Uma equipa do Los Angeles FC que praticamente não tem mais adeptos daqueles que conhecemos por cá e que vão a qualquer lado acompanhar os jogadores do que uma pequena falange bem disposta, uma formação do Espérance de Tunis a jogar muito longe de casa mas com uma claque de apoio num estádio quase deserto que se fazia ouvir e bem, cadeiras às cores para dar ideia de espectadores que não estavam nas cadeiras, uma publicidade de “Visit Qatar” que ia passando na publicidade junto ao relvado. Se o Mundial de Clubes tem mostrado os seus traços mais exóticos, o encontro entre norte-americanos e africanos era mais um exemplo disso mesmo. Contudo, duas equipas quase opostas também tinham pontos em comum. Pelo menos dois.

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Nashville recebia o primeiro encontro no Mundial de Clubes com essa particularidade de ter sido o único a ser construído apenas para jogos de futebol (o soccer). Ponto comum 1 entre Los Angeles e Espérance? Quem não pontuasse ficava com a qualificação complicada, quem perdesse estava quase eliminado. Ponto comum 2 entre Los Angeles e Espérance? Apesar de terem perdido na estreia na competição por 2-0 frente a Chelsea e Flamengo, tiveram bons momentos quando estavam atrás pela margem mínima, ameaçaram o empate e só mesmo após o segundo golo a resistência caiu. Agora, o grande desafio passava por tornar interessante um encontro que passava ao lado de qualquer foco mais mediático mas que podia dar um jogo interessante.

Foi isso que se viu logo nos 15 minutos iniciais. Os tunisinos começaram melhor, com Lloris a tirar o golo a Belaili logo a abrir depois de um erro do Los Angeles no primeiro terço (4′) e Rodrigo Rodrigues a ter uma bola no poste num remate de longe (11′), mas os norte-americanos, quando reagiam, conseguiam criar mais perigo tendo mesmo chegado à vantagem numa recarga de Giroud que foi anulada por fora de jogo (15′). Foi assim no início, foi assim até ao intervalo. O Espérance esteve globalmente melhor e com maior qualidade de jogo mas foi o Los Angeles que voltou a ver mais um golo anulado, neste caso num fora de jogo no início da jogada que terminou com David Martínez a marcar (28′). O descanso chegava ainda sem golos.

A cidade da música que entretanto se está a converter uma das maiores hubs do país tem vários motivos de interesse mas o futebol estava longe de ser um deles, havendo 45 minutos para as equipas desconstruirem essa imagem. Yan Sasse entrou para criar uma boa oportunidade depois de Belaili ganhar e depois perder no VAR uma grande penalidade, Ben Said nunca quis ficar atrás de Llloris e foi resolvendo tudo o que apareceu na sua área até 20 minutos do final, altura em que Belaili conseguiu desbloquear o nulo e oferecer a “prenda” possível a Nicole Kidman, atriz norte-americana que fazia 58 anos e que decidiu, para espanto de muitos, passar o dia com o marido Keith Urban a ver o Los Angeles-Espérance no Geodis Park.

Os tunisinos dominavam por completo, ainda tiveram uma bola na trave por Guenichi após jogada de Belaili, mas o momento da partida estava guardado para o décimo minuto de descontos: Marlon foi à área, sofreu uma grande penalidade apenas vista pelo VAR mas Bouanga, na tentativa de conversão, acabou por permitir a defesa de Ben Said. Nem assim o Los Angeles conseguiu evitar a derrota e a consequente eliminação da prova, naquela que seria também uma espécie de prenda para Nicole Kidman ao cair do pano.

A pérola

  • De uma forma ou outra, tinha de ser ele a desbloquear o nulo. Youssef Belaili, avançado argelino de 33 anos, chegou a jogar alguns anos na Europa, não foi mais longe porque na altura em que deu o primeiro grande salto na carreira acabou por ser suspenso por um teste anti-doping positivo que detetou cocaína após um jogo para a Liga dos Campeões Africana mas tornou-se rapidamente um dos jogadores mais acarinhados pelos adeptos do Espérance pela forma de jogar. Agora, a grande alegria dos adeptos tunisinos veio dos seus pés, coroando o elemento mais diferenciado entre os que estavam em campo.

O joker

  • É um dos elementos menos falados da equipa, voltou a ser um elemento importante mesmo sem ter o protagonismo de nomes como Belaili ou Guenichi. Ben Said, guarda-redes de 32 anos que chegou ao Espérance na temporada passada depois de seis anos no US Monastir, não teve muito trabalho mas tudo o que fez teve o condão de segurar a equipa em termos defensivos quando o Los Angeles se esticava mais em campo e na grande oportunidade de todos o encontro, quando travou uma grande penalidade de Bouanga aos 90+10′ – e os dois golos que sofreu acabaram também por ser anulados por fora de jogo…

A sentença

  • Principal vencedor? O Flamengo. Com o triunfo do Espérance, os brasileiros não só têm confirmada a passagem aos oitavos como ficarão sempre em primeiro do grupo, pela vantagem sobre Chelsea e equipa tunisina. O encontro entre blues e africanos será o prato forte do grupo D na última jornada, com o Los Angeles arredado dos oitavos após sofrer a segunda derrota na competição e continuar sem pontos.

A mentira

  • Até pela presença de Lionel Messi e companhia na equipa, o Inter Miami chegava a este Mundial de Clubes como principal expoente entre a representação norte-americana mas o Los Angeles, última formação apurada para a fase final deste Mundial de Clubes com nomes como Lloris e Giroud, era uma esperança para conseguir pelo menos uma vitória que permitisse sonhar com o apuramento para os oitavos. Esse objetivo ainda é possível mas aquilo que a equipa joga tem sido curtinho, muito curtinho…