Esta terça-feira, 10 de junho, o Tribunal Superior de Justiça da Argentina rejeitou os nove recursos apresentados por Cristina Kirchner e determinou a sua prisão pelo crime de corrupção. A antiga Presidente, que foi condenada a uma pena de reclusão de seis anos, tem cinco dias úteis para se apresentar voluntariamente para ser detida. Além disso, perde o direito de candidatar-se a cargos públicos pelo resto da vida. Por ter mais de 70 anos, a ex-presidente pode solicitar que a pena seja cumprida em prisão domiciliar.
“As sanções aplicadas são aquelas que determina o ordenamento jurídico vigente. A imposição da pena de prisão e a inelegibilidade não faz outra coisa senão tutelar o nosso sistema republicano e democrático segundo as leis penais ditadas pelos representantes do povo no Congresso da Nação”, diz a decisão judicial, citada pelo jornal argentino Clarín.
A condenação foi determinada em dezembro de 2022 por um Tribunal Federal, e já havia sido confirmada por duas instâncias da justiça argentina. Kircher foi considerada culpada de corrupção por favorecer um empresário de Santa Cruz — onde os Kirchner começaram a carreira política — em 51 contratos rodoviários superfaturados, adjudicados ao longo das três gestões kirchneristas, entre 2003 e 2015, incluindo a presidência do seu marido, Néstor Kirchner.
Após receber o resultado da decisão judicial, Cristina Kirchner discursou em frente à sede do Partido Judicialista. “São três marionetas que respondem a líderes naturais muito acima deles”, disse, sobre os juízes responsáveis pela confirmação da sentença. Com críticas ao governo de Javier Milei, Kirchner afirmou que “estar presa é um sinal de dignidade”. “Podem prender-me, mas os reformados não vão conseguir pagar as contas; os medicamentos estão cada vez mais caros”, afirmou. “Que Toto Caputo (ministro da Economia de Milei) possa andar por aí sem que ninguém se queixe dele — posso dizer que estar preso é um sinal de dignidade política e histórica”, disse ainda.
O Presidente argentino, Javier Milei, opositor político de Kirchner, reagiu através das redes sociais. “Justiça. Fim. A república funciona e todos os jornalistas corruptos, cúmplices de políticos mentirosos, foram desmascarados nas suas operetas sobre o suposto pacto de impunidade.
Justicia.
— Javier Milei (@JMilei) June 10, 2025
Fin.
PD: la República funciona y todos los periodi$ta$ corrupto$, cómplices de político$ mentiro$o$, han quedado expuesto en sus opereta$ sobre el supuesto pacto de impunidad.
Na última semana Cristina Kirchner anunciou a intenção de concorrer nas próximas eleições legislativas, em setembro, a uma vaga como deputada na província de Buenos Aires. Contudo, com a condenação, fica inelegível para o cargo.