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Só passou um ano, mas as circunstâncias levaram os partidos a fazer algumas adaptações as metas eleitorais. Para alguns há mais ambição, outros esfriaram o entusiasmo. Uns têm os pés mais assentes na terra, outros vivem na terra dos sonhos. Começando pelos dois maiores partidos, Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos têm, no mínimo, de conseguir ficar à frente do adversário. Vencer as eleições é o bilhete dourado que permite ser primeiro-ministro e, muito provavelmente, acelerar a queda do adversário mais direto. Para vencerem de forma épica teriam não só de ganhar as eleições, mas conseguir obter uma maioria na sua área política (no caso do PSD, excluindo o Chega).
O Chega já poderia cantar vitória se mantivesse os 50 deputados atuais, mas a ambição de André Ventura leva-o a acreditar que pode ficar em primeiro lugar. No entanto, já seria épico ficar à frente de PS ou PSD. No caso da IL, o grande objetivo é crescer e fazer parte de uma solução de governação. Quanto ao Bloco de Esquerda já ficaria muito satisfeito se conseguisse somar a eleição dos três fundadores que candidata como cabeças de lista aos cinco deputados que tem atualmente. O PCP deseja recuperar pelo menos um deputado em antigos bastiões. Quanto ao Livre, espreita a um enfraquecimento de BE e PCP para se afirmar como partido maior à esquerda do PS. Por fim, o PAN de Sousa Real deseja um grupo parlamentar, mas se mantiver a representação parlamentar, no atual contexto, já poderia ser visto como uma vitória.
PSD. O desejo de governar com maioria à direita (sem o Chega)
Derrota: Ficar atrás do PS
Mínimo olímpico: Manter o mesmo número de deputados
Vitória épica: Conseguir maioria com a Iniciativa Liberal
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Num momento muito inicial, os estudos de opinião assustaram. A popularidade de Luís Montenegro — o grande ativo da AD — derrapou e sondagens houve em que Pedro Nuno Santos aparecia mesmo à frente nas intenções de voto. As coisas foram normalizando ao ponto de ninguém, nem mesmo os mais pessimistas ou prudentes, acredite noutro cenário que não o da vitória. Uma derrota seria uma absoluta catástrofe para a coligação e atiraria novamente o PSD para o divã: o que fazer com o Chega e uma possível maioria de direita. Atendendo à evolução das intenções de voto, sustentada pela conjugação das diferentes sondagens, é uma fantasma que parece exorcizado em definitivo.
Resta saber, por isso, a verdadeira dimensão da vitória. Pelo menos, segundo as contas que se vão fazendo na caravana da AD, naturalmente. Por esta altura, já poucos escondem que seria uma enorme deceção manter o mesmo número de deputados e a mesma correlação de forças no Parlamento — e ficar refém, portanto, dos humores de Pedro Nuno Santos e André Ventura. Mesmo cumprido o mínimo olímpico — a vitória —, Montenegro continuaria a governar num cenário de grande fragilidade e potencial instabilidade.
Tudo somado, a vitória épica para Montenegro seria um resultado que permitisse à AD ser praticamente autossuficiente no Parlamento — a tal “maioria maior” que tem pedido o líder do PSD — ou ficar muito, muito perto disso. Se a soma de deputados da AD e da IL permitisse, pelo menos, ficar à frente do conjunto das esquerdas já seria um passo muito importante. Nesse caso, uma aliança com a IL resolveria facilmente o problema dos sociais-democratas. Mas virá sempre com uma fatura e é também nesse campeonato que se vai jogando sem forçar muito o apelo ao voto útil à direita — não para já, pelo menos. Quanto mais deputados conseguir Luís Montenegro, mais fácil será negociar um acordo — parlamentar ou de Governo — com Rui Rocha. A reta final de campanha pode trazer uma caça ao voto liberal.
