Enquanto se espera o anúncio da solução que liberte a Nissan da ameaça da falência iminente, situação em que se colocou pela segunda vez nos últimos 27 anos — a Renault salvou-a em 1998, não tendo a Honda repetido o gesto em 2024 —, o construtor japonês dá mostras de estar bem vivo e à procura de um futuro pós-crise. De uma assentada, revelou a mão-cheia de modelos que pretende lançar em 2025 e 2026, com o destaque a ir para a nova geração do Leaf EV e para o também novo Micra EV, que abandona os motores a combustão e evolui para 100% eléctrico. Além destes, vão ainda surgir o novo Juke e a evolução do sistema Full Hybrid e-Power.
A primeira novidade a chegar ao mercado será o Micra, modelo que recorre à plataforma eléctrica AmpR Small da Renault, a mesma que serve o já disponível Renault 5 E-Tech, bem como o próximo Twingo E-Tech, com o pequeno eléctrico da Nissan a estar programado para final de 2025. Com uma estética atraente, o Micra EV será proposto com duas capacidades de bateria, respectivamente 40 e 52 kWh, o que lhe vai garantir mais de 400 km de autonomia.
Se o Micra é o primeiro novo Nissan a chegar ao mercado, é provável que a novidade mais importante seja a 3.ª geração do Nissan Leaf, modelo eléctrico que evolui de berlina para SUV — ou crossover, a confirmar-se uma altura mais reduzida do que a evidenciada por modelos como o Qashqai ou o Ariya —, aderindo assim às preferências da maioria dos clientes europeus. O novo Leaf foi concebido sobre a plataforma AmpR Medium, a mesma utilizada pelos eléctricos Mégane, Scenic e Ariya.
O novo Leaf EV será produzido na fábrica britânica de Sunderland, não tendo a marca anunciado a capacidade da baterias a que vai recorrer. O “velho” Leaf montava acumuladores com 40 e 62 kWh, o primeiro a oferecer 284 km de autonomia e o maior 385 km, enquanto o Renault Megane, com as mesmas capacidades de bateria, chega aos 468 km entre recargas.
Novo vai ser igualmente o Nissan Juke, um B-SUV cuja 3.ª geração chegará ao mercado no início de 2026. O modelo já foi visto em Outubro de 2023, no Salão de Tóquio, no Japão, onde é comercializado, para agora rumar à Europa e aliciar os clientes que pretendem um veículo pequeno e acessível, mas com mecânicas apenas a combustão ou electrificadas.
Igualmente novidade, a nível da mecânica, é a introdução de uma evolução no sistema híbrido e-Power, uma solução desenvolvida pela Nissan que recorre a um motor a combustão a gasolina (com 154 cv) apenas para recarregar a bateria, a qual é a responsável pela alimentação do motor eléctrico (com 190 cv) que faz mover o veículo. O construtor japonês apostou desde o início nesta tecnologia híbrida que possui algumas vantagens, mas que acarreta igualmente algumas limitações que a levam a ser menos eficiente do que os híbridos convencionais, como por exemplo o Renault Austral, que possui um motor a gasolina com 131 cv ajudado por unidades eléctricas para atingir 200 cv. A vantagem em eficiência vai para a Renault, cujo full hybrid anuncia 4,5 l/100km e 101g de CO2, enquanto o Qashqai e-Power se atira para 5,1 litros e 116g. Espera-se que a próxima geração do e-Power consiga recuperar deste atraso.