Em condições normais deveria haver um favorito, o último mês acabou por mitigar essa tendência teórica. Expliquemos: sendo certo que o Sporting venceu seis vezes o Benfica nos últimos dez dérbis desde 2023/24, e que na presente temporada levava dois triunfos (meias da Taça da Liga e final da Taça de Portugal) e dois empates (na fase regular da Liga), a forma como os encarnados conseguiram afastar o Elétrico e o Sp. Braga no playoff em apenas dois encontros ao contrário dos leões, que foram à “negra” com Ferreira do Zêzere e Leões de Porto Salvo, mostrava os momentos distintos que as duas equipas atravessavam, com os verde e brancos a sofrerem também um rude golpe na Final Four da Liga dos Campeões com dois desaires.

Uma invencibilidade à prova de Rocha no dérbi: Sporting empata com Benfica e segura liderança do Campeonato

“É mais uma final, um jogo importante contra uma grandíssima equipa. Disputámos jogos a mais do que deveríamos nestes playoffs mas vejo sempre as coisas pelo lado positivo, serve de amadurecimento para a nossa equipa. Se calhar se vencêssemos os dois jogos sem muitas dificuldades, talvez chegássemos à final a achar que éramos os maiores e sabemos que no desporto não é assim. Apesar de ser no fim de época a existir desgaste, estamos mais do que motivados para conseguirmos o nosso objetivo, que é o título. Confronto sem derrotas até agora? Essa parte conta mais para as estatísticas. Não perdemos com eles mas fora do nosso grupo dizem que é um fim de ciclo, que eles são os maiores e que nós estamos a perder jogos nos playoffs. Vamos respeitar o adversário e tentar impor o nosso ritmo de jogo”, salientara o ala Alex Merlim.

“Lutámos muito por este momento. Estamos felizes e procuramos aproveitar ao máximo. Sabemos que serão jogos desafiantes, jogos por milímetros e por detalhes. As equipas que conseguiram trabalhar mais durante a época têm de tirar proveito disso. Acho que se decidirá, talvez, mais pela parte mental e pela parte emocional. Esperamos conseguir tirar proveito disso, os jogos são realmente muito duros. É um dos melhores jogos do mundo, ambas as equipas têm algo extra. Acredito, e procuramos passar muito isto aos nossos jogadores, que jogamos nós contra nós, quero muito que estes jogadores vençam pelo trabalho que fizeram longe dos holofotes e pelos anos de luta que estão a ter aqui neste clube”, destacara o técnico Cassiano Klein.

Estavam lançados todos os dados para a final esperada, depois da presença do Sp. Braga na decisão da última temporada após afastar o Benfica numa eliminatória que terminaria com um inédito tetracampeonato do Sporting na modalidade, ganhando também o sétimo título em oito anos e o oitavo na última década. Agora, ainda não foi desta que os encarnados ganharam no tempo regulamentar aos leões mas esse terceiro empate terminou com sabor a vitória depois do triunfo por 5-3 nos penáltis que “roubou” o fator casa.

Quando Tomás quer e Merlim faz, Zicky brilha: Sporting vence Benfica e conquista Taça de Portugal

A partida começou a um ritmo eletrizante, como é normal sempre que os rivais se cruzam em finais da Liga, e com o Benfica a estar sempre por cima da partida. André Coelho inaugurou o marcador depois de duas boas oportunidades travadas por Bernardo Paçó, numa jogada que começou nos pés de Léo Gugiel e teve depois assistência de Jacaré (3′), Wesley empatou num remate fortíssimo sem hipóteses (9′) antes de Silvestre fazer o 2-1 num lance em que Bernardo Paçó ficou muito mal na fotografia (16′), Zicky Té voltou a fazer a igualdade numa jogada com muitos protestos em que André Coelho apareceu no chão sem falta sem que o VAR tivesse visto qualquer infração (19′) mas Chishkala recolocou os encarnados na frente do marcador a 16 segundos do final da primeira parte numa jogada em que teve apenas de encostar ao segundo poste (20′).

Continuava tudo em aberto, com essa vantagem do Benfica que acabou por não ter grandes efeitos em termos práticos no decorrer da segunda parte por duas razões: por um lado, Zicky Té voltou a fazer o empate em mais um grande trabalho individual após jogo direto na frente que deixou Léo Gugiel sem reação (27′); por outro, os encarnados chegaram muito cedo à quinta falta, o que fez com que os leões assumissem mais o jogo antes de haver mais tentativas “controladas” de 5×4 dos visitantes para controlarem a questão das infrações. As oportunidades sucediam-se, nessa fase com maior pendor para os verde e brancos, mas tudo seguiria para prolongamento, com Carlos Monteiro de novo a adiantar o Benfica (42′), Zicky Té a completar o hat-trick ainda na primeira parte (44′) e André Coelho a falhar um livre direto a 16 segundos do final do tempo extra. Tudo seguiria mesmo para as grandes penalidades, com os encarnados a serem mais fortes (5-3).