PS. Mais um voto que a AD e sonhar com a geringonça
Derrota: ter o mesmo que nas últimas legislativas
Mínimo olímpico: ter mais um voto do que a AD
Vitória épica: ficar à frente da AD e com maioria de esquerda no Parlamento
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Há um ano, Pedro Nuno Santos ficou a 50 mil votos da AD e nem quis esperar pelo fim da noite para perceber o desenho final do Parlamento que tomaria posse. Assumiu logo a derrota com uma inesperada leveza, afinal não tinha sido tão mau como as sondagens apontavam nem tão desastroso como poderia, tendo em conta que o PS estava a sair do Governo debaixo da operação Influencer. Também não teria de ser ele aguentar um Governo num Parlamento dividido como nunca. Mas um resultado de igual dimensão seria difícil de maquilhar desta vez. Seria a segunda derrota eleitoral numa legislativas para Pedro Nuno, que tem evitado dizer se sai da liderança nesse cenário. Tanto no seu círculo mais próximo, como entre quem faz marcação interna à sua liderança — como José Luís Carneiro — vai-se defendendo a necessidade de, aconteça o que acontecer, é preciso manter a “estabilidade” do “processo eleitoral autárquico”. Isto pode querer dizer que, em caso de derrota, Pedro Nuno teria caminho para ainda fazer as autárquicas como líder. Mas o tamanho de uma eventual derrota pode ser decisivo. E se a isto se juntasse uma maioria AD e IL, será que o líder do PS passaria da noite de 18 de maio? E em que condições para liderar uma campanha autárquica onde o PS joga a hegemonia?
O máximo que deseja para esta legislativas, ficar à frente da AD, pode bem ser o mínimo ser aceitável para Pedro Nuno Santos nesta segunda vez que se candidata a legislativas. Sobretudo no contexto Spinumviva e, à boleia disso, a pressão direta que o socialista tem colocado sobre o perfil ético do primeiro-ministro. Na sua entourage vai-se garantindo que a repetição do resultado de 2024 não seria uma desgraça, mas uma derrota é sempre uma derrota e uma segunda derrota alimentaria a ideia de um líder incapaz de chegar lá, espicaçando a impaciência partidária. Assim, ter mais um voto que a AD não é um cenário de sonho — o de Pedro Nuno será outro (ler em baixo) –, mas daria uma saída ao socialista. Ainda que a médio prazo pudesse revelar-se ser curto para governar, com a direita conseguir uma maioria para garantir estabilidade (a “geringonça” de 2015 ao contrário).
Quanto à vitória épica, o sonho de Pedro Nuno Santos não é segredo nenhum, embora ande mais escondido: ser ele a liderar uma maioria parlamentar de esquerda. Entre 2015 e 2019, Pedro Nuno Santos coordenou no Parlamento a “geringonça” de António Costa e nunca ocultou que era a solução governativa que preferia. Mas entretanto veio a necessidade de ganhar eleições à AD e, com isso, a urgência em moderar a imagem de radical que vinha desse passado (e não só) e os namoricos com a esquerda passaram para terceiro plano. A oposição à direita até já lhe chama “máscara”, como quem diz que o socialista só está à espera de um resultado eleitoral minimamente favorável para voltar a essa solução. Máscara ou não, o desejo de Pedro Nuno estará lá.
Chega. Segurar o pódio e apontar ao segundo lugar
Derrota: perder deputados
Mínimo olímpico: manter a bancada parlamentar
Vitória épica: ficar em segundo lugar
ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Depois de uma subida exponencial nas últimas eleições legislativas, o Chega tem o objetivo de se manter na piscina dos grandes, próximo de PS e PSD e numa posição que permita André Ventura continuar a sonhar com voos maiores (leia-se, ser primeiro-ministro um dia). Para isso há um mínimo para o Chega: não desperdiçar o caminho que fez até agora e não perder elementos na bancada de 50 deputados que conseguiu há um ano. A missão é difícil, tendo em conta que se tem atribuído o crescimento abrupto do partido em 2024 à diminuição da abstenção. Se assim for, o Chega tem de ter a capacidade de voltar a convencer as pessoas a sair do sofá para votar num partido que passou por desafios no último ano, com semanas afundado em casos e casinhos que foram diretamente ao coração do Chega. Ainda que perder deputados seja sempre uma derrota para qualquer partido, no caso de Ventura torna-se ainda mais dramático, tendo em conta que se assume como candidato à vitória. No entanto, num controlo de danos antecipado, o presidente do Chega tem feito questão de assegurar que não faz política para resultados eleitorais — o que deixa já o discurso pronto para uma noite mal conseguida.
