Todos os caminhos foram dando à Feira de Espinho. A caravana da AD cruzou-se, esta segunda-feira de manhã, com a comitiva do PS e pelo local andavam também elementos do Chega (Pedro Frazão tinha uma banquinha à porta), elementos do ADN (que no ano passado roubos votos preciosos à AD) e, grande surpresa, Gonçalo da Câmara Pereira, do PPM, que assistiu ao cortejo de Luís Montenegro a poucos metros de distância. Os dois não tiveram oportunidade de se cumprimentar.
No final de uma incursão caótica pela Feira de Espinho — mal se podia andar no corredor central e na bolha que rodeava o primeiro-ministro —, Montenegro acedeu falar aos jornalistas para voltar a deixar uma mensagem que o tem acompanhado ao logo dos últimos dias: apesar da forte mobilização evidente, das enchentes a cada comício e das arruadas muito bem compostas, “as eleições não estão decididas”.
Mas seria uma questão da SIC a irritar o líder social-democrata. À pergunta sobre se estava arrependido por não se ter desvinculado mais cedo da Spinumviva (afinal, a caravana estava em Espinho), Montenegro foi particularmente cáustico. “O senhor não tem mais nenhuma pergunta para me fazer? A RTP está empenhadíssima…”, começou por atirar Montenegro.
Assim que foi corrigido — fora a SIC e não a RTP a fazer a pergunta —, Montenegro ainda insistiu. “O microfone da RTP é que tem sido insistente… Não sei, querem continuar a fazer as mesmas perguntas que faziam há dois e três meses?”, desafiou o social-democrata, resumindo tudo a “manobras de diversão” que só servem para “distrair os portugueses”.
[Leão XIV é um progressista ou um conservador? No podcast “A História do Dia“, só precisa de 15 minutos para ficar bem informado. Conversamos com os jornalistas da redação do Observador e com especialistas para lhe explicar tudo sobre a história mais importante do dia. E ainda lhe damos um resumo rápido das notícias que tem mesmo de saber. Pode ouvir aqui, na Apple Podcasts, no Spotify ou no Youtube Music]
Recorde-se que no final de fevereiro, quando o caso Spinumviva começou a ganhar proporções mais graves, o Observador escreveu sobre o desconforto que ia existindo no Governo em relação aos media. No Governo, existia a convicção de que algumas empresas ligadas ao setor, a atravessar francas dificuldades, alimentavam expectativas de vir a ter um tratamento de favor por parte do novo Executivo — sobretudo em matéria de concessão de apoios e de ajudas nas dívidas acumuladas. Essas mesmas empresas teriam ficado frustradas com os ‘nãos’ que foram ouvindo e estariam a retaliar.
Havia também a frente de batalha aberta com a RTP, a quem o Executivo quis retirar os 7 milhões de euros anuais em publicidade até ser travado pela oposição no Parlamento, o que, suspeitava-se no Executivo, contribuíra para uma atitude editorial mais hostil por parte do canal público. Houve depois um esforço concertado a partir do Governo para desmentir a existência deste desconforto.
Montenegro responderia ainda a Rui Rocha, que, este domingo, revelou terem existido múltiplas pressões por parte do PSD para que entrasse numa coligação pré-eleitoral. Sem desmentir, Montenegro chutou para canto. “As conversas com os partidos existem e vão existir sempre. Não é meu hábito distrair portugueses com mexericos políticos.”
Flirt tenso entre Montenegro e Rocha deixa Melo cada vez mais só