Depois do dérbi, o regresso ao futebol europeu. No passado domingo, o Manchester United recebeu o rival Manchester City em mais um grande dérbi da cidade de Manchester. Contudo, a partida não correu da melhor forma para os red devils que, apesar de terem dominado e disposto das ocasiões mais flagrantes, deixaram Old Trafford sem qualquer golo marcado (e sofrido) e a ocuparem o 13.º lugar da Premier League (0-0). O clube caminha para a pior classificação de sempre da era Premier League — que começou em 1992 —, pelo que a salvação pode estar relacionada com uma grande prestação europeia. Mais ainda por ser a única via de acesso às competições europeias na próxima temporada.

Ruben não quer este tipo de vida, Pep habituou-se a este tipo de vida: United e City empatam sem golos em Old Trafford

Um ponto que joga a favor da turma comandada por Ruben Amorim são os bons resultados que se têm visto nesta Liga Europa. O Man. United é, por esta altura, a única equipa invicta desta Liga Europa e chegava a França de eliminar com pompa e circunstância a Real Sociedad (5-2 no agregado). Por outro lado, o Lyon teimava ser um desafio à altura, depois de, com Paulo Fonseca ao leme, ter somado oito vitórias nos últimos dez encontros. Apesar de estar a cumprir uma histórica suspensão de nove meses por se ter insurgido contra um árbitro, o técnico português pode marcar presença no banco de suplentes nos jogos europeus e essa era uma mais-valia para os gones.

Na antevisão à partida, André Onana e Nemanja Matic decidiram apimentar ainda mais este embate europeu. Depois de o guarda-redes dos red devils ter dito que a sua equipa era favorita por ser “muito melhor” que o Lyon, o antigo médio do Benfica respondeu à letra: “Para dizer isso é preciso estar bem seguro. Foi o Onana? Respeito a opinião de toda a gente, mas dizer isso… Se é um dos piores guarda-redes da história do Man. United… É preciso ter cuidado antes de falar. Se fosse o De Gea, o Peter Schmeichel ou o Van Der Sar a dizer isso, também me questionava, mas se és, estatisticamente, um dos piores da história moderna do clube, tem de o mostrar antes de o dizer. Por isso vamos ver”.

Mais tarde, o camaronês recorreu às redes sociais mas responder a Matic. “Nunca seria desrespeitoso para com outro clube. Sabemos que amanhã [quinta-feira] será um jogo difícil contra um adversário forte. Estamos concentrados em preparar uma exibição que deixe os nossos adeptos orgulhosos. Pelo menos conquistei troféus com o maior clube do mundo. Alguns não podem dizer o mesmo”, escreveu na rede social X (antigo Twitter).

Com o clima quente à volta desta primeira mão, Fonseca teve duas baixas no ataque — Malick Fofana e Ernest Nuamuah —, o que o levou a lançar Georges Mikautadze na frente de ataque, com Thiago Almada e Rayan Cherki no apoio ao georgiano. Por sua vez, Amorim contou com os regressos de Kobbie Mainoo e Luke Shaw, mas deixou os internacionais ingleses no banco, optando por reforçar o meio-campo com Manuel Ugarte a juntar-se a Casemiro, o que levou Bruno Fernandes a subir ligeiramente no terreno, para atrás de Alejandro Garnacho e Rasmus Hojlund. Diogo Dalot também foi titular e, em sentido inverso, Matthijs de Ligt e Toby Collyer falharam a viagem a França por lesão.

Com o apito inicial do árbitro Glenn Nyberg, não foi preciso esperar muito tempo para se ouvirem os primeiros assobios, que surgiram sempre que Onana tocava na bola. A primeira oportunidade de golo saiu dos pés de Bruno Fernandes que, na cobrança de um livre, fez a bola passar perto da baliza de Lucas Perri (6′). A partir daí, o jogo entrou numa toada de maior equilíbrio, ainda que os franceses tivessem assumido o domínio da posse de bola. Foi através de uma recuperação de Patrick Dorgu que os ingleses voltaram a criar perigo, com o dinamarquês a cruzar atrasado para Hojlund que, de frente para a baliza, acertou mal na bola (18′). Pouco depois, a receita-se repetiu-se do outro lado, com Garnacho a cruzar e Bruno Fernandes a finalizar de pronto, com Moussa Niakhaté a cortar para canto (23′).

Como quem não marca, sofre, Thiago Almada assumiu a cobrança de um livre na esquerda e, quando se esperava o cruzamento, a bola saiu na direção da baliza, ninguém desviou e enganou Onana, que hesitou em sair da baliza (25′). Com o golo inaugural, o Lyon cresceu na partida e começou a pressionar mais alto, causando algumas dificuldades aos red devils, que continuaram inconstantes na tomada de decisão. Contudo, na última jogada do primeiro tempo, Bruno cobrou um livre da direita para a área, Perri socou para a entrada da área, onde Ugarte apareceu sozinho a despejar para a área, com Leny Yoro a desviar de cabeça para o empate (45+6′).

A etapa complementar abriu com Paul Akouokou a lesionar-se nos primeiros minutos, o que levou Paulo Fonseca a lançar Alexandre Lacazette. No lance seguinte, Mikautadze apareceu em evidência no corredor esquerdo, tentou colocar a bola para Lacazette que, com tudo para fazer melhor, desviou ao lado (52′). Já com Joshua Zirkzee no lugar de Hojlund, o Lyon continuou mais perigoso e, depois de uma combinação entre Corentin Tolisso e Lacazette, o médio driblou Noussair Mazraoui e atirou para defesa de Onana (64′). Pouco depois, Mikautadze apareceu em zona de perigo a atirar contra Mazraoui e, no contra-ataque, Garnacho tentou servir Bruno Fernandes, mas o lance perdeu-se (70′).

Para a reta final da partida, Ruben Amorim lançou Mason Mount no lugar de Manuel Ugarte e baixou Bruno para o meio-campo. Na primeira jogada com a equipa refeita, o internacional português desferiu um grande passe para Dorgu, que tirou o cruzamento para Garnacho que, ao segundo poste, atirou para grande defesa de Perri (78′). Pouco depois entraram Kobbie Mainoo e Victor Lindelöf e, depois de mais uma jogada de Cherki, Lacazette atirou por cima (86′). Na resposta, Bruno Fernandes desferiu um grande passe para o segundo poste, onde Zirkzee apareceu a faturar de cabeça (88′).

Ainda assim, os franceses não desistiram do empate durante o tempo de compensação e, nos últimos segundos, foram coroados com o segundo golo. Depois de um remate rasteiro de Mikautadze da entrada da área, Onana voltou a borrar a pintura, defendeu para a frente, não reagiu e Cherki chegou mais rápido à bola, desviando de pronto para o 2-2 (90+5′). A segunda mão acontece dentro de uma semana.