O descalabro começou a partir do banco. A frase que descreve na perfeição esta final da Taça de Portugal no panorama encarnado podia, na verdade, aplicar-se a grande parte dos últimos jogos do Benfica na presente temporada. No dérbi deste domingo, Bruno Lage parecia uma autêntica “barata tonta” no banco de suplentes das águias e, se na fase inicial do jogo esse dado se pudesse dever ao nervosismo por estar no relvado do Jamor pela primeira vez, como o próprio admitiu antes do encontro, o mesmo não se pode dizer do que aconteceu no decorrer do jogo que terminou a favor do Sporting, mesmo depois de o Benfica ter estado a vencer até ao minuto 90+11 (1-3, a.p.).

O caminho mais Harder para o Sporting resgatar uma segunda vida perdida (a crónica da final da Taça de Portugal)

Ao longo de toda a partida, Bruno Lage protestou praticamente todos os lances mais divididos e de maior dificuldade de análise para a equipa de arbitragem, fosse com o quarto árbitro Sílvia Santos, fosse com adjuntos do Sporting, fosse, até, com Jeremiah St. Juste, que chegou a ir ao banco de suplente encarnado tirar satisfações do treinador setubalense. Para além disso, o que mais ficou na retina foi a forma como Lage “destratou” Ángel Di María, que não foi uma das cinco opções do treinador ao longo do tempo regulamentar e mostrou-se cabisbaixo e de cara trancada no banco. Assim que foi chamado a entrar, o argentino não cumprimentou o treinador, algo que se viria a manter depois do apito final, com o treinador a ignorar o jogador quando este se encontrava em lágrimas, repetindo a atitude com Samuel Soares.

Para além disso, o técnico do Benfica recusou-se a comparecer na habitual flash-interview das televisões que transmitiram a partida e nem quis comparecer na zona mista instalada no relvado do Estádio Nacional. Só na sala de imprensa do Jamor é que Lage compareceu, já depois de se ter dirigido aos adeptos, aplaudindo-os enquanto era bastante criticado, num momento idêntico ao que teve no Botafogo. Assim, Lage terminou a temporada sem qualquer vitória no tempo regulamentar frente ao Sporting nos quatro jogos realizados, apesar de ter conquistado a Taça da Liga.

“O que mais queríamos era oferecer este troféu aos adeptos pelo apoio ao longo da época. Tenho orgulho nos meus jogadores, cumpriram à risca o que tínhamos planeado. Foram 90 minutos, mais 9.30, em que fomos claramente a melhor equipa. Permitimos uma transição que originou o lance do empate. Criámos várias oportunidades de golo. Não queria, porque há dois dias vi a conferência do senhor árbitro, e ele fez questão de dizer que o mais importante era olhar para o nosso trabalho, mas hoje tenho de lhe dizer que errou. Se quer manter o critério de dar o amarelo ao Samuel [Soares], tem de manter o critério ao longo do jogo. Há um segundo amarelo que não foi mostrado ao capitão do Sporting, há uma situação caricata junto à bandeirola aos 90+5′, com o Belotti, em que o VAR devia chamar o árbitro e tomar uma decisão. Na minha opinião, o lance do nosso segundo golo é duvidoso. Vi que o Carreras tocou na bola. Infelizmente não conseguimos [ganhar]. Assumo a [nossa] parte da responsabilidade. Nestes jogos com o Sporting, os postes também não quiseram nada connosco. O que não me canso de dizer é que tenho um orgulho enorme nos meus jogadores”, começou por dizer o treinador do Benfica.

“Nunca poderei retribuir da mesma forma o que o Benfica já me deu. É a primeira vez que venho a uma final da Taça. O meu filho, de 10 anos, estava na bancada e eu cheguei aqui há muito tempo para treinar meninos de 10 anos. Jamais serei um problema. Vim para ser a solução, para ajudar. O próximo passo é conversar com o presidente e perceber que, o que for benéfico para o Benfica, assim será. Estratégia? Na minha opinião, correu na perfeição. O jogador [Bruma] que jogou na posição do Di María fez um bom jogo e marcou um golo [que foi anulado]. Acho que tomámos a melhor decisão de início, controlámos sempre o jogo e a linha defensiva esteve muito bem. Trocámos a posição do António [Silva] pela do Otamendi e correu na perfeição. A equipa soube ter o controlo do jogo. O Kökçü sentiu um toque e fomos fazendo as alterações em função do momento. Di María? Foi um exemplar profissional ao longo da época. Tanto ele, como eu, queríamos terminar a época com o troféu. Ele tem uma história lindíssima ao serviço do Benfica e, mais do que ninguém, está triste pela forma como não conseguimos oferecer este troféu aos adeptos”, concluiu.