Quando dois gigantes se juntam, a ideia que surge imediatamente é a do início de uma parceria de grande sucesso. Podia ser este o caso de Novak Djokovic e Andy Murray que, depois de rivalizarem dentro dos courts, uniram-se no final do ano passado. Contudo, ao contrário do que se esperava, a parceria entre o sérvio e o britânico não correu da melhor forma e chegou ao fim esta terça-feira, menos de seis meses depois de se terem juntado. Esta decisão surge numa das alturas mais cruciais da temporada, já que, dentro de duas semanas, Djokovic vai disputar o segundo Grand Slam do ano: Roland Garros, que começa a 25 de maio e termina a 8 de junho.

Djokovic contrata Murray para a sua equipa técnica

“Obrigado, treinador Andy, por todo o trabalho árduo, diversão e apoio nos últimos seis meses, dentro e fora do court. Gostei muito de fortalecer a nossa amizade juntos”, partilhou Nole através das redes sociais, numa curta mensagem que surgiu acompanhada de uma fotografia de ambos, aquando do seu primeiro encontro, em Melbourne. “Obrigado a Novak pela incrível oportunidade de trabalharmos juntos, e obrigado à sua equipa pelo duro trabalho nestes seis meses”, respondeu o escocês. De recordar que a parceria entre dois dos eternos Big Four começou depois de Andy Murray ter pendurado a raquete no final dos Jogos Olímpicos de Paris, em agosto do ano passado.

Olhando aos resultados, a parceria entre Djokovic e Murray não vai perdurar na memória dos fãs, já que os resultados ficaram aquém do que se esperava. O primeiro tira-teimas foi, desde logo, o Open da Austrália, Grand Slam no qual Nole chegou às meias-finais, antes de abandonar o encontro com Alexander Zverev por problemas físicos. A união continuou daí em diante, mas os resultados continuaram sem aparecer e o sérvio continua à procura do seu 100.º título da carreira. Na terra batida, Djokovic caiu nas estreias nos Masters de Monte Carlo e de Madrid, e abdicou de participar no Masters de Roma, depois de ter sido visto a treinar com uma proteção no joelho direito, o mesmo que teve de operar no ano passado, depois de desistir nos quartos de final de Roland Garros.

“Ir buscar o Murray foi muito sábio por parte do Djokovic”. Open da Austrália vai começar e gira à volta de uma parceria improvável

Para além desses resultados, o sérvio disputou apenas uma final em 2025: no Masters de Miami, frente a Jakub Mensik (perdeu por 2-0). No total contam-se quatro eliminações em sete possíveis na partida inaugural. Para já, antes de rumar ao Major de França, Djokovic tem pela frente o ATP 250 de Genebra, tendo aceitado o convite da organização para estar na Suíça na semana que antecede Roland Garros. O torneio começa este sábado e termina no dia 24, e vai servir para o sérvio ganhar “rodagem” e confiança dentro do court, numa altura em que se especula se esta é a sua última temporada como profissional. Em Genebra, Nole é o segundo mais bem cotado do ranking ATP (sexto), apenas atrás de Taylor Fritz (quarto). Casper Ruud (15.º), Grigor Dimitrov (16.º) e Tomás Machác (20.º) fecham o lote do top 20, num torneio que conta com o português Nuno Borges (41.º).

Prestes a cumprir 38 anos – acontecerá a 22 de maio –, Novak Djokovic continua em busca do 25.º título de Grand Slam, o que lhe permitiria desempatar com Margaret Court e tornar-se no tenista com mais títulos da história, bem como no mágico número 100. Na era aberta, apenas Roger Federer (103) e Jimmy Connors (109) alcançaram tal feito. O sérvio é o atual número seis do mundo e chegou a 2025 depois de uma temporada em que conquistou “apenas” o ouro nos Jogos Olímpicos de Paris, diante de Carlos Alcaraz. Frente a Andy Murray, o único bicampeão olímpico de singulares, Nole conquistou quatro vezes o Open da Austrália, Major em que continua a ser o recordista com dez títulos. Em sentido inverso, o britânico conquistou dois dos seus três Grand Slams diante do sérvio: US Open-2012 e Wimbledon-2013, torneio que marcou o fim de um jejum de 77 anos para o ténis britânico. Ambos estiveram frente a frente em 36 ocasiões, com vantagem para Djokovic: 25 vitórias contra 11.

“Fiquei muito contente por ele ter aceitado.” Andy Murray vai continuar a ser o treinador de Novak Djokovic

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