A Federação Portuguesa de Judo (PJ) foi esta quinta-feira alvo de buscas da Polícia Judiciária (PJ), confirmou a entidade que tutela o judo nacional em comunicado divulgado nas redes sociais. De acordo com o organismo, as buscas decorrer na sua sede, em Odivelas, e incidiram sobre a gestão do anterior presidente, Jorge Fernandes. Segundo a Lusa, que cita o mandato emitido pelo Departamentos de Investigação e Ação Penal de Loures, em causa estarão suspeitas da prática de crimes de tráfico de influência, abuso de poder e peculato. Na nota tornada pública, a FPJ garantiu ainda que a atual direção, liderada por Sérgio Pina desde 2023, está a “colaborar ativamente com as entidades competentes”.
“A Federação Portuguesa de Judo vem por este meio comunicar que, no presente dia, decorreram buscas por parte da Polícia Judiciária na sua sede, em Odivelas, cujo objeto é a gestão por parte do anterior presidente, no período que exerceu essa função. A FPJ e os seus atuais órgãos sociais estão a colaborar ativamente com as entidades competentes, com o intuito de ver esclarecidas todas as questões suscitadas e, consequentemente, ser apurada toda a verdade”, lê-se no comunicado da instituição.
Em declarações à agência Lusa, Sérgio Pina afirmou ainda que a PJ levou da sede do organismo “documentação de contabilidade entre 2017 e 2023”. Já o despacho do Ministério Público confirma que o mandado de busca e apreensão de tudo o que seja relacionado com os factos da investigação foi emitido para a sede da FPJ, bem como para outros três outros locais.
“Estou admirado com isto. Já ouvi que foi uma denúncia anónima, mas também que foi da parte da federação”
Em reação, o ex-presidente Jorge Fernandes mostrou-se tranquilo com as buscas ao organismo, relativas à sua gestão, e revelou que no mandado a sua casa nada foi levado. “Acordaram-me às 07h00. Estiveram na minha casa, não levaram nada e disseram mesmo que não havia nada de relevante. Foram ao Judo Clube de Coimbra e levaram documentos, de extratos bancários, não levaram computadores, nem nada de especial”, disse à Lusa. “Querem ver se houve influência na atribuição de subsídios ao Judo Clube de Coimbra”, adiantou o dirigente, acrescentando que não tem nada a temer e que sente existirem represálias da atual direção.
Jorge Fernandes questionou se a atual direção, presidida pelo seu antigo “vice” Sérgio Pina não poderá, dentro desta linha de raciocínio, ser “incompetente”, por ter vários membros que fizeram parte da sua gestão. “Estou admirado com isto. Já ouvi que foi uma denúncia anónima, mas também que foi da parte da federação”, referiu o ex-dirigente máximo da FPJ e que é, ainda, presidente do Judo Clube de Coimbra.
Jorge Fernandes aproveitou para questionar os critérios da própria Polícia Judiciária, ao lembrar que o seu diretor, Luís Neves, veio esta semana, em plena posse do Comité Olímpico de Portugal, ilibar Fernando Gomes de qualquer suspeita quando ainda decorre investigação à venda da antiga sede da FPF.
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A finalizar, lamentou, igualmente, o comunicado divulgado nesta quinta-feira pela federação de judo, a expor a situação das buscas, lembrando que quando foi dirigente aconteceu um cenário semelhante no organismo em relação a um mandado de um outro presidente e que ele protegeu a modalidade. “Estranhamente, é a FPJ que vem falar disto. Qual é o objetivo?”, questionou.
Jorge Fernandes foi eleito presidente da federação de judo em 2017, sendo reconduzido no cargo em 2020. Contudo, em dezembro de 2022, acabou por ser destituído por incompatibilidades ao abrigo do regime jurídico das Federações Desportivas, num inquérito iniciado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). A decisão foi tomada devido ao risco de suspensão do Estatuto de Utilidade Pública Relativa, que a FPJ corria o risco de perder. Em causa estava a contratação, em 2021, de Jorge Alberto Fernandes, filho do presidente, e o facto de o responsável máximo da federação desempenhar funções de treinador no Judo Clube de Coimbra, dois cenários incompatíveis com as funções que desempenhava.
Jorge Fernandes destituído da federação de judo quase por unanimidade dos delegados
Para além disso, a polémica também se instalou em torno dos atletas olímpicos, com Telma Monteiro a denunciar, em 2022, o despedimento por email da treinadora Ana Hormigo em semana de competição a contar para o apuramento olímpico, bem como a ameaça de processos em tribunal por parte da FPJ e a falta do devido apoio financeiro para fazer a preparação desejada. Bárbara Timo e Rochele Nunes subscreveram as queixas da então colega de profissão e revelaram novos episódios de ameaças. Este episódio levou o Benfica a associar-se às atletas e os partidos políticos a pedirem uma audição a João Paulo Correia, então secretário de Estado da Juventude e do Desporto. Na mesma altura, as três judocas, juntamente com Patrícia Sampaio, Anri Egutidze e Rodrigo Lopes, enviaram uma carta a solicitar a intervenção do Governo.
Em abril de 2023, Sérgio Pina, que tinha sido vice-presidente do anterior presidente, venceu as eleições depois de derrotar José Mário Cachada e Jorge Fernandes, que se voltou a apresentar a sufrágio. Mais recentemente, em outubro de 2024, os três voltaram a concorrer a eleições, para o quadriénio 2024-2028, com Pina a ser reconduzido na liderança da FPJ. O candidato da Lista A venceu com 31 votos, contra 18 de Cachada (Lista B) e oito de Fernandes (Lista C).