A adesão à greve desta terça-feira dos trabalhadores da Carris registou, ao longo da manhã, uma adesão de 22%, o que implicou a supressão de aproximadamente 40% do serviço de transporte público de passageiros, segundo a empresa.

A transportadora rodoviária, que opera em Lisboa e é gerida pelo município, recordou numa nota enviada à Lusa que foram assegurados serviços mínimos para o período da greve (entre as 00h00 e as 24h00).

Segundo a transportadora, vão estar a trabalhar a 100% as carreiras 703 (Charneca – Bairro Padre Cruz), 708 [Martim Moniz – Sacavém (Urb. Real Forte)], 717 (Praça do Chile – Fetais), 726 (Sapadores – Pontinha Centro), 735 (Cais do Sodré – Hospital de Santa Maria), 736 (Rossio – Odivelas), 738 (Estrada da Luz – Alto de Santo Amaro), 751 (Estação de Campolide – Linda-a-Velha), 755 (Poço do Bispo – Sete Rios), 758 (Cais do Sodré – Portas de Benfica), 760 (Gomes Freire – Cemitério da Ajuda) e 767 (Campo Mártires da Pátria – Reboleira/Metro).

A Carris referiu ainda que “irá continuar a monitorizar estes dados” e fará “todos os esforços com vista a minorar os inconvenientes desta perturbação parcial do serviço”, lamentando eventuais incómodos causados.

A greve foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), que agendou também para esta terça-feira um plenário geral para os trabalhadores decidirem a “continuação das formas que levem o CA (conselho de administração) e o seu acionista, a Câmara de Lisboa, a dar as respostas que os trabalhadores necessitam”.

Segundo Manuel Leal, do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), que convocou a paralisação, a adesão à greve era “às 08h30 superior a 60%, apesar dos efeitos do condicionamento provocado pelo Conselho de Administração da empresa com os serviços mínimos, que no fundo são máximos porque há 12 carreiras a funcionar a 100%”.

De acordo com o STRUP, os trabalhadores pretendem “o aumento real e substancial dos salários e do subsídio de refeição, a evolução faseada para as 35 horas semanais e a criação do subsídio compensatório para os trabalhadores dos setores fixos”.

Além disso, o sindicato reivindica ainda “o pagamento das deslocações aos trabalhadores do tráfego sem a contabilização dos bonús”.

Em comunicado, a Carris informou que “se encontra em curso a negociação do Acordo de Empresa com todas as associações sindicais representantes dos trabalhadores”, mas, apesar de o “processo de negociação estar a decorrer”, o STRUP, afeto “à CGTP-IN, decretou o pré-aviso de greve” para esta terça-feira.

Para o STRUP, a administração tem “tentado impor uma política de baixos salários, ao mesmo tempo que mantém o prémio designado de ‘excelência’ e dá cobertura” a que a Câmara de Lisboa, acionista e responsável pela gestão da empresa, “corte verbas ao orçamento da Carris e as transfira para outros”, como foi o caso da ‘Web Summit'”.