A Yamaha Motor não tem propriamente grandes razões para festas nesta fase da temporada mas, à boleia do 70.º aniversário da marca, chegava a este Grande Prémio dos Países Baixos com uma decoração especial nas suas quatro motos. Era tempo de voltar o vermelho e branco como em 1999, o ano em que o espanhol Àlex Crivillé ganhou o seu primeiro e único título no MotoGP mantendo o domínio da formação nipónica depois do penta de Mick Doohan e antes de começar o legado de Valentino Rossi no principal escalão. Em altura de homenagens, Miguel Oliveira não passava ao lado da marca redonda que teria a “festa” no domingo.

“Correr aqui em Assen com estas cores é uma honra e um privilégio, considerando a incrível história que a Yamaha escreveu ao longo dos anos. 70 anos é um marco notável e, quando pensamos nos pilotos que competiram – e venceram – com uma Yamaha, é de arrepiar. A pintura da moto é impressionante; reflete um passado que continua a moldar esta marca no presente e, esperamos, num futuro brilhante. Fazer parte, mesmo que pequena, desta história épica é algo verdadeiramente especial para mim”, comentou aos meios da equipa na antecâmara da estreia em Essen, numa corrida importante para confirmar as melhorias recentes.

Entre a falência da Yamaha, ele conseguiu sobreviver: Miguel Oliveira faz melhor resultado de 2025 com 13.º lugar em Itália

Numa fase em que a Pramac estuda aquela que será a melhor solução para o curto e médio prazo da equipa depois da contratação do prodígio turco Toprak Razgatlioglu, todos os resultados são importantes e Miguel Oliveira soube interpretar esses sinais em Mugello, conseguindo a melhor classificação da época (13.º) como melhor piloto de uma Yamaha que “andou para trás” no Grande Prémio de Itália (Quartararo, por exemplo, arrancou da quarta posição, foi descendo e acabou em 14.º, com Álex Rins em 15.º e Jack Miller a ser forçado a desistir com problemas na moto). Seguia-se o traçado neerlandês, também com muito em jogo em termos individuais e de equipa, com a marca nipónica a apostar forte numa subida de rendimento.

Mugello exponenciou as nossas dificuldades mas dei tudo o que tinha para amealhar o máximo de pontos possíveis e julgo que conseguimos maximizar o nosso resultado sob condições difíceis. Tenho esperança que o desempenho melhore em Assen. Vou trabalhar para melhorar o ritmo de qualificação, porque ter um arranque forte é essencial para conseguir uma corrida positiva.”

Miguel Oliveira ganhou primeiro round. Mas será suficiente? O que está em causa nas próximas corridas para o português

Estavam lançadas as bases para uma sexta-feira de treinos livres que começou com Miguel Oliveira a rodar no 15.º lugar, com um tempo muito próximo de Jack Miller (14.º) e a 0,2/0,4 segundos das duas Yamaha de fábrica de Álex Rins (décimo) e Fabio Quartararo (quarto). Marc Márquez foi o mais rápido na sessão matinal mas também não evitou uma queda aparatosa, naquela que foi a sua sexta queda em 2025 depois de um ano anterior marcado pelas constantes idas ao asfalto. No entanto, não era um “problema” do espanhol.

Os minutos iniciais da sessão vespertina contaram com inúmeras quedas, muitas delas na mesma zona do traçado, que foi levando ao aparecimento de bandeiras amarelas que condicionaram as voltas lançadas nos primeiros 15 minutos. O pior estava para vir: Ai Ogura também foi ao asfalto e a sua Trackhouse começou de imediato a arder, o que levou à primeira de duas bandeiras vermelhas mostradas ao longo da sessão naquela que foi a sexta-feira mais acidentada do ano a deixar todas as decisões para os derradeiros minutos.

Aí, o filme acabou por ser parecido com aquilo que se passara com Miguel Oliveira em Mugello: ficou muito perto de entrar no top 10 na penúltima volta lançada, tentou ainda sem sucesso uma última tentativa de fazer melhor de seguida e terminou com o 14.º registo do dia (1.31,942), tendo de passar pela Q1 na manhã de sábado em busca da melhor colocação na grelha de partida. No entanto, nem tudo foi mau para a Yamaha, longe disso: Fabio Quartararo acabou com a volta mais rápida (1.31,156), com um ritmo que Álex Rins não teve capacidade de igualar (13.º, a 0,675). Já Jack Miller acabou em 16.º (1.31,992). Entraram também na Q2 Álex Márquez, Pedro Acosta, Marco Bezzecchi, Pecco Bagnaia, Marc Márquez (que voltou a cair de forma aparatosa na parte da tarde), Fabio Di Giannantonio, Maverick Viñales, Franco Morbidelli e Johann Zarco.