A economia portuguesa cresceu 1,6% no primeiro trimestre de 2025, em termos homólogos, uma desaceleração face aos 2,8% (homólogos, revistos) do trimestre anterior. Na comparação em cadeia, ou seja, entre o primeiro trimestre de 2025 e o quarto trimestre de 2024, a economia desceu 0,5%, de acordo com a primeira estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) nesta sexta-feira. Os dados “surpreenderam pela negativa“, dizem economistas.

“O contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu no 1º trimestre, em resultado do abrandamento do consumo privado“, diz o INE a respeito da variação homóloga do produto económico nacional. Já “o contributo negativo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB foi mais acentuado, refletindo a desaceleração das exportações de bens e serviços”.

Na comparação em cadeia, o Produto Interno Bruto (PIB) teve uma variação negativa – 0,5% – depois de no quarto trimestre ter crescido 1,4% (também em cadeia, ou seja, em comparação com o terceiro trimestre). Relativamente a esta variação desfavorável registada em cadeia, o INE diz que “o contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB foi negativo enquanto a procura interna registou um contributo nulo, após terem sido positivos no trimestre anterior”.

O desempenho negativo da economia portuguesa, em cadeia, é o primeiro a registar-se desde o terceiro trimestre de 2023, quando o PIB desceu 0,1% em relação ao trimestre anterior.

FONTE: Instituto Nacional de Estatística

Economistas, surpreendidos “pela negativa”, apontam “fatores pontuais”

“O comportamento do PIB no primeiro trimestre de 2025 surpreendeu pela negativa“, diz a equipa de economistas do BPI, em nota de análise divulgada após a publicação feita pelo INE. Ainda assim, os economistas salientam que pode haver “fatores pontuais” a justificar os valores dececionantes.

Os comportamentos de diversos indicadores disponíveis até fevereiro não sugeriam contração do PIB em cadeia. No consumo, embora os levantamentos e compras realizadas com cartões apresentassem uma queda, indicadores mais globais como as vendas a retalho deflacionadas e vendas de automóveis sugeriam que o consumo se mantinha robusto”, reconhecem os economistas.

Para o BPI, “este movimento refletirá sobretudo uma correção do forte crescimento observado no quarto trimestre de 2024 e que terá estado associado a fatores pontuais, como foi o caso do aumento do rendimento das famílias e das pensões, resultantes das alterações ao IRS com efeitos retroativos ao início de 2024 e ao pagamento do suplemento extraordinário de pensão em outubro de 2024″, afirma o BPI.

Se olharmos para os dois últimos trimestres (4T 24 e 1T 25) conjuntamente – reduzindo a volatilidade própria de uma economia de pequena dimensão e com elevado grau de abertura ao exterior – temos que em termos médios o crescimento em cadeia se situou em 0,45%”, acrescenta a análise económica do BPI.

Olhando para a frente, o BPI admite que o dado do PIB divulgado nesta sexta-feira aumenta a probabilidade de que a projeção de crescimento de 2025 seja revista em baixa.

No entanto, é muito possível que o crescimento trimestral em 2025 se revele muito volátil, com movimentos ascendentes e descendentes que pouco refletirão o comportamento real da economia, colocando desafios à amplitude da revisão que iremos realizar. Note-se que o mercado de trabalho continua robusto e que os salários continuam a refletir a resiliência deste mercado; Portugal continua a beneficiar dos fundos europeus, não se excluindo a possibilidade de aceleração na sua execução na medida em que nos aproximamos do final do NG EU (2026); a assinatura de diversos contratos de investimento e a redução dos custos de financiamento”.

O INE também informou que fez uma revisão dos dados que tinham sido divulgados no trimestre passado, devido à “incorporação de nova informação primária (…) nomeadamente no que se refere ao comércio internacional de bens relativo ao 4º trimestre de 2024”. Assim, houve uma revisão em baixa de 0,1 pontos percentuais nas taxas de variação homóloga e em cadeia.

Os dados divulgados nesta sexta-feira pelo INE, as chamadas Contas Nacionais Trimestrais, são apenas uma primeira estimativa acerca do desempenho da economia no primeiro trimestre. A publicação estava originalmente prevista para a última quarta-feira, mas foi adiada para esta sexta-feira devido ao impacto do “apagão” elétrico de segunda-feira.

A segunda estimativa do PIB, com dados mais detalhados, será publicada a 30 de maio.

PIB da zona euro cresce 1,2% no 1.º trimestre e da UE 1,4%