Manter a bancada não só é uma prova de que os 50 deputados não foram fruto de circunstâncias em que os astros do Chega se alinharam, como é um sinal claro de que o discurso de André Ventura foi aceite porque uma parte considerável dos portugueses e deixou de ser apenas um escape para descontentes. É o mínimo olímpico para um partido que sonha com o olimpo da política portuguesa, para alguém que ambicionou o fim da bipolarização e que fez história ao tornar-se o partido com mais parlamentares sentados na Assembleia da República além dos dois grandes. Se Ventura mantiver a bancada pode até não cantar vitória, mas não terá motivos para assumir uma derrota.
Nesta altura do campeonato, uma vitória épica para André Ventura seria obviamente a vitória eleitoral que tanto clama. Mas, tendo em conta a dimensão do partido e as últimas sondagens, já seria impressionante que o Chega se tornasse o segundo partido mais votado. Com uma distância de deputados mais curta para PS e PSD do que para os partidos abaixo do Chega, Ventura já só olha para cima, embalado por exemplos internacionais onde a direita radical até venceu eleições. Em Portugal, alcançar o segundo lugar, fosse à frente de quem fosse, seria uma verdadeira vitória. Mais do que isso, num cenário em que PS ficasse em primeiro lugar e Chega em segundo (partindo do princípio que tem mais capacidade de roubar votos à direita), Ventura seria o responsável pelas negociações, crente de que há pessoas no PSD (não no de Luís Montenegro, as tais “forças vivas”) que não virariam a cara ao Chega. Com ou sem capacidade de influenciar a governação, que tem sido o grande calcanhar de Aquiles de Ventura, o segundo lugar permitiria ainda dar seguimento a uma história de crescimento em legislativas — de um, em 2019, para 12 deputados, em 2022, e daqui para 50, em 2024.
IL. A subida e a presença num futuro Governo
Derrota: diminuir ou manter o número de deputados e não ter influência na formação do próximo Governo
Mínimo olímpico: crescer ligeiramente em número de deputados
Vitória épica: crescer e entrar num Governo com a AD
TIAGO PETINGA/LUSA
O objetivo dos liberais está definido e passa por reescrever a história. Especificamente, a história da noite de 10 de março de 2024, data das últimas legislativas. Nesse dia, Rui Rocha recebia um veredito agridoce sobre a sua primeira campanha enquanto líder: a IL mantinha os seus oito deputados – nem mais, nem menos – e obtinha 4,94% dos votos, apenas mais três centésimas do que em 2022 (embora somasse quase mais 50 mil votos). Não sendo uma derrota, o resultado era curto e acabaria por significar que a ambição de contribuir para a formação de um Governo de direita ficava pelo caminho.
Ora, depois de duas curtas legislaturas com o mesmo número de deputados, o objetivo agora é mesmo fazer melhor – ainda que seja anunciado com mais cautela. Em 2024, Rocha assumia uma fasquia clara e ambiciosa: queria subir pelo menos de oito para 12 deputados, um crescimento de 50% na sua bancada. Desta vez, recorre apenas ao clássico “crescer”, sem números definidos – pelo menos para já – que possam voltar para assombrá-lo na noite eleitoral.
Mas o sucesso da IL na noite de 18 de maio não dependerá apenas dos próprios liberais: as sondagens alimentam a expectativa de que AD e IL possam mesmo conseguir formar uma maioria, ou pelo menos um bloco superior ao da esquerda, que lhes assegure que conseguem assegurar a formação de um Governo de direita. A IL assume-o – Rui Rocha até já apontou o nome de Carlos Guimarães Pinto como um possível ministeriável – sendo certo que, se não tiver uma força significativa a nível de votos e deputados, ficará mais complicada a sua missão de influenciar decisivamente o programa da AD, “acelerando” (slogan de campanha) a redução de impostos ou o crescimento económico e evitando o rótulo de “muleta” de Luís Montenegro.
Para já, os estudos de opinião são favoráveis: em média, os liberais conseguem uns 7,20% bem mais simpáticos do que os 4,94% das últimas eleições; nos últimos estudos, têm rondado números entre os 6% e os 8%. Seriam boas notícias, sendo certo que o resultado terá de ser sempre lido em conjunto com a AD para perceber se de uma noite satisfatória a IL consegue passar a uma vitória épica e dar o salto para se tornar um partido do arco da governação. O esforço por se apresentar como um partido moderado, responsável e confiável vai nesse sentido.
