É, para já, apenas uma espécie de: agarrem-me, se não eu vou. O antigo secretário de Estado e comentador Miguel Prata Roque continua a posicionar-se para ser uma alternativa a José Luís Carneiro nas diretas do PS, mas sem assumir de forma clara essa vontade. Depois de um manifesto sobre o que deve ser o futuro do PS no início da semana, Miguel Prata Roque diz agora que não acredita em “consensos balofos” e sugere que há “uma tentativa de amordaçar o debate interno“.

Prata Roque diz que nas eleições da federação do PS de Lisboa (FAUL) resistiu a participar num “simulacro de unidade” assente numa paz podre e que o “tempo” deu-lhe razão. Para o antigo governante — que conseguiu apenas 29% na FAUL — “os resultados eleitorais de domingo demonstraram que essa falsa unidade não reconcilia o PS com os eleitores.”

Miguel Prata Roque diz ao Observador que não vai “prestar declarações públicas até saber os resultados da Comissão Nacional do PS” — com exceção para uma participação esta sexta-feira à noite na Sic Notícias, onde é comentador. Diz, no entanto, que tem sido “interpelado por muita gente, cidadãos comuns e militantes do PS, que não se conformam com o atual estado de coisas e com baixar os braços.” Anuncia ainda que fará uma “declaração pública quando conhecer as deliberações de amanhã.”

Prata Roque avisa ainda que terá as suas tropas na Comissão Nacional do PS: “Não participarei na reunião, por não ser membro do mesmo (por opção própria), mas vários dos apoiantes do movimento que fundei (Semear Esperança) estarão nessa reunião.”

No dia seguinte às eleições, o antigo secretário de Estado já tinha entrado em campo com um comunicado onde dizia que “o Partido Socialista tem que arrepiar caminho e mudar de vida” e que “não é mais possível continuar a funcionar em circuito fechado, conformandonos com um partido de funcionários e de pequenos poderes locais.” Na altura pedia uma “reflexão, profunda e corajosa, sobre as razões deste afastamento.”

Prata Roque dizia ainda que ou o PS ou abre janelas ou sufoca,  ou se rejuvenesce ou definha, ou se modera ou acantona. O antigo secretário de Estado fazia depois uma lista de propostas como marcar diretas só depois das autárquicas, que o Congresso fosse só em novembro, que Carlos César fosse secretário-geral até lá e que, em 2027, fossem marcadas eleições primárias à semelhança do que aconteceu em 2014.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 1.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]