Esta terça-feira, 13 de maio, Kim Kardashian chegou ao tribunal em Paris na companhia da mãe, Kris Jenner, para dar o seu depoimento sobre um caso que, há quase nove anos, terá gerado um trauma e mudado para sempre a sua vida. Num fato preto ajustado com volume nos ombros e saia longa preta com uma abertura atrás, a socialite levou joias brilhantes ao julgamento das 10 pessoas acusadas de roubarem-lhe, em outubro de 2016, o equivalente a 10 milhões de euros em joias, incluindo um anel de noivado que valia quase quatro milhões de euros.
O crime aconteceu em outubro de 2016, durante uma participação da socialite na semana da moda da capital francesa. Quando se sentou no banco das testemunhas, Kim Kardashian recordou o quanto a experiência a traumatizou. “Sempre vim à Paris Fashion Week. Paris é sempre um lugar que eu amei muito. Costumava caminhar pela cidade quando acordava a meio da noite, pelas 3 ou 4 da manhã, e sempre me senti muito segura… Parava em pequenos hotéis para beber chocolate quente, era mágico. Mas quando vim para a Fashion Week naquela viagem, tudo mudou”, disse, citada pela BBC.
Kim Kardashian conta que por volta das 3 da manhã estava a arrumar as malas para viajar no dia seguinte quando terá ouvido um barulho vindo do corredor do hotel. A socialite viu que havia dois homens que pareciam polícias à sua porta, na companhia do recepcionista do hotel, que estava algemado. “Obviamente eu estava muito confusa quando eles entraram”, disse, com a voz trémula. “Estava prestes a dormir, estava nua a usar apenas um robe por cima“, disse Kardashian, que chegou a suspeitar que o recepcionista estaria envolvido no roubo, mas depois reconheceu que o homem foi “apenas mais uma vítima”.
Os homens terão entrado no quarto a pedir repetidamente por um anel. “Ainda estava em choque, porque sei que muitos ataques terroristas estavam a acontecer em todo o mundo e eu e os meus amigos falávamos sobre o que se estava a passar… Não sabia o que estava a acontecer e não percebi logo que estavam a perguntar pelas minhas joias, mesmo que tenham pedido especificamente pelo meu anel”, disse Kim Kardashian, que reconheceu e apontou em tribunal ao homem que terá encontrado o anel, ao lado da sua cama. “O homem mais alto estava a olhar as minhas coisas e encontrou uma caixa de joias e disse: ‘ah, ha’, muito excitado e grato por ter encontrado mais joias“.
Em determinado momento, Kim Kardashian relata que tentou telefonar aos seus seguranças, e um dos homens arrancou-lhe o telemóvel da mão. Foi quando a socialite diz que os homens a encaminharam às diferentes divisões do quarto do hotel à procura de joias. Foi nesse momento que Kim Kardashian viu a arma. “Foi quando pensei pela primeira vez: ‘Será que corro?’ Mas não era uma opção, portanto só fiquei. Percebi que deveria fazer tudo o que eles diziam“.
▲ Kim Kardashian chega ao tribunal na companhia da mãe, Kris Jenner, na tarde desta terça-feira, 13 de maio
GC Images
Fita cola na boca, mãos e pés amarrados: “Tive a certeza de que iria morrer”
Já bastante emocionada ao longo de todo o depoimento, Kim Kardashian foi às lágrimas ao descrever os momentos de maior violência vividos dentro do quarto. A socialite conta que foi atirada para a cama e teve as mãos e os pés amarrados. “Por favor traduza-lhes que eu tenho filhos bebés, tenho que chegar a casa”, terá dito Kardashian ao recepcionista do hotel, que assistia a tudo. Um dos ladrões ter-se-á então inclinado sobre ela e dito que ela ficaria “ok”. Foi quando um homem terá puxado a socialite para perto, o que “expôs todo o meu corpo”, já que Kim Kardashian usava apenas um robe. “Estava certa de que naquele momento ele iria violar-me. Comecei a preparar-me mentalmente”, disse.
A socialite relata ainda o medo que teve de morrer. “Tinha certeza que iam disparar. Então rezei pela minha família e pela minha mãe, a minha irmã e a minha melhor amiga”, disse, afirmando que chegou a imaginar o momento em que Kourtney Kardashian chegaria ao quarto do hotel e encontraria Kim “morta na cama”, uma imagem que “ficaria na sua memória para sempre”. “Naquela noite eu tive a certeza de que iria morrer“, afirmou Kim Kardashian ao juiz.
Depois, os homens terão levado Kim Kardashian até a casa de banho e saído do hotel “com pressa”. “Esperei alguns minutos, porque não tinha certeza se iriam buscar algo e voltar, mas depois de algum tempo não ouvi nada”. Foi quando a socialite terá esfregado as braçadeiras de plástico na torneira para conseguir soltar as mãos. “Consegui tirar a fita da boca e ir chamar a Simone (a sua stylist)”. Em tribunal, Simone descreveu que Kim Kardashian apareceu no seu quarto com os tornozelos atados.
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Crime mudou o esquema de segurança das Kardashian
No depoimento, Kim Kardashian assume que na altura viajava com poucos seguranças e que os agentes ficavam em hotéis diferentes. “Achávamos que os hotéis eram seguros”, disse a socialite, que hoje anda sempre com pelo menos quatro membros da equipa de segurança — inclusive dentro do tribunal. “O roubo mudou tudo para nós. Não sabíamos que nunca estávamos seguras antes disso”.
“Comecei a ter fobia de sair de casa porque as pessoas ver-me-iam na rua e saberiam que a minha casa estava vazia”, disse Kim Kardashian. “Não consigo dormir à noite se não tiver múltiplos seguranças presentes”, assume ainda.
Kardashian disse ainda que ficou surpreendida ao saber as idades dos criminosos. “Achei que eram mais jovens”, assumiu. Os acusados são conhecidos como os “ladrões avós”, por terem todos mais de 60 anos. Dois deles assumiram a participação no crime: Yunice Abbas e Aomar Ait Khedache, que é mudo e depôs com a ajuda de um quadro onde escreveu as respostas. Outro foi dispensado por sofrer de demência em fase avançada, enquanto um dos suspeitos morreu antes de ser julgado.
“Eu perdoo-o”
Depois do depoimento, o juiz pediu a permissão de Kim Kardashian para ler a carta de Aomar Ait Khedache, um dos acusados que assumiu a participação no crime. O homem escreve: “Depois de a ver num programa de TV francês emocionada e depois de perceber o mal psicológico que lhe fiz, decidi escrever”. “Quero falar de ser humano para ser humano que me arrependo das minhas ações e como fiquei emocionado ao vê-la chorar, peço desculpas pela dor que lhe causei, ao seu marido, seus filhos e todos aqueles que a amam”.
Diante do pedido de desculpas inesperado, Kim Kardashian voltou a chorar. “Estou, obviamente, muito emocionada. Esta experiência mudou a minha vida e a da minha família. Nos EUA trabalho com o sistema de justiça e quero muito tornar-me uma advogada e lutar pelas pessoas que procuram justiça. Agradeço a sua carta e perdoo-o. Mas não muda a minha emoção, os sentimentos, o trauma e a forma como a minha vida mudou”.
Outros acusados aproveitaram o momento para também pedirem desculpas. “Ao ouvir o seu trauma arrependo-me muito das minhas ações. Imploro pelo seu perdão. É sincero”, disse Yunice Abbas, que escreveu um livro sobre o roubo em 2021. Didier Dubreucq, outro acusado, também se levantou para falar: “Não sei o que mais dizer, mas sinto a sua dor”.