Um olhar com maior atenção para a primeira fila, uma conclusão que saltava desde logo à vista: ao invés do que aconteceu nas eleições para a Federação Portuguesa de Futebol, que tinham Benfica, FC Porto, Sporting e Sp. Braga no mesmo lado da barricada ao lado de Pedro Proença, agora os principais clubes nacionais estão literalmente divididos. E essa foi uma das principais notas na apresentação oficial de José Gomes Mendes à liderança da Liga Portugal, apenas 48 horas depois do adversário Reinaldo Teixeira, com André Villas-Boas e António Salvador na fila da frente ao lado de Miguel Ribeiro, líder de um Famalicão que também tinha marcado presença no anúncio do presidente da Associação de Futebol do Algarve na segunda-feira.
“Chegou a oportunidade de um tempo novo”: Reinaldo Teixeira oficializa candidatura à Liga Portugal
“O futebol português atravessa um momento decisivo. A nossa Liga consolidou-se financeiramente e profissionalizou as suas estruturas, mas os desafios continuam a multiplicar-se. Precisamos de uma visão renovada, uma liderança forte e uma estratégia que eleve o nosso futebol a um novo patamar de competitividade e sustentabilidade”, salientou o presidente da Mesa da Assembleia Geral da Liga, que vai agora concorrer para liderança deixada em aberto pela saída de Pedro Proença para a FPF e que ressalvou números como os 987 milhões de euros de receitas anuais que o setor gera, os 228 milhões em contribuições em impostos e os cerca de 3.500 empregos diretos que gera entre o impacto de 667 milhões no PIB.
Em paralelo, e dentro de um projeto que procura um futebol profissional “mais sólido, competitivo e também sustentável”, José Gomes Mendes apresentou aquelas que são as três agendas para o futuro da Liga: “competitividade desportiva, sustentabilidade financeira e impacto institucional, promocional e social”.
Entre a competividade desportiva, José Gomes Mendes coloca o objetivo de recolocar a Primeira Liga no top 6 do ranking UEFA, com maior notoriedade e benefícios desportivos e financeiros. Como? Melhorando a qualidade das competições, tornando o futebol mais atrativo, criando uma Direção Técnica e Desportiva e assegurando uma melhor calendarização e marcação de jogos. Já na parte da sustentabilidade financeira, a centralização dos direitos audiovisuais surge como “pilar fundamental para garantir estabilidade e crescimento dos clubes”, até pelo peso excessivo que tem nas receitas operacionais em comparação com os Países Baixos ou a Bélgica: “Liderar e concretizar o processo de centralização é essencial para garantir o interesse coletivo das duas divisões profissionais. Sem equilíbrio económico, não há evolução desportiva”.
FC Porto e SC Braga apoiam a candidatura de de José Gomes Mendes à Liga Portugal. pic.twitter.com/7wS8CdnMlQ
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Por fim, o presidente da Mesa da Assembleia Geral salientou ainda a importância da “internacionalização da Liga e reforço da presença em mercados estratégicos”, propondo “delegações internacionais para atrair um maior investimento, maior cooperação entre agentes do futebol e governo e a criação de um Instituto Universitário do Futebol, em parceria com a Federação, para reforçar a qualificação e inovação no setor”.
“O futebol profissional português enfrenta hoje um dos momentos mais desafiantes da sua história. A nossa Liga consolidou-se financeiramente, profissionalizou as suas estruturas e tornou-se uma referência de organização. No entanto, os desafios continuam a multiplicar-se, exigindo uma visão renovada, uma liderança forte e uma estratégia que eleve o nosso futebol a um novo patamar de competitividade e sustentabilidade. É com este espírito de compromisso e determinação que apresento a minha candidatura à presidência da Liga Portugal”, refere José Gomes Mendes no programa apresentado na Arena Liga Portugal.
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“Ao longo da minha trajetória profissional, quer na gestão institucional, quer na ligação ao desporto, sempre acreditei que as transformações mais impactantes nascem da conjugação de talento, planeamento e ação estratégica. Portugal é um dos maiores exportadores de talento futebolístico do mundo. Os nossos jogadores e treinadores são reconhecidos e cobiçados pelas maiores competições internacionais. Contudo, para que a nossa Liga possa alcançar a sua plena valorização, temos de criar um ecossistema que sustente essa qualidade, reforce as nossas infraestruturas, amplie a nossa base de receitas e modernize o modelo competitivo, num quadro de interligação e solidariedade entre a primeira e a segunda Ligas”, destaca ainda, numa apresentação que contou com a presença de dois nomes confirmados: José Couceiro, que assumirá a Direção Técnica e Gestão de Competições, e Pedro Mendonça, Senior Partner na McKinsey & Company, que liderará o Planeamento Estratégico, a Centralização de Direitos Audiovisuais e a área comercial.
José Couceiro assumirá a Direção Técnica e Gestão de Competições da Liga Portugal, caso José Gomes Mendes vença as eleições.
O antigo treinador era diretor técnico nacional na Federação Portuguesa de Futebol desde 2018, e foi agora sucedido por Domingos Paciência com a vitória… pic.twitter.com/sOe5NKPVEg
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Além de presidente da Mesa da Assembleia Geral da Liga Portugal, José Gomes Mendes, de 63 anos, é professor catedrático na Universidade do Minho, professor catedrático convidado no ISCTE (Business School) e consultor de estratégia empresarial. Foi também membro do XXI Governo, primeiro como secretário de Estado Adjunto e do Ambiente e depois como secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, e também do XXII Governo como secretário de Estado do Planeamento, entre outras funções profissionais.