Era o dia de todas as decisões. Depois de o Sporting ter vencido no Pavilhão João Rocha e no Pavilhão da Luz e de o Benfica também ter vencido no Pavilhão João Rocha e no Pavilhão da Luz, leões e encarnados encontravam-se novamente na “negra” e no jogo 5 de um playoff que era uma autêntica final: no fim, desse por onde desse, existia novo campeão nacional. 

Do lado do Sporting, que tinha a particularidade de jogar em casa, Tomás Paçó foi o porta-voz da equipa nos últimos dias e não esqueceu que os leões pretendiam alcançar um inédito pentacampeonato. “Já foi especial no ano passado, mas este seria ainda mais. Queremos fazer história, até pelo barulho que anda à nossa volta. É a minha quinta época no clube e este é o título que maior vontade tenho de vencer”, atirou o internacional português, vincando todas as críticas feitas de parte a parte às arbitragens do playoff, num assunto que até mereceu comentários de Ricardinho nas últimas horas.

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Do lado do Benfica, que não era campeão nacional desde 2019, a possibilidade de conquistar o Campeonato em casa do rival era um óbvio empurrão motivacional. “Acredito que cada jogo é uma folha em branco e temos de escrever a nossa história. Há estatísticas, palpites, mas, no fundo, é naqueles 40 ou 50 minutos, ou até nos penáltis, que vamos escrever a nossa história”, disse o treinador encarnado, que procurava o primeiro troféu desde que chegou a Portugal.

Ora, este domingo e no Pavilhão João Rocha, Nuno Dias não contava com o lesionado João Matos e o castigado Bernardo Paçó e apostava em Henrique, Tomás Paçó, Merlim, Diogo Santos e Taynan. Já Cassiano Klein, que voltava a deixar Kutchy de fora da convocatória, lançava Léo Gugiel, André Coelho, Afonso Jesus, Arthur e Lúcio Rocha.

Numa primeira parte disputada a uma intensidade assinalável, tal como tinha acontecido nos quatro jogos anteriores, o Sporting começou melhor: Tomás Paçó obrigou Léo Gugiel a uma defesa importante na sequência de um contra-ataque (2′), Taynan fez o mesmo (2′) e Zicky abriu o marcador logo depois com um remate fortíssimo que não deu hipótese ao guarda-redes encarnado (3′).

O Benfica reagiu e ficou muito perto de empatar, com Arthur a atirar por cima (3′) e Henrique a evitar golos de Silvestre (5′) e Chiskhala (7′), mas foi mesmo o Sporting a aumentar a vantagem por intermédio de Merlim, que puxou da esquerda para dentro para rematar colocado (8′). Os leões foram mantendo a vantagem com o avançar dos minutos, também graças a uma exibição muito positiva do guarda-redes, mas os encarnados conseguiram reduzir na ponta final da primeira parte através de Diego Nunes (18′), que finalizou um bom desenho ofensivo. Ao intervalo, o Sporting estava a vencer o Benfica pela margem mínima.

A segunda parte começou com uma oportunidade para o Benfica, com Jacaré a desviar de calcanhar para mais uma defesa atenta de Henrique (21′). Pouco depois, um momento-chave do dérbi: Merlim foi expulso por acumulação de cartões amarelos depois de uma falta sobre André Coelho, deixando os leões desprovidos do capitão e de um dos melhores jogadores, e os encarnados aproveitaram a superioridade numérica para empatar desde logo através de Arthur (23′).

Já em igualdade numérica, o Sporting ficou perto de recuperar a vantagem com um remate ao poste de Taynan (24′) e outro acrobático de Tomás Paçó à malha lateral (29′), mas não existia propriamente uma superioridade por parte de nenhum dos lados e o jogo mantinha-se muito dividido. O Benfica também podia ter marcado, através de um pontapé forte do guarda-redes Léo Gugiel (29′) e de outro mais colocado de Lúcio Rocha (32′), mas os leões acabaram por mesmo chegar ao terceiro golo por Taynan, que desviou na sequência de uma reposição de bola lateral (33′).

Henrique foi novamente crucial com uma interceção com o pé que evitou um desvio de Jacaré que seria letal (34′) e Cassiano Klein apostou no guarda-redes avançado nos últimos instantes — e a ideia compensou. A três minutos do fim do tempo regulamentar, Diego Nunes bisou para empatar novamente a partida (37′). Logo depois, a reviravolta apareceu mesmo por intermédio aparente de Afonso Jesus, que pareceu desviar um pontapé de longe de Léo Gugiel e surpreendeu Henrique (38′).

O Benfica venceu o Sporting no Pavilhão João Rocha e conquistou o Campeonato de futsal, sagrando-se campeão nacional da modalidade pela primeira vez desde 2019 e evitando um inédito pentacampeonato dos leões.