Foi há nove anos que Kim Kardashian foi sequestrada por homens armados num quarto de hotel de Paris e viu ser-lhe roubado o equivalente a 10 milhões de euros em joias, incluindo um anel de noivado de diamantes. Esta sexta-feira, 23 de maio, o caso finalmente chega ao fim, com a condenação de oito dos 10 arguidos, incluindo o líder do assalto.

Segundo a CNN, Aomar Ait Khedache, incapaz de falar ou ouvir devido a doença, leu o veredito do juiz presidente a partir de um ecrã, uma vez que tinha acompanhado todo o julgamento. Dois dos arguidos acabaram por ser absolvidos pelo tribunal de Paris.

Os promotores esperavam uma pena de 10 anos de prisão para quatro dos homens acusados, Aomar Ait Khedache, de 68 anos, Didier Dubreucq, 69, Yunice Abbas, 71 e Marc-Alexander Boyer, o único com menos de 60 anos (tem 35). A acusação também pediu uma pena de seis a oito anos para os outros seis acusados, por terem auxiliado no crime. “A sentença deve refletir a seriedade e violência do crime. Os acusados eram ladrões experientes”, destacou a procuradora geral Anne-Dominique Merveille, citada pela BBC.

As declarações vêm depois da imprensa francesa chamar os criminosos “ladrões avós”, por terem quase todos mais de 60 anos. Dois deles assumiram a participação no crime: Yunice Abbas e Aomar Ait Khedache. Outro foi dispensado por sofrer de demência em fase avançada, enquanto um dos suspeitos morreu antes de ser julgado.

Os 10 acusados, nove homens e uma mulher, fizeram as suas declarações finais durante a manhã desta sexta-feira, quando assumiram arrependimento — no caso dos dois que confessaram a participação — ou voltaram a defender as suas inocências. Ao longo da última semana os advogados de defesa, de acordo com o Le Monde, apelaram ao júri para considerar as idades dos suspeitos: “Nesta idade, uma pena de prisão fechada é também uma prisão perpétua”, disse o advogado Frank Berton. “Peço-lhes que estejam à altura da ocasião. E não sou só eu que estou a pedir, é a senhora Kardashian que está a pedir”, terá dito ainda.

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O julgamento decorreu ao longo das últimas três semanas. Kim Kardashian esteve no tribunal, em Paris, a 13 de maio, quando deu o seu depoimento e falou em detalhes sobre o que lhe aconteceu. A socialite também teve momentos emotivos em que assumiu perdoar os suspeitos, apesar de garantir ter ficado traumatizada para o resto da vida pelo crime.

O veredicto no caso vem um dia depois de Kim Kardashian revelar ter terminado o programa de estudos em direito, com o objetivo de tornar-se advogada. “Há seis anos embarquei numa jornada não convencional para perseguir o sonho de me tornar uma advogada. Não foi fácil, demorou mais do que planeei, mas eu nunca desisti. Cada curso trouxe-me momentos de dúvida, lágrimas e triunfo — especialmente quando conquistei matérias que inicialmente temia”, escreveu nas redes sociais.

Kim revela que escolheu “um programa rigoroso registado na Ordem dos Advogados da Califórnia, composto por 75 créditos universitários a serem concluídos num currículo de quatro anos que se alongou para seis”.

A socialite destacou ainda a presença na formatura de três pessoas que ajudou a serem soltas depois de terem sido condenadas injustamente: Chris Young, Michelle West e Dawn Jackson. “As suas histórias pessoais de perseverança em tempos de adversidade e injustiça inspiram-me profundamente e formam o core do meu ‘porquê'”.