Uma vitória do Benfica num encontro eletrizante no Pavilhão João Rocha com oito golos que só foi decidido nas grandes penalidades, um triunfo do Sporting numa partida mais morna no Pavilhão da Luz com metade dos golos que fechou no tempo regulamentar. A final da Liga de futsal estava em aberto para o jogo 3, que poderia cair para qualquer lado. No entanto, e de forma surpreendente, acabou por ser um dérbi quase sem história: os leões marcaram dois golos nos dois minutos iniciais, os encarnados nunca mostraram capacidade de reação, a goleada chegou de forma quase natural por números que até podiam ser mais expressivos e só ao cair do pano a desvantagem foi reduzida, com as águias a quebrarem um jejum de mais de 75 minutos sem golos. Agora, muito à luz da euforia verde e branca e dos protestos dos encarnados no final desse encontro, havia apenas dois cenários possíveis: ou ficava tudo decidido ou seguia tudo para uma “negra”.

Um dérbi sem história do início ao fim: Sporting goleia Benfica e fica a uma vitória do inédito pentacampeonato

“É um propósito, uma missão muito clara que a Liga termine no domingo. O nosso primeiro objetivo é esse. Sabemos que vai ser um grande desafio mas, para se ganhar um título, tem de se passar por grandes desafios. Temos de dar uma resposta. No último jogo não conseguimos fazer o que fizemos praticamente a época toda: uma equipa que tem muito brio, muita luta, muita garra. Para se conseguir tomar boas decisões, a cabeça tem de estar boa. O que gera essa lucidez, teoricamente, é o automatismo. Pela maturidade dos nossos jogadores, por já terem vivenciado vários momentos assim, acreditamos que vamos conseguir. O grande desafio é conseguir fazer coisas fáceis nas horas difíceis e vamos trabalhar para isso. Temos jogadores aqui que estão há três/quatro épocas a trabalhar muito duro para conseguir isso”, frisara Cassiano Klein.

Zicky Té é de outro mundo mas ainda não faz milagres: Benfica vence Sporting no jogo 1 da final e recupera fator casa

“Vai ser um jogo com outra história, com outros protagonistas, outras dificuldades, sempre com dificuldades. Tudo faremos para terminar a Liga amanhã [quarta-feira]. Vai ser difícil e à imagem do que têm sido todos os dérbis. São todos difíceis, apesar de os números não parecerem isso. A eficácia foi o ponto importante que nos fez vencer e ter números tão volumosos no jogo 3. Não finalizámos tanto assim mas das menos vezes que finalizámos em relação a outros jogos, finalizámos melhor. Quem é mais eficaz e acerta mais vezes na baliza tem mais probabilidades de fazer mais golos e consequentemente vitórias. Marcámos cedo, mostrámos desde o apito inicial o que queríamos fazer neste jogo [de domