1230,3kWh poupados 1230,3 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Homenagem ao arroz, comida de tacho e identidade: é a mão do chef Vítor Sobral no INARI da Comporta

Este artigo tem mais de 1 ano

Já com as Esquinas estabelecidas em Lisboa, Vítor Sobral regressa às origens. Na Quinta da Comporta, homenageia a região e o que a horta lhe dá. Tudo inserido numa carta fresca de novidades.

O peixe marinado (ceviche) do INARI com batata-doce da horta da Quinta da Comporta
i

O peixe marinado (ceviche) do INARI com batata-doce da horta da Quinta da Comporta

Jorge Simão

O peixe marinado (ceviche) do INARI com batata-doce da horta da Quinta da Comporta

Jorge Simão

História

O arrozal é o grande anfitrião desta casa. É pano de fundo do Wellness Boutique Resort Quinta da Comporta e inspiração para o restaurante que agora se transforma com a mão do chef Vítor Sobral. De seu nome INARI, vem evocar a divindade japonesa que representa prosperidade no cultivo e colheita do arroz, e recebe-nos logo à porta enquanto Valquíria Inari, a obra monumental de Joana Vasconcelos que desde dezembro do ano passado leva todos aqueles que entram neste espaço a direcionar o olhar para o teto. Fundindo a arte com a natureza, as cores e dimensões não roubam, porém, as atenções para a nova carta deste restaurante — criada também por um “artista da cozinha”, considera Miguel Câncio Martins, arquiteto fundador da Quinta da Comporta. Respeitando a natureza e a sazonalidade, o chef Vítor Sobral assume agora a consultoria gastronómica deste restaurante, aberto desde 2019, com a ajuda do chef executivo Luís Espadana, servindo os sabores de 40 anos de carreira com simplicidade, num tacho apurado.

“O desafio da Quinta da Comporta foi o culminar de um desejo muito pessoal que tive desde sempre em desenvolver um projeto gastronómico nesta região”, partilha Vítor Sobral, natural da margem sul e com família no Litoral Alentejano, acrescentando haver assim “uma cotação sentimental muito forte, resultante de ligações familiares que tenho na zona”. Assim, quando a vida o levou a regressar à terra, decidiu juntar o tempo livre com a vontade de trabalhar e aceitar o desafio que foi chegar a um restaurante que já estava estabelecido: “Não dá para chegar a um sítio que já está a funcionar e travar e mudar tudo. Construímos algumas mudanças em cima da carta antiga. O bife do lombo, por exemplo, não mudámos o nome. Mudámos a forma de fazer o bife”, explicou o chef das várias Esquinas de Lisboa. “Acho que teve a inteligência de pegar no que a gente tem, de ver o que é que se aproveita, o que é que é interessante, e melhorar com a parte dele”, acrescenta Miguel.

A Quinta da Comporta está plantada à beira dos arrozais

LOUIE THAIN

Com um “namoro” — os próprios dizem — bastante antigo, esta dupla pretende agora fazer do INARI casa para os clientes que cá vêm. Com pratos que se comem, lá está, em casa, o chef Vítor Sobral recusa o fine dining e defende a identidade que um restaurante precisa de ter: “Eu acho que estamos numa fase que é extremamente importante sermos regionais, tradicionais, clássicos, e que, de alguma maneira, em função do local onde estamos, praticar uma cozinha e oferecer coisas que não se encontram em todo o lado”. Essas tais coisas passam pelos sabores do mar, do rio, da terra e da horta, que abastece muitas das ideias do chef, valorizando também os pequenos produtores e fornecedores da região.

Portuguesa bem regional, mas sem nunca descurar pratos internacionais que o cliente estrangeiro pede, a carta é servida num espaço que em tempos viveu do arroz: um restaurante edificado a partir de vigas de madeira recuperada com 150 anos para recriar as antigas granjas agrícolas onde o arroz ali colhido, debulhado e seco era armazenado. “Tudo o que fazemos na Quinta da Comporta tem um propósito: o de contar e preservar a história da Comporta, a sua cultura e as tradições que moldam o seu estilo de vida. É preciso conhecer o legado e admirar a alma deste lugar como simplesmente é para honrá-lo. O chef Vítor sente esta mesma paixão pela região”, acrescenta o arquiteto.

Comida

É diretamente da horta do resort que saltam para a cozinha do chef Vítor Sobral os produtos mais frescos. De cesta na mão, faz o caminho até às plantações de ervilhas, batata-doce, couve ou abóbora e regressa já de mãos cheias — com mais uns quantos legumes apanhados. “Vou mostrar-vos o que é possível fazer-se num instante tendo uma horta”, prometeu, e cumpriu. Antes de os pratos da carta chegarem a esta mesa com vista para os arrozais, o chef entrega duas saladas que invadem o INARI com frescura. Uma de tomate — sem casca, atenção — com cebola fininha e uma de pinhões e alho francês. Durante o verão o chef pretende introduzir “muito tomate”, assim como o peixe grelhado, que, reconhece, muitos restaurantes nas praias da Comporta têm deixado de servir.

[Já saiu o terceiro episódio de  “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo Podcast Plus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E pode ouvir aqui o primeiro episódio e aqui o segundo]

Ainda pela primavera, a carta faz-se compor por pratos coloridos, frescos e de conforto, a começar pelo ceviche de robalo com batata-doce da horta e coco (17 euros). “Chamámos-lhe ceviche porque se chamássemos peixe marinado ninguém ligava nenhuma”, confessa o chef antes de chegar o tártaro de atum com abacate (16 euros), que vai buscar os sabores ao menu de sushi que o INARI continua a apresentar, e a crocante tempura da horta com maionese de algas (14 euros).

O arroz vegetariano, os bolinhos de arroz e o arroz de camarão-tigre

Jorge Simão

Sempre com a Comporta como inspiração, os bolinhos de arroz com geleia e queijo da ilha são uma homenagem à zona. De arroz também, está o vegetariano de tomate com as ervilhas apanhadas há pouco, brócolos tostados, burrata de Azeitão e sementes de abóbora (18 euros), o de corvina corada com vinagrete de mariscos (24 euros) e o de camarão-tigre (39 euros). Pelas carnes, há croquetes de picanha com molho de mostarda e cebolinho (9 euros) e o pica-pau de novilho com pickles caseiros (19 euros). “Com a chegada do Vítor ganhámos sabor, técnica e identidade. E estamos mais simples, os pratos estão claramente esclarecidos. Um croquete é um croquete”, afirma Miguel.

Se em homenagem à região há também carré de borrego com açorda alentejana e coentros (28 euros), numa vertente mais internacional não falta o hambúrguer com queijo viso, tomate e marionese de bacon e ervas (24 euros), a lasanha de legumes com queijo e tomate (17 euros) e o peito de frango grelhado com molho de iogurte (15 euros). Já nas sobremesas, o chef mantém o gosto pelo pudim e pelo chocolate — “são as sobremesas que eu mais gosto”, confessa — com um pudim abade de priscos com abacaxi e coco (8 euros) e um bolo de chocolate com praliné de chocolate e avelã (12 euros). Também aqui o arroz surge em forma de creme queimado de arroz-doce (6 euros) que compete contra a pavlova de frutas da estação e pistácio (6 euros). Dica: há a opção de pedir — ainda mais — creme de pistácio à parte.

A pavlova de frutas da estação e pistácio e o pudim abade de priscos

Jorge Simão

“Cuidado, está quente” é uma rubrica do Observador onde se dão a conhecer novos (e renovados) restaurantes e cartas.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.