A 6.ª geração do Micra, agora revelada pela Nissan e que chegará a Portugal no final de 2025, abandona de vez os motores a combustão e passa a ser exclusivamente eléctrica. A marca nipónica avança que o novo utilitário foi concebido em apenas três anos, recorrendo como base ao Renault 5 E-Tech, sendo igualmente o construtor francês a assegurar a sua produção em Douai, França, na mesma fábrica do R5.

Analisando o novo Micra, é possível apercebermo-nos que a origem da mais recente geração do utilitário japonês é o R5, sobretudo devido à linha do tejadilho e respectivos pilares. Isto porque o trabalho realizado pelos estilistas da Nissan foi tão surpreendente quanto o resultado é agradável, inspirando-se na forma curiosa dos faróis da 3.ª geração no Micra (o K12 introduzido em 2002), que se prolongavam pela zona superior do capot do motor. Os designers da casa mantiveram essa solução, mas agora apenas com as day running lights, uma vez que os faróis propriamente ditos surgem numa faixa horizontal no meio desse círculo de LEDs.

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Para a traseira, a Nissan não seguiu a solução estética preconizada pelo Micra de 2002 — nem por nenhum outro, pois nunca foram felizes —, tendo optado por se manter fiel aos dois círculos em LED divididos em várias partes, para desempenhar a função de luz de presença, piscas, travão e marcha-atrás. Os painéis laterais também foram remodelados face ao Renault 5, mas de forma menos evidente, com a protecção inferior a ser mais volumosa do que a utilizada pela marca francesa.

Muitas diferenças por fora, mas não por dentro

Se, por fora, o Micra consegue ser simultaneamente atraente e diferente do R5 que lhe serve de base, já por dentro as modificações são exclusivamente de pormenor, com o responsável pelo produto a defender que, “para a diferenciação dos veículos, é mais importante o exterior do que o interior”. Há a bordo novos materiais e soluções de iluminação, mas dos assentos ao tablier, passando pelos dois ecrãs (painel de instrumentos e central), tudo é herdado do R5. E nem tudo é mau nesta opção, uma vez que o utilitário eléctrico da Renault é provavelmente o melhor do segmento, uma vez que recorre ao sistema Android Automotive da Google, o que lhe permite usufruir da navegação através do Google Maps e dos comandos por voz via Google Assist, que recorre às informações disponíveis no Google.

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O espaço à frente é bom, mas atrás é algo limitado, com o espaço para as pernas nos bancos traseiros a depender da estatura de quem se senta à frente, bem como da respectiva posição de condução, como é habitual em alguns utilitários. Curiosamente, a Nissan reivindica 326 litros de mala para o Micra e a Renault apenas 277, provavelmente por se considerar como bagageira útil o espaço para alojar cabos de carregamento sob a plataforma de carga.

Os dois motores e as duas baterias mantêm-se

À semelhança do R5 E-Tech, também o novo Micra disponibiliza dois níveis de potência, com respectivamente 90 kW e 110 kW, ou seja, 122 cv e 150 cv. O motor menos potente surge associado à bateria com menor capacidade (40 kWh) nas versões Engage e Advance, as mais acessíveis, sendo o acumulador recarregável por uma potência de até 80 kW. A unidade motriz mais possante é proposta nas versões Advance e Evolve, encontrando-se exclusivamente ligada a um acumulador com 52 kWh, recarregável a 100 kW. Em corrente alternada (AC), ambas as baterias recarregam a 11 kW.

Em termos de autonomia, a bateria de 40 kWh tem homologada a capacidade de percorrer até 310 km entre carregamentos, para a de 52 kWh prometer 408 km, valores similares aos anunciados pelo “irmão” francês que, tal como o Micra, também recorre a jantes de 18”, boas para a estética, mas não para os consumos.

O utilizador tem à sua disposição quatro modos de condução, nomeadamente Comfort, Eco (que limita a potência a 68 cv e a velocidade a 110 km/h, para reduzir o consumo e aumentar a autonomia), Sport e Perso, o qual permite personalizar as diferentes funções. O Micra propõe igualmente quatro níveis de regeneração, sendo um deles o One Pedal, que pára lentamente o veículo sem que o condutor tenha de accionar o travão.

Ainda não há ideias concretas sobre o preço por que vai ser vendido o novo Micra — e o primeiro eléctrico —, mas podemos avançar que, depois desta revelação estática, o modelo vai poder ser testado em Setembro, para começar a ser entregue a clientes ainda antes do final de 2025.