A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, afirmou que está “disponível para criar consensos, não apenas à esquerda”, mas deixou claro que nunca viabilizará uma solução governativa que inclua o Chega, partido que “mentiu aos portugueses” e tem uma agenda de “discriminação, xenofobia e racismo”.

“Que fique claro que o PAN jamais viabilizará uma solução governativa que inclua um partido que para além de ter uma agenda de extrema-direita, uma agenda de discriminação, xenofobia e racismo, tem enganado os portugueses. Tem capturado o sentimento de indignação e de insatisfação dos portugueses para seu proveito eleitoral”, disse Inês Sousa Real.

Na Maia, no distrito do Porto, onde visitou esta terça-feira de manhã duas associações de proteção animal (Cantinho dos Tarecos e CãoViver), Inês Sousa Real foi questionada sobre possíveis consensos para viabilizar o próximo Governo, nomeadamente se está disponível para o desafio lançado pelo Livre de “compromisso histórico” à esquerda.

“Sabemos que o diálogo tem que acontecer com todas as forças políticas do campo democrático que estejam em condições de formar maiorias ou de estabelecer a governação”, respondeu, antes de indicar “uma das principais diferenças” entre o PAN e o Livre. “Nós não temos dialogado apenas com os governos de esquerda, mas também com os de direita. E temos sido a força política que tem conseguido fazer avanços ao longo destas duas legislaturas. Mesmo com uma deputada única temos feito mais aprovações do que qualquer outra força política”, indicou, em declarações à RTP.

Sem concretizar sobre com que partidos está disposta a fazer consensos, Inês Sousa Real foi perentória sobre o Chega: “Não fizeram nenhum trabalho útil na Assembleia da República. O PAN, com uma deputada única, trabalhou mais e teve mais aprovações que o Chega. E mentiu aos portugueses porque vem falar de combate à corrupção e combate à bandidagem, depois tem uma bancada que problemas com a justiça e questões bastante graves até”, referiu.

Inês Sousa Real recordou, ainda, o “muito polémico” caso das malas e outros que, disse, “indignam os portugueses”. “O caso das malas foi muito polémico, mas não podemos ignorar os alegados casos de pedofilia, de abuso sexual de menores, questões que indignam os portugueses. Cada voto no Chega é estar a dar dinheiro para que façam apenas mais barulho e não trabalhem em prol da vida das pessoas”, afirmou.

Apelando ao voto no PAN no distrito o Porto, para que seja eleito um deputado que permita ao partido ter um grupo parlamentar que permita “exigir do Governo mudanças” e possa, disse, “representar as diferentes sensibilidades do país”, a líder do PAN referiu que este partido “tem sido uma força política muito útil na Assembleia da República” porque “está próximo das causas que representa e das preocupações dos portugueses”.

“Sabemos que qualquer solução que passe com o contributo do PAN após o dia 18 de maio será uma agenda distinta da de que até aqui tem sido. Somos a única força política que traz a causa animal para o Parlamento e para a campanha. Enquanto os outros partidos prometem e falam em campanha eleitoral, nós temos aprovado medidas concretas para a habitação, no combate à violência doméstica”, salientou.

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Aproveitando a visita às associações de proteção animal, Inês Sousa Real lembrou que o PAN defende a criação de “um SNS animal que garanta mais apoio às associações e às famílias que têm animais de companhia” e que seja financiado com as verbas que são atribuídas às touradas.

“O Estado tem de dar este passo e criar o SNS Animal e baixar o IVA da saúde animal. Não podemos ter uma sociedade em que o Governo opta por apoiar as touradas, dar mais de 18 milhões de euros para a tauromaquia e baixar o IVA das touradas, mas depois vira as costas às famílias que têm animais de companhia”, declarou Inês Sousa Real.

Em declarações à RTP, a porta-voz do PAN deixou ainda um recado: “Temos no Orçamento do Estado para 2025 a maior verba de sempre, 14 milhões de euros, para a proteção animal, que o Governo ainda não executou e que é urgente executar.”

PAN diz que encontros de históricos do PSD é “regresso ao passado”

Inês Sousa Real considerou também que o almoço de aniversário do PSD, em que participarão ex-líderes como Passos Coelho e Cavaco Silva, parece “um regresso ao passado” num momento em que o país precisa de “olhos no futuro”.

“Parece-nos que é um regresso ao passado, em vez de termos os olhos no futuro. Vamos enfrentar num futuro muito próximo temáticas e matérias como a igualdade de género que continuam por cumprir, seja no que diz respeito à violência doméstica, seja na participação na vida política, e esse encontro de históricos só se faz no masculino mais uma vez”, referiu. Contudo, a ex-presidente do PSD Manuela Ferreira Leite, a primeira mulher a presidir a um partido político com representação parlamentar em Portugal, é uma das presenças anunciadas para o almoço.

Para Inês Sousa Real, “é hora de ter os olhos no futuro e não apenas no passado”. “Queremos ter uma agenda com as questões e os desafios do presente”, concluiu.