BE. A ajuda dos pais para voltar a crescer
Derrota: diminuir a representação parlamentar
Mínimo olímpico: manter os cinco deputados eleitos em 2024
Vitória épica: Eleger os três fundadores e aumentar grupo parlamentar para oito
ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Pondo de pernas para o ar a ideia de que o bom filho a casa torna, o Bloco de Esquerda pediu o regresso dos pais fundadores para tentar voltar a crescer. Fernando Rosas, Luís Fazenda e Francisco Louçã foram estrategicamente escolhidos como cabeças de lista onde o partido esteve mais perto de eleger o ano passado – Leiria, Aveiro e Braga, respetivamente – na expectativa de que os fundadores consigam dar o empurrão final nestes três círculos eleitorais.
Depois de, em 2022, o eleitorado ter penalizado os parceiros do PS na geringonça pelo chumbo do Orçamento de Estado, as eleições marcadas na sequência da queda da maioria de António Costa apresentavam-se como uma hipótese de os bloquistas rapidamente recuperarem assentos no Parlamento. Com o surgimento de uma larga maioria à direita, o Bloco teve de se consolar com o facto de não ter perdido deputados e continuar a ser o maior partido à esquerda dos socialistas.
Entretanto, em pouco mais de um ano, a relação de proximidade entre Mariana Mortágua e Pedro Nuno Santos parece mais longínqua: se, em 2024, a coordenadora nacional do BE defendia a estabilidade de uma solução de maioria partida à esquerda, em 2025, sem rejeitar consensos, passou a ser mais dura nas críticas aos socialistas.
A preocupação do Bloco para já não é conseguir uma maioria de esquerda, mas fazer crescer a sua bancada. Os mínimos passariam por manter o número de deputados e, no melhor dos cenários, ter os seus três fundadores para aumentar o grupo parlamentar para oito. Dentro desse cenário, uma vitória épica seria mesmo voltar a ter influência num Governo de esquerda. Ou seja: fazer parte de uma nova geringonça.
Em caso de derrota, não se espera que o lugar da líder do partido seja contestado internamente. Questionada sobre o assunto no debate das rádios desta segunda-feira, Mortágua não se quis comprometer e falou vagamente das suas expectativas: “Não acho que vou ter um pior resultado. Acho que vou ter um melhor resultado e estou a trabalhar para isso.” O que seria verdadeiramente catastrófico para o Bloco de Esquerda, seria perder deputados na sua já curta bancada ou ser ultrapassado pelo Livre ou PCP.
PCP. Recuperar um bastião
Derrota: perder (ainda mais) representação parlamentar
Mínimo Olímpico: manter os quatro deputados eleitos
Vitória Épica: maioria de esquerda no Parlamento e reconquistar um antigo bastião perdido (Évora ou Beja)
MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Em 2022 foi Évora e Santarém — nas eleições que deram a maioria absoluta a António Costa. Em 2024 foi Beja — nas eleições que confirmaram a viragem do país à direita e deram a vitória a Luís Montenegro.
O PCP chega às eleições de maio de 2025 (data que o próprio Paulo Raimundo já confundiu em comícios com março de 2024) a ter pouco a perder e a precisar – desesperadamente – de mudar o rumo.
Entre os cabeças de lista que os comunistas trazem a estas eleições há um que se destaca: Bernardino Soares. É a terceira vida para o dirigente do PCP, que depois de perder a Câmara Municipal de Loures, tentou ser eleito por Santarém apenas há um ano e agora tenta sarar a última ferida comunista e voltar a eleger por Beja (precisaria, tendo presentes cálculos de 2024, apenas de convencer mais 1320 eleitores), apesar de as sondagens não serem as mais otimistas.
Nas últimas eleições, os comunistas elegeram menos de uma mão cheia de deputados: Alfredo Maia pelo Porto, Paulo Raimundo e António Filipe por Lisboa e Paula Santos por Setúbal. O secretário-geral do PCP tem emergido como o principal trunfo do partido, depois de surpreender nos debates nas televisões. Agora, na segunda vez que vai a votos, parece estar mais distante do que nunca do PS de Pedro Nuno Santos.
