Haverá presença nas meias-finais da Liga Europa. Era esta a única certeza à entrada para a segunda mão dos quartos de final da segunda prova do continente europeu. Afinal, o embate de maior cartaz colocava frente a frente o Manchester United, de Ruben Amorim, Diogo Dalot e Bruno Fernandes, e o Lyon, de Paulo Fonseca. Depois de uma partida intensa na primeira mão, apimentada pela troca de palavras entre André Onana e Nemanja Matic, o guarda-redes dos red devils acabou por não conseguir responder dentro de campo e ficou ligado, pela negativa, aos dois golos franceses, o último no tempo de compensação (2-2). Deste modo, os ingleses entraram em campo sem vencerem há quatro jogos, ao passo que os franceses somavam nove vitórias nos últimos 12 jogos.

Eles podem ser melhores, mas Onana quis mostrar que Matic tinha razão: United empata com Lyon no fim e com dois erros do guarda-redes

“Temos de melhorar todas as posições no campo. O guarda-redes é igual. Se a nossa equipa marcar mais golos e os nossos avançados forem melhores, defenderemos melhor. Por vezes, há uma época em que o desempenho é fraco. Vamos fazer essa avaliação para qualquer posição do plantel. Se estamos a falar de erros, podem ver o meu registo: é o pior da nossa equipa e também estou a ter um desempenho inferior. Penso que sou a pessoa certa para treinar a equipa e penso o mesmo em relação ao André [Onana]. Se estivermos na Liga dos Campeões, sabemos que teremos um orçamento melhor para apresentar uma equipa diferente na próxima temporada. Acho que é algo que vamos descobrir na próxima época”, partilhou Amorim numa conferência de imprensa de antevisão ao encontro bastante marcada pelo tema Onana.

“Entre o Milan, onde fui demitido a meio da temporada pela primeira vez na minha carreira, e o Lyon, não tive descanso. E não imaginam a pressão que é treinar o Milan! Se calhar devia de ter feito uma pausa depois do Milan, mas não quero arranjar desculpas. É muito difícil estar longe do relvado, longe dos jogadores e longe dos momentos importantes no balneário antes do jogo. Organizamos as coisas, mas é totalmente diferente viver esses momentos com os jogadores, poder motivá-los ao vivo e, sobretudo, poder atuar ao intervalo. Suspensão? Fortaleceu o grupo e a sua vontade de lutar. Uniu o balneário e as pessoas do clube também estão mais unidas. Tenho de pagar, mas tenho de pagar pelo que fiz: gritar na cara do árbitro. Ninguém pode dizer que fiz mais do que isso”, abordou, por sua vez, Fonseca.

Assim, confirmou-se o regresso de Onana à baliza, como tinha anunciado o antigo treinador do Sporting. Para o lugar do lesionado Joshua Zirkzee entrou Rasmus Hojland, ao passo que Dalot e Bruno mantiveram a titularidade. No emblema gaulês, Rayan Cherki, Georges Mikautadze e Thiago Almada continuaram na frente de ataque. Foi com uma longa tarja com a inscrição “Never gonna stop!” (“Nunca vais parar”), a lembrar as conquistas europeias do passado, e muito fogo de artifício que Old Trafford recebeu os protagonistas.

Os red devils tiveram uma entrada mais afirmativa no encontro e, depois uma jogada bem construída pela direita, colocaram-se em vantagem logo aos dez minutos. Noussair Mazraoui colocou em Bruno Fernandes na direita, o português deixou para Alejandro Garnacho que, depois de ultrapassar dois adversários, cruzou rasteiro para o coração da área, onde Manuel Ugarte apareceu completamente sozinho a finalizar para o golo (10′). Pouco depois, Corentin Tolisso perdeu a bola à entrada da área, Casemiro recuperou e tentou colocá-la no poste mais distante, mas Lucas Perri esticou-se e travou o remate (16′). A resposta surgiu de canto, com Paul Akouokou apareceu sozinho a cabecear, mas Onana defendeu para fora (22′).

