A produtora de Brad Pitt, a Plan B, está em negociações para desenvolver uma nova temporada da série Adolescência, depois de a série britânica se ter tornado num sucesso na Netflix e de ter aberto o debate em todo o mundo sobre a influência nos rapazes mais jovens do conteúdo incel e da “manosfera” — espaço online onde se promove o discurso contra as mulheres.

Em entrevista à Deadline, os co-presidentes da produtora de Pitt, Dede Gardner e Jeremy Kleiner, revelaram que estão a falar com o realizador Philip Barantini sobre a “próxima temporada” da série, que foi protagonizada e co-criada por Stephen Graham, que em Adolescência interpreta a personagem do pai de Jamie.

A série de quatro episódios, cada um filmado num único take, conta a história de um rapaz de 13 anos,  interpretado por Owen Cooper, acusado de esfaquear até à morte uma colega de turma, Katie, depois de ter sido sugado pela “manosfera” através do conteúdo que consumia online.

Da solidão ao ódio pelas mulheres. A história de um ex-incel, os celibatários involuntários (muitos deles violentos)

Gardner, a representar a Plan B, disse à Deadline que a equipa de desenvolvimento está a considerar formas de “alargar a abertura” da série, “manter-se fiel ao seu ADN” e de “não a tornar repetitivo”. Já Kleiner disse esperar que Stephen Graham, bem como o co-argumentista, Jack Thorne, regressem para uma segunda temporada.

No final de março, Graham e a sua mulher e parceira de produção, Hannah Walters, não descartaram, em declarações à Variety, a possibilidade de desenvolver uma segunda temporada, ressalvando que, antes do esmagador sucesso mundial, o programa foi concebido enquanto uma minissérie de quatro episódios e não mais do que isso.

“Vamos ver como estão os números”, disse Graham à revista na altura, admitindo que havia “possibilidade de desenvolver outra história“.

“Adolescência”: uma tragédia familiar devastadora em quatro episódios

Os presidentes da Plan B referiram à Deadline que estão interessados no projeto por este dar vida a uma história que, mesmo “aparentemente pequena, localizada e emocional”, foi capaz de chegar aos quatro cantos do mundo.

Os representantes da produtora do ator norte-americano referem ainda a lição de “humildade” que a série dá aos profissionais do setor por conseguir desenvolver o tópico da violência masculina, que já é um problema social há muitos anos, mas que finalmente foi simplificado e retratado de modo a chegar às grandes massas.

Na entrevista à Variety, Hannah Walters já tinha admitido que seria “difícil” dar continuidade a algo que teve um impacto tão generalizado como a série Adolescência. Negou mesmo a hipótese de uma prequela da série: “Isso certamente não vai acontecer”, garantiu. “Mas há muito a ganhar em investir na natureza humana novamente e olhar para algo diferente”, referiu.

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