Em entrevista ao Observador, Raimundo chegou a confessar ter decidido não falar mais sobre o PS, para que a conversa sobre o PCP não seja reduzida à vontade de pertencer ou não a uma nova ‘geringonça’. E reconheceu que os partidos à esquerda, entre os quais o próprio Partido Comunista Português, têm responsabilidades na viragem do país à direita.
Livre. Rui Tavares quer ter “muitas papoilas nos boletins de voto”
Derrota: perder deputados
Mínimo olímpico: aumentar o grupo parlamentar
Vitória épica: ultrapassar o Bloco de Esquerda e a CDU
FERNANDO VELUDO/LUSA
Depois de umas eleições legislativas em que deixou de estar sozinho na Assembleia da República, Rui Tavares não tem escondido que ambiciona continuar a aumentar o grupo parlamentar do Livre (que atualmente é composto por quatro deputados). Contudo, mantém o sigilo e não avança com números, apenas admitindo que quer “muitas papoilas nos boletins de voto”. A referência às papoilas é uma menção ao símbolo do partido.
“Nós queremos fazer crescer o grupo parlamentar, queremos representar distritos que antes não representávamos e isso é muito importante porque representa a chegada à maturidade de um projeto, que é um projeto de esquerda verde europeia de que muita gente sente falta”, disse Rui Tavares durante uma ação em Cascais no primeiro dia de campanha eleitoral, segundo a agência Lusa. Face aos objetivos que foram traçados, depreende-se que manter ou perder um dos quatro deputados conquistados no ano passado será encarado como uma derrota. Em sentido inverso, eleger pelo menos um deputado número será o mínimo olímpico.
Além de sentar no Parlamento mais do que quatro deputados, o Livre teria uma vitória ‘maior’ nas eleições legislativas se conseguisse ultrapassar dois históricos da política portuguesa, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português. As sondagens que têm sido publicadas na imprensa nos últimos tempos apontam para essa possibilidade. No Radar das Sondagens do Observador, que mostra a estimativa de cada partido tendo em conta as sondagens divulgadas nos órgãos de comunicação social, o Livre surge como a quinta força política (depois de AD, PS, Chega e Iniciativa Liberal e com 3.71% dos votos), deixando para trás a CDU (3.40%) e o BE (1.72%).
PAN e a ambição (repetida) de recuperar o grupo parlamentar que outrora teve
Derrota: deixar de estar no Parlamento
Mínimo olímpico: manter Inês Sousa Real como deputada única
Vitória épica: ter um grupo parlamentar superior ao conquistado por André Silva
FILIPE AMORIM/LUSA
O maior número de votos que o PAN angariou nas legislativas de 2024 não se traduziu num aumento de mandatos. Inês Sousa Real manteve-se como deputada única, falhando o objetivo principal de recuperar o grupo parlamentar perdido nas eleições de 2022. Ainda assim, a porta-voz do partido das causas de proteção animal e da defesa do ambiente rejeitou que se tratasse de uma “derrota pessoal” e escolheu olhar para o resultado pelo lado positivo, o do crescimento. “Saio daqui com muito orgulho, sabendo que crescemos em todo o país. Este é o nosso melhor resultado”, afirmou, no rescaldo da noite eleitoral.
A meta que não foi alcançada em 2024 é a mesma para estas legislativas. O foco do PAN está em voltar a ter o grupo parlamentar que conquistou em 2019, quando era liderado por André Silva (que entretanto se desvinculou do partido) e conseguiu eleger quatro deputados, que perdeu dois anos depois. Nessa altura, voltou à representação única, que mantém, mas Inês Sousa Real não esconde a importância de deixar de estar sozinha no Parlamento. “Parto para estas eleições com a legitimidade de pedir aos portugueses que nos dêem a força de um grupo parlamentar, o tal segundo deputado que fará a diferença”, tem dito a líder do PAN em entrevistas recentes, como a que deu ao Observador em abril.
Desta forma, entende-se que uma derrota para o partido seria não conseguir manter-se na Assembleia da República. Não desaparecer e manter Inês Sousa Real como deputada única, tal como aconteceu em 2024, é o mínimo que o PAN pode almejar. Conquistar um número dois na Assembleia da República já seria uma vitória, mas ultrapassar os quatro deputados que há seis anos elegeu (e entretanto perdeu) seria uma conquista maior, sem margem para dúvidas.