As forças armadas de Taiwan iniciaram este sábado um conjunto de manobras militares anuais, que vão durar 14 dias e incluir simulações de eventuais cenários de conflito com a China, que tem aumentado a pressão sobre a ilha nos últimos meses.

Este ano, os exercícios militares anuais, conhecidos como “Han Kuang”, arrancaram com simulações assistidas por computador utilizando a plataforma norte-americana Joint Theater Level Simulation (JTLS). A parte de fogo vivo destas manobras militares está prevista para 09 a 18 de julho, segundo o Ministério da Defesa de Taiwan.

Estão igualmente incluídas simulações relacionadas com operações consideradas como de “zona cinzenta”, um termo utilizado para descrever ações no limiar de um conflito aberto.

O deputado do Partido Democrático Progressista (DPP), Wang Ting-yu, citado pela agência de notícias taiwanesa CNA, indicou que a duração dos exercícios militares foi alargada este ano, de modo a considerar não apenas os compromissos convencionais.

Wang, membro da Comissão de Defesa Nacional, disse que a conceção dos exercícios responde à necessidade de adaptar a resposta militar a incidentes não tradicionais e de considerar linhas de ação no quadro do direito internacional.

O responsável sublinhou que, apesar de os taiwaneses suporem que um primeiro ataque da China seria efetuado com mísseis, “é agora mais realista pensar que seria efetuado por navios da Guarda Costeira, embarcações civis, drones ou outras operações de ‘zona cinzenta'”. “Estes cenários complexos requerem um planeamento e simulação detalhados, o que torna os jogos de guerra mais demorados”, vincou.

Esta semana, as forças armadas chinesas lançaram manobras militares em torno de Taiwan que incluíram exercícios de fogo real de longo alcance no Mar da China Oriental, reforçando, assim, o clima de pressão sobre o território e que tem vindo a crescer nos últimos meses.

Taiwan é governada de forma autónoma desde 1949 e possui o seu próprio exército e um sistema político, económico e social, diferente do da República Popular da China, mas Pequim considera Taiwan uma “parte inalienável” do seu território.