Emilie Dequenne morreu este domingo, confirmou a sua família à agência France-Press. A atriz belga encontrava-se em cuidados paliativos, tendo falecido precocemente aos 43 anos.
Dequenne revelou publicamente em outubro de 2023 que fora diagnosticada dois meses antes com um cancro da glândula suprarrenal, uma doença rara mas altamente agressiva e com um baixo índice de sobrevivência.
A atriz tornou-se conhecida do grande público logo na sua estreia, com Rosetta, dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, interpretando uma adolescente a braços com uma mãe alcoólica e em situação de pobreza. O filme foi um êxito junto da crítica, conquistando a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1999 e valendo a Dequenne o prémio de Melhor Atriz dessa edição.
Tal prestação lançou-a numa carreira de sucesso no cinema francófono, tendo como outros destaques as interpretações no drama Os Nossos Filhos — pela qual venceu o prémio paralelo Un Certain Regard de Cannes e o prémio Magritte (o maior do cinema belga) —, de 2012, e na comédia romântica Pas son Genre — onde voltou a vencer o Magritte e foi nomeada ao César —, de 2014.
[No podcast “Somos Todos Malucos“, António Raminhos fala sobre os nossos medos, ansiedades e superações em conversas descomplicadas e divertidas em torno da saúde mental. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts e no Spotify]
Com Esta Terra É Nossa, de 2017, voltaria a vencer um Magritte ao protagonizar uma personagem similar a Marine Le Pen, ao passo que com As Coisas Que Dizemos, As Coisas Que Fazemos, de 2020, finalmente venceria um César, na categoria de Melhor Atriz Secundária, depois de ser nomeada noutras cinco ocasiões.
Duquenne regressou em 2024 a Cannes, acompanhada pelo seu marido, o ator Michel Ferracci, sorridente e de cabelo curto devido aos tratamentos, para participar nas celebrações do 25º aniversário de Rosetta e apresentar o filme Survivre. Foi a última produção na qual participou, por força da doença que a afetou.
Vários atores e personalidades do mundo francófono lamentaram publicamente sua morte esta segunda-feira, entre as quais a ministra francesa da Cultura, Rachida Dati. “Todos nós ficámos impressionados com as suas interpretações profundamente comoventes em papéis poderosos. O cinema francês perdeu, demasiado cedo, uma atriz talentosa que ainda tinha muito para oferecer”, escreveu a governante na rede social X.