes a tentarem impedir a entrada dos jovens, que invadem o estabelecimento.
Centres comercials i botigues de plaça Catalunya de Barcelona han tancat portes pels incidents a l'exterior en una protesta "contra el sistema" convocada per xarxes.
Imatges de l'interior d'El Corte Inglés, amb els clients esperant poder sortir a fora https://t.co/NQZAd0sIAF pic.twitter.com/E1BSgUKPEw
— 3CatInfo (@3CatInfo) October 24, 2026
Com a presença policial, os manifestantes passaram a lançar pedras e objetos contra os agentes, relata o El Confidencial. Pelas 20h30 a polícia catalã alertou, através das redes sociais: “Grupos violentos de pessoas com o rosto coberto incendeiam contentores, vandalizam o mobiliário urbano e atiram pedras contra a polícia”.
Os ataques na região da Plaza Catalunya cessaram por volta das 22h, mas continuaram na região da rua Balmes e da Ronda Universitat, na forma de pequenos grupos que totalizavam cerca de 100 pessoas. No final da noite, a polícia anunciou que 100 pessoas haviam sido detidas, entre as quais 27 menores.
Os jovens também terão tentado entrar na acampada pela habitação, um protesto que decorre há três semanas na Plaza Catalunya, mas os organizadores e participantes terão impedido as suas presenças. “Não queremos tornar violento um protesto que temos vindo a construir de forma pacífica há semanas”, explicou Kiara Monroy, porta-voz do acampamento, ao El País.
▲ Jovens partem montras de lojas em Barcelona
Europa Press via Getty Images
O presidente da Generalidade da Catalunha, Salvador Illa i Roca, condenou os atos de violência e vandalismo e prometeu que os responsáveis serão punidos. “A violência não tem lugar na Catalunha. Nunca. Gostaria de agradecer aos Mossos d’Esquadra pelo seu trabalho na proteção da população e dos estabelecimentos comerciais locais. Protestar é um direito democrático; cometer atos de agressão, intimidação ou destruição, não. Não existe nenhuma causa que justifique a violência. Quem protesta está a exercer um direito; quem comete atos de agressão ou destruição está a violar esse direito. Isto merece uma condenação inequívoca. Garantiremos que os responsáveis sejam culpabilizados”, escreveu, numa publicação nas redes sociais.