A entrada ficou aquém do esperado, a segunda imagem teria de ser melhor. Todos os olhos estão centrados no Real Madrid nos EUA, com a chegada apoteótica ao Bank of America Stadium, em Charlotte, a ser mais um bom exemplo do estatuto que os espanhóis gozam apesar de estarem numa época sem qualquer vitória. Foi por isso que o empate frente ao Al Hilal na estreia de Xabi Alonso foi uma desilusão, era por isso que se tornava tão importante haver uma “resposta” no encontro diante do Pachuca, que perdera diante do Salzburgo na primeira jornada. Para o técnico, era jogo de “ganhar ou ganhar” quase sem mexer na equipa.

Real Madrid vence Pachuca por 3-1 com menos um e dá passo importante rumo aos oitavos

“Queremos fazer um bom jogo, queremos ganhar esta competição apesar de ser tão curta, queremos deixar boas sensações, queremos fazer uma exibição mais completa com e sem bola. Reforços? Agora estamos no Mundial de Clubes, não pensamos tanto em como melhorar o plantel que temos atualmente. Com todos os jogadores que temos, devemos jogar bem. Podemos ter um meio-campo dominante mas para isso precisamos de tempo para trabalhar, repetir, perceber e conjugar os diferentes perfis que existem”, apontava o antigo técnico do Bayer Leverkusen, que substituiu Xabi Alonso após o final da Liga. “Arda Güler? Precisa de andar mais perto da bola porque é um jogador especial. Quando mais toca na bola, melhor joga e mais faz crescer a equipa. Teve grande impacto quando entrou na segunda parte com o Al Hilal”, acrescentara.

Essa acabaria por ser a única alteração na equipa, essa acabou por ser a chave para resgatar uma vitória que ainda parecia mal parada até à paragem com meia hora de jogo para que os jogadores se pudessem hidratar. O turco não só voltou aos golos como foi um daqueles elementos que deu outro poderio ao Real do meio-campo para a frente com bola, juntando-se muitas vezes a Gonzalo García, avançado da cantera do clube de 21 anos que voltou a ser titular e determinante apesar de ter saído ao intervalo para a entrada de Brahim Díaz visando um maior equilíbrio perante a inferioridade numérica. A exibição ainda não foi aquela que Xabi Alonso mais queria, o resultado acabou mesmo por aparecer e com uma dedicatória especial.

O dia ficou marcado pela morte de Sergio Nieto, sócio número 1 do clube que tinha 100 anos e uma ligação umbilical aos merengues que começou na filiação feita a 1 de dezembro de 1932. Ao todo foram 93 longos anos como associado, a ver todos os momentos históricos do Real incluindo os 15 títulos europeus ganhos entre 1956 e 2024 (com apenas três finais perdidas). “Foi um exemplo de lealdade e afeto para as nossas cores”, assinalaram os espanhóis em comunicado sobre o membro do “Clube dos 100”, que está reservado para os 100 primeiros associados da formação de Madrid. Em Charlotte, a vitória foi para ele.

No entanto, não foi fácil. Quando todos esperavam uma entrada a “matar” do Real Madrid, a formação espanhola acabou por dar um passo para ficar mais próxima de “morrer”: já depois de uma primeira ameaça de Salomon Rondón depois de um lance de estratégia num canto que fez a bola passar a rasar a baliza de Courtois (3′), Raul Asenscio não desenhou bem a linha de fora de jogo, perdeu a frente para Rondón e acabou por ser expulso com vermelho direto após agarrar o avançado quando seguia isolado para a baliza (7′). Os merengues ficaram muito cedo reduzidos a dez, equilibrando a partida sem oportunidades e apanhando alguns sustos pelo meio como um lance em que Courtois evitou o golo a Kenedy e Bautista na mesma jogada (18′). Só mesmo a paragem para hidratação mudou o argumento do que acontecia em campo.

Antes dessa pausa, os adeptos do Pachuca iam gritando “olés” perante a capacidade que os mexicanos iam mostrando para controlar o Real Madrid em termos ofensivos entre algumas oportunidades para uma maior surpresa. A partir daí, e até ao intervalo, a história virou: Jude Bellingham inaugurou o marcador numa jogada iniciada com um grande toque de Gonzalo García a abrir Fran Garcia no flanco esquerdo (35′), Arda Güler aumentou a vantagem num grande lance coletivo em que Vinícius Jr. virou no flanco direito para Trent Alexander-Arnold, o lateral cruzou para Gonzalo García e o avançado assistiu o turco na área (43′).

Muita parra e pouca uva na primeira parte, muita parra e pouca uva no segundo tempo. Apesar da entrada de Brahim Díaz para dar outros equilíbrios à equipa, o Real Madrid perdeu capacidade de esticar na frente e foi o Pachuca a criar vários lances de perigo na área por Rondón e John Kennedy, sempre com Courtois a ganhar esses duelos particulares quando a bola seguia enquadrada com a baliza. O belga foi determinante para ir segurando o 2-0 até à entrada de Luka Modric, que deu outro critério no meio-campo e permitiu que a equipa espanhola voltasse ao chip do final do primeiro tempo para o 3-0: Vinícius Jr. foi lançado por Huijsen na profundidade, Valverde combinou com Brahim Díaz na área e o uruguaio desviou numa antecipação ao guarda-redes Carlos Moreno (70′). O máximo que o Pachuca conseguiu foi reduzir a dez minutos do final por Montiel, num remate à entrada da área que desviou em Tchouameni e traiu Courtois.

A pérola

  • O mais fácil seria olhar para os marcadores dos golos como Arda Güler ou Fede Valverde, para o grande jogo que Huijsen fez no centro da defesa com essa característica extra de ser exímio a explorar a partir de trás a profundidade com passes longos, mas foi Thibaut Courtois que voltou a ser preponderante para o primeiro triunfo do Real Madrid neste Mundial de Clubes, evitando por três ocasiões o golo do Pachuca ainda com 0-0 e fazendo mais um par de intervenções no início do segundo tempo.

O joker

  • Saiu ao intervalo, nem por isso deixou de ser fulcral para a vitória. Gonzalo García voltou a ser titular no Real Madrid, numa aposta convicta de Xabi Alonso que poderia ter colocado Rodrygo como avançado mais móvel como chegou a acontecer com Carlo Ancelotti, tinha um peso extra em cima por ser uma espécie de “elo mais fraco” da equipa mas precisou apenas de 45 minutos para iniciar a jogada do primeiro golo, assistir para o segundo e sair ao intervalo com a sensação de dever cumprido. Kylian Mbappé será sempre dono da posição, Endrick o substituto natural até pelo investimento no antigo jogador do Palmeiras, mas a resposta do avançado de 21 anos da cantera voltou a ser promissora.

A sentença

  • Com este triunfo, o Real dá um passo importante para a qualificação, ficando agora à espera do resultado entre Salzburgo-Al Hilal, que jogam de seguida, para conhecer o que precisa para carimbar a passagem aos oitavos. Por seu turno, o Pachuca está automaticamente afastado do Mundial de Clubes.

A mentira

  • Desta vez, e por estranho que pareça, o próprio resultado comparado com o que se passou na partida a nível de estatísticas: o Pachuca teve muito mais remates tentados e enquadrados, terminou com mais posse de bola e ganhou em quase tudo… menos no resultado. É certo que jogar um encontro quase inteiro com menos um faz diferença, até por abortar quase tudo o que foi preparado antes para o encontro, mas uma equipa como Real não pode permitir tanto caudal a um adversário…