Cerca de trinta trabalhadores de empresas municipais de Lisboa protestaram nesta quarta-feira em frente aos Paços do Concelho para exigir o cumprimento dos respetivos acordos de empresa e aumentos reais dos salários.

Os trabalhadores exibiam duas faixas nas quais diziam “Trabalhadores da Gebalis exigem respeito pelo Acordo de Empresa e aumento real dos salários” e “Moedas não dês só trocos à Cultura – Trabalhadores da EGEAC exigem o aumento real do salário”.

Segundo Luís Dias, do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML), que convocou o protesto, os trabalhadores exigem uma negociação séria com base nos acordos de empresa para os trabalhadores da Gebalis e da EGEAC, uma vez que não obtiveram “respostas em relação àquilo que são obrigações dos vários acordos de empresa, em relação à negociação salarial anual, que não têm ocorrido como os trabalhadores esperam e como o próprio sindicato espera”.

“Estas administrações têm reproduzido para a realidade das suas empresas aquilo que o Governo decide para a realidade da administração pública. Desvalorizam o acordo de empresa, desvalorizam as propostas que os trabalhadores levam para a mesa da negociação e desvalorizam, em suma, as suas expectativas e as suas condições de vida. Isto não é aceitável”, considerou o sindicalista.

De acordo com Luís Dias, o processo negocial da EGEAC “supostamente ainda está aberto”, havendo uma reunião agendada para o dia 02 de abril, mas “na Gebalis nada disso está a acontecer”, tendo a administração optado por atualizar os salários segundo os aumentos definidos pelo Governo para a administração pública, sem qualquer negociação, o que considerou não ser aceitável.

Em relação à SRU a situação ainda é mais precária, visto que “há hoje uma porta fechada por parte da administração à negociação de um acordo de empresa”.

“É a única empresa municipal da cidade de Lisboa que não tem um acordo, é uma administração que reuniu até agora uma única vez com este sindicato, no ano passado, e desde junho até hoje estamos à espera de uma reunião para avançar naquilo que seria a regulamentação das condições de trabalho dos mais de 100 trabalhadores” desta empresa, disse.

O sindicato espera apresentar nesta quarta-feira estas preocupações na reunião aberta da Câmara Municipal de Lisboa, que é a tutela destas empresas, para relembrar ao presidente, Carlos Moedas, que “há acordos de empresa celebrados e, para todos os efeitos, são uma lei, que implica um processo negocial sério”.

“Isto implica que as administrações ouçam as propostas que os trabalhadores têm e depois trabalhem, construam, aquilo que é uma contraproposta”, considerou.

O STML propôs aumentos de 15%, com aumento mínimo de 150 euros para estes trabalhadores.

A SRU é a empresa municipal responsável pela reabilitação urbana, a Gebalis é a empresa que gere os bairros municipais e a EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural é responsável pela gestão de alguns dos espaços culturais da cidade e pela realização das Festas de Lisboa.