A missão continua complicada. Na última semana, o Milan resgatou um importante ponto na receção à Fiorentina (2-2). Importante por todas as condicionantes no jogo, já que os rossoneri perdiam por dois golos ao cabo de apenas 10 minutos. Ainda assim, a equipa de Sérgio Conceição reagiu bem, empatou por Tammy Abraham e Luka Jovic e, no final da partida, acabou salvo pelo VAR, que anulou o golo do triunfo à viola. Para esta sexta-feira estava reservada mais uma importante partida da Serie A, frente à Udinese que, de certa forma, tratava-se de um rival direto dos milaneses, por estar bastante próxima na classificação — dois lugares e oito pontos abaixo.

Um pesadelo sem fim à vista: Milan ainda recuperou na receção à Fiorentina, mas Conceição soma terceiro jogo sem vencer

Com os resultados recentes, os três pontos tornavam-se praticamente obrigatórios para a equipa comandada por Conceição, que queria tentar uma aproximar aos lugares europeus, numa batalha que está cada vez mais difícil e perto de ficar resolvida. A caminhar para o impossível está a corrida à Liga dos Campeões que, no caso de se confirmar o cenário atual, resultará na primeira edição das últimas cinco sem o Milan. Para além disso, os rossoneri marcam presença nas competições da UEFA desde a temporada 2019/20, o que torna preocupante a conjuntura atual.

“É preciso ter a atitude da segunda parte desde o início, porque os jogos ganham-se do primeiro ao último minuto. É importante estar concentrado desde o primeiro minuto. Já falámos muito sobre isso entre nós, porque não é nada de novo esta época. Parece uma contradição, mas não ponho os jogadores em campo para os tirar ao intervalo. Penso no desenrolar dos jogos e depois tento gerir ou mudar para ajudar os jogadores. Com base nas sensações que tenho durante a semana, escolho o plano de jogo, que depois pode mudar, especialmente se estivermos a perder. O 4-4-2 é uma das formações que mais gosto. Joguei com ela durante muitos anos, mas ainda não estamos equilibrados e sólidos o suficiente para jogar com dois avançados, além de [Rafael] Leão e Theo [Hernández], que atacam muito. É possível ser ofensivo mesmo com um único avançado”, partilhou o português na antevisão.

Nos dias que antecederam este encontro, Conceição perdeu Kyle Walker, depois de o lateral ter fraturado o cotovelo num treino. Para além do internacional inglês, Santiago Giménez, Ruben Loftus-Cheek e Emerson Royal completam o boletim clínico, o que possibilitou o regresso de Álex Jiménez ao onze inicial, que surgiu com a defesa reforçada, assente no 3-4-3. À frente de Mike Maignan atuaram Fikayo Tomori, Matteo Gabbia e Strahinja Pavlovic, com Theo e Álex nas alas. No meio-campo, Tijjani Reijnders juntou-se a Youssouf Fofana e, no ataque, Leão, Jovic e Christian Pulisic foram as principais ameaças à baliza bianconeri. João Félix voltou a começar no banco.

O golo podia ter surgido logo na primeira ocasião da partida, com Reijnders a aproveitar um desentendimento de Jaka Bijol e Thomas Kristensen para rematar para uma grande defesa de Maduka Okoye (1′). Depois do bom início milanês, o jogo entrou numa toada de maior cautela e encaixe tático, e só na reta final do primeiro tempo a Udinese chegou à área da adversária, com Maignan a negar o golo a Lorenzo Lucca (34′). Pouco depois, Rafa Leão apareceu na partida e obrigou Okoye a aplicar-se (41′) e, no lance seguinte, Fofana entregou para o internacional português que, desde a entrada da área, desferiu um grande, cruzado e de primeira, para o golo inaugural (42′). A fechar a primeira metade, Pulisic cobrou um canto na esquerda e Pavlovic ganhou nas alturas, cabeceando para o 0-2 (45+1′).

Na etapa complementar, o Milan voltou a começar mas, nos primeiros minutos, perdeu o guarda-redes. Depois de um passe longo à procura de Lucca, Maignan saiu da baliza fora de tempo, falhando a bola e embatendo violentamente em Jiménez. O francês saiu do lance consciente, mas teve de ser substituído por Marco Sportiello (55′). Depois da alteração, o jogo entrou numa toada partida, com as duas equipas a chegarem com perigo à baliza adversária. Na ocasião de maior perigo, Lucca colocou em Arthur Atta dentro da área, médio recebeu e atirou de pé esquerdo, mas a bola saiu ao lado (61′). Na resposta, Reijnders abriu o livro, driblou um adversário na esquerda e, já dentro da área, tentou o remate em jeito, só que a bola saiu para fora (68′).

[Já saiu o quarto episódio de  “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo PodcastPlus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]

Na reta final do encontro, Sérgio Conceição lançou Abraham e Riccardo Sottil, por trocas com Luka Jovic e Álex Jiménez (73′). Pouco depois, Theo Hernández combinou com o avançado inglês e Leão na esquerda, arrancou em campo aberto e desferiu um remate fortíssimo para o terceiro golo, sentenciando a partida (74′). Tudo parecia fácil e, depois de nova transição rápida, Rafael Leão cruzou para Reijnders dilatar a vantagem, com o neerlandês a ter apenas de encostar em cima da linha (81′). No final ainda houve tempo para os “meninos” Davide Bartesaghi e Filippo Terracciano, com o treinador a gerir a condição física de Leão e Theo. Pulisic ainda fez o quinto, mas o lance acabou anulado por fora de jogo de Abraham (85′).

Com a maior vitória da era Conceição, o Milan colocou fim a uma série de três jogos consecutivos sem vencer e chegou aos 51 pontos no Campeonato italiano, sabendo de antemão que, nesta jornada, não vai sair do nono lugar. Para já, os lugares europeus estão a quatro pontos de distância e é garantido que os rossoneri vão ganhar pontos a um rival direto, já que Lazio e Roma se vão enfrentar. Na próxima ronda, a turma de Conceição vai receber a Atalanta.