A partir daí, o Lyon começou a crescer no jogo e, pouco depois, Ainsley Maitland-Niles apareceu sozinho ao segundo poste, mas o seu desvio foi por cima (30′). No lance seguinte, Cherki abriu o livro, conduziu da direita para o meio, ultrapassou quatro defesas e, à entrada da área, desferiu um remate colocado que obrigou Onana a mais uma defesa (32′). Foi através de um grande passe de Dalot para Bruno Fernandes que o Man. United voltou à carga, mas o fabuloso remate de primeira do capitão embateu em cheio na tave (36′). O médio português continuou à procura do golo e, logo a seguir, tentou de fora da área, novamente de primeira, mas a bola saiu a rasar o poste direito (37′). A fechar o primeiro tempo, Harry Maguire colocou a bola na frente, Diogo Dalot ganhou o duelo físico com Nicolás Tagliafico e, já dentro da área, desferiu um remate cruzado para o 2-0 (45+1′).

Ao intervalo, Amorim lançou o regressado Luke Shaw por troca com Mazraoui e, na primeira jogada de perigo, Garnacho passou por Clinton Mata e, com tudo para faturar, atirou contra Perri (51′). Na resposta, Tolisso apareceu a finalizar dentro da área, mas Onana voltou a negar o golo ao conjunto de Fonseca (55′), que lançou de imediato Tanner Tessmann e Alexandre Lacazette. Pouco depois, Dalot voltou a aparecer com perigo na área adversária, cruzou atrasado e, depois de dominar, Patrick Dorgu finalizou por cima (59′). Com o Man. United cada vez mais confortável, o técnico do Lyon voltou a mexer no ataque, com Malick Fofana a render Mikautadze (64′). Ainda assim, os franceses foram felizes numa altura em que estavam abaixo na partida: a bola viajou até à área, Moussa Niakhaté ganhou de cabeça, Lacazette também venceu o duelo nas alturas e assistiu Tolisso que, de cabeça, reduziu a desvantagem (71′).

Os gones aproveitam o ímpeto para pressionares os red devils e quase foram felizes logo a seguir, com Onana a colecionar mais uma defesa (76′). Depois do primeiro aviso, Fofana cruzou da esquerdo para o segundo poste, Maitland-Niles desviou de cabeça para o poste mais distante, onde Tagliafico apareceu a finalizar o golo do empate (78′). Com a eliminatória de novo empatada, Amorim voltou a recorrer ao banco para refrescar a equipa com Kobbie Mainoo e Mason Mount. Até ao apito final do tempo regulamentar, Tolisso viu o segundo amarelo por falta sobre Leny Yoro e deixou a sua equipa reduzida a 10 jogadores (89′). Na cobrança do livre, Bruno desferiu mais um remate complicado, praticamente sem ângulo, mas Perri estava atento (90+2′).

No prolongamento, o cansaço começou a apoderar dos jogadores e nem as entradas de Harry Amass e Christian Eriksen revitalizaram um Man. United que não fez notar a superioridade numérica. Bem pelo contrário. No último minuto do primeiro tempo, Fofana arrancou pela esquerda, conduziu até à área e acabou desarmado por Dalot. Contudo, a bola sobrou para Cherki que, à entrada da área, preparou o remate e colocou a bola fora do alcance de Onana (105′). Pouco depois, já na etapa final, Shaw derrubou Fofana dentro da área e, na cobrança, Lacazette enganou Onana e fez o 2-4 (110′). Os papéis inverteram-se e, depois de Almada ter carregado Casemiro em falta na sua área, Bruno não desperdiçou e relançou a partida e a eliminatória (114′). Pouco depois, o médio português encontrou Casemiro à entrada da área, o brasileiro entregou de pronto em Mainoo que, depois de simular o remate, atirou a contar para novo empate (120′). No culminar de uma noite épica, Casemiro voltou a cruzar para a área, Niakhate deixou a bola entrar ao segundo poste e, completamente sozinho, Maguire fez o 5-4 (120+1′).

Assim, com uma reviravolta épica com três golos em seis minutos, o Man. United está apurado para as meias-finais da Liga Europa quatro épocas depois. Segue-se o Athletic Bilbau, numa eliminatória em que os ingleses voltam a ter o fator casa na segunda mão.