“Bullying constante” e um episódio a envolver Meghan Markle e gravações da Netflix — sendo que este último quebrou de vez a relação entre Sophie Chandauka, presidente da Sentebale, e o príncipe Harry, que, na semana passada, anunciou a saída da associação de cariz solidário que fundou em homenagem à sua mãe, Diana, princesa de Gales.
Numa entrevista à Sky News, Chandauka acusou o duque de Sussex de orquestrar uma campanha alargada para a destituir da liderança da organização criada para ajudar as pessoas no Lesoto e no Botsuana em situações de pobreza e portadoras do vírus HIV. “Na verdade, o que o príncipe Harry queria fazer era expulsar-me da organização, e isto prolongou-se durante meses através de intimidação e assédio, tenho documentação”, garantiu, descrevendo episódios de “assédio e intimidação em larga escala”.
“Harry começou a virar a sua equipa e os seus patrocinadores contra mim e contra a instituição de caridade”, disse, recordando que as dificuldades na gestão da instituição começaram depois de o príncipe Harry e Meghan Markle terem deixado o Reino Unido e os deveres reais — isto provocou uma perda de patrocinadores e uma crescente fricção no seio da direção.
Mas o problema final da relação de cooperação com vários anos deu-se em abril do ano passado, em Miami, depois de Harry ter obrigado a associação a alterar o local de um jogo de polo, para angariação de fundos, sendo que Chandauka tinha conseguido um acordo para realizar o evento com desconto noutra localização.
O local original tornou-se inviável porque o príncipe queria levar uma equipa de filmagem da Netflix para fazer gravações no dia do evento, tornando a ocasião de cariz comercial. Depois disso, no dia do jogo de polo, Meghan Markle chegou inesperadamente ao evento, alterando a dinâmica planeada. Segundo Chandauka, a duquesa levava consigo, sem aviso prévio, uma “amiga muito famosa” (tratava-se de Serena Williams).
Além do imprevisto que a presença de Meghan terá criado, os tabloides ingleses identificaram fotografias do evento que pareciam mostrar a duquesa a afastar subtilmente Chandauka do príncipe Harry no palco, criando de imediato diversos rumores em volta das mesmas.
Nessa sequência, Chandauka afirmou que lhe foi pedido que emitisse uma declaração de apoio a Meghan. Ela recusou e o mal-estar, que já era latente entre as duas parte, acentuou-se depois disso. A advogada diz não ter a menor dúvida de que o casal olhava para a instituição como “uma extensão da máquina de relações públicas de Sussex”.
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“É isto que acontece quando o príncipe está na sala e ninguém tem coragem de falar”
Na aparição televisiva , a presidente da Sentebale descreveu algumas reuniões da direção marcadas por “beligerância” e uma insistência desmedida em “levantar tópicos que nem sequer estavam na agenda do dia”.
“Um exemplo disso foi o facto de o príncipe Harry decidir, numa ocasião específica, nomear um indivíduo para o Conselho de Administração com efeito imediato, sem ter falado comigo. Não estava na ordem de trabalhos, mas, de alguma forma, era suposto toda a gente tolerar isso”, contou a advogada, que dizia ser sistemática a recusa em contrariar o membro da realeza em inglesa. “É isto que acontece quando o príncipe está na sala e ninguém tem coragem de falar“, garantiu.
Chandauka diz ter denunciado as suas preocupações sobre bullying e misoginia — que observava e do qual era ela própria vítima — dentro da organização. Assim que o fez, no entanto, Harry terá começado a interferir na investigação. “O diretor sénior independente que devia ter tratado do assunto foi a mesma pessoa que me deu a notícia de que eu ia ser afastada pela direção”, revelou.
A notícia de que o duque de Sussex renunciou ao cargo de patrono da Sentebale, uma instituição de solidariedade africana que criou há 20 anos, foi avançada pelo próprio através de um comunicado, na quinta-feira. “A decisão de hoje é nada menos que devastadora para todos nós, mas não vemos outro caminho a seguir como resultado da nossa perda de confiança na presidente do conselho”, afirmou na nota.
Num sugestivo comentário, que pareceu de imediato dirigido ao duque, Sophie já tinha garantido, mesmo antes da entrevista à Sky News, que não via a instituição de caridade não é “um projeto de vaidade” do qual poderia renunciar quando chamada a prestar contas. Até às investigações estarem concluídas garante que continuará como presidente do conselho.
A organização está agora a ser alvo de uma investigação interna, segundo o The Guardian. “Estamos a avaliar os problemas para determinar as etapas regulatórias apropriadas”, afirmou um porta-voz da comissão criada para analisar as queixas e suspeitas levantadas.