Duelo de velhos conhecidos. Foi desta forma que Abel Ferreira apelidou, na conferência de imprensa de antevisão à partida, o duelo que abriu a segunda jornada da fase de grupos deste Campeonato do Mundo de Clubes, entre Palmeiras e Al Ahly. O duelo desta quinta-feira revestiu-se de tamanha importância por dois motivos: brasileiros e egípcios encontraram-se nas edições de 2021 e 2022, registando-se uma vitória para cada lado — Al Ahly ganhou nos penáltis (0-0, 3-2 g.p.), seguindo-se o triunfo brasileiro (2-0) —; e, não menos importante, com os nulos nos dois jogos da ronda inaugural, a vitória esta quinta-feira podia ser importante nas contas do apuramento para os oitavos de final.

“Esperemos que a pontaria esteja melhor, embora no futebol não haja certezas, apenas intenções. Hoje em dia não há jogos fáceis. Onde é que Marrocos terminou no último Campeonato do Mundo? O futebol mudou muito nos últimos 15 anos. Ficou claro que o futebol brasileiro é muito competitivo quando nos são dadas as condições para jogar. O Campeonato brasileiro é um dos mais competitivos do mundo. Estamos a preparar-nos e cada jogo tem uma história diferente. Vamos tentar vencer para estar na próxima fase. O ambiente [no balneário] tem a ver com a nossa abordagem estratégica para o jogo”, assumiu o técnico português na antevisão.

No MetLife Stadium, em East Rutherford, Abel Ferreira alterou a estrutura tática da equipa e fez regressar Raphael Veiga ao meio-campo, retirando Felipe Anderson. Para além dessa alteração, Facundo Torres substituiu Maurício. Nos diabos vermelhos, o 4-3-3, com Trezeguet, Zizo e Wessam Abou no ataque, prometia criar muitas dificuldades ao verdão. A partida começou com o Al Ahly com mais bola, mas o Palmeiras mostrou-se mais perigoso no ataque, por conta dos seus ataques rápidos e os movimentos de fora para dentro de Estêvão, que quase inaugurou o marcador na fase inicial (18′). Perante o descontrolo tático, o treinador português passou a defender em 5-3-2, controlando as incursões da turma africana. Veiga ainda assustou ao ver o vermelho depois de uma entrada dura sobre Zizo, mas Anthony Taylor, chamado a ver as imagens, reverteu a decisão e ficou-se pelo amarelo ao 23 (39′).

Ao intervalo, Abel repetiu a receita da ronda inaugural e lançou Maurício para o lugar de Veiga, bem como Flaco López por troca com Vitor Roque. A reação paulista foi praticamente imediata, com Anibal Moreno a cobrar um livre do corredor esquerdo para a área e, na tentativa de cortar, Wessam Abou a cabecear para trás e a introduzir a bola na sua própria baliza (49′). Pouco depois, o médio argentino tentou surpreender com um chapéu de muito longe, mas Mohamed El-Shenawy chegou a tempo de defender para canto (55′). Na jogada seguinte, os diabos vermelos perderam a bola no ataque e o Palmeiras aproveitou o campo aberto para contra-atacar, com Maurício a isolar Flaco que, isolado, fez o 2-0 (59′). Logo a seguir ao golo, como se sucedeu nos últimos dois dias, este Palmeiras-Al Ahly não escapou às condições climatéricas adversas dos Estados Unidos e esteve interrompido durante 45 minutos. No recomeço, o resultado manteve-se e o Palmeiras garantiu o triunfo (2-0).

A pérola

  • Aos 26 anos e depois de um ano em que participou em 62 jogos do verão, Anibal Moreno é um dos elementos mais seguros no onze inicial de Abel Ferreira. Apesar de ser um médio posicional, que atua no setor mais defensivo e procura garantir o equilíbrio da sua equipa, o argentino foi o principal responsável pela vitória do Palmeiras frente ao Al Ahly, fazendo o cruzamento que originou o autogolo de Abou e assistindo Flaco López para o segundo golo. Pelo meio, Moreno ainda tentou deixar a sua marca com um chapéu de muito longe.

O joker

  • Na sombra de Vitor Roque, é quase impensável ver outro atleta da posição do antigo jogador do Barcelona. O seu substituto direto é Flaco López, argentino de 24 anos que tem dado boa conta de si e, esta quinta-feira, saltou do banco ao intervalo para deixar a sua marca no ataque. Foi com o avançado em campo que o Palmeiras assumiu o controlo do jogo e teve as melhores oportunidades, com López a deixar a partida com o golo que assegurou o triunfo, numa jogada em que mostrou a sua velocidade e conseguiu ganhar no duelo físico com o opositor direto.

A sentença

  • Com esta importante vitória, o Palmeiras é, por esta altura, líder isolado do Grupo A, mas terá de esperar pelo resultado do Inter Miami-FC Porto para saber se vai dormir na primeira posição ou na segunda. Certo é que, no final da partida da equipa portuguesa, este agrupamento vai continuar totalmente em aberto, com as quatro equipas a puderem terminar em posição de apuramento ou serem eliminadas.

A mentira

  • Incontornavelmente, as condições climatéricas prometem ser um dos principais (des)acontecimentos deste Mundial de Clubes. É certo que estamos a falar de um país com condições muito particulares, como é o caso dos Estados Unidos. Também é certo que, aquando da escolha do país-organizador desta edição, a FIFA deveria de ter acautelado todas as condicionantes… Pelo terceiro dia consecutivo, uma partida da competição foi impactada pela tempestade e, se no Ulsan-Sundowns e no Pachuca-Salzburgo o mau tempo apareceu mesmo, isso não aconteceu neste Palmeiras-Al Ahly, dado que o sol nem sequer desapareceu do céu do MetLife. No fundo, foram 45 minutos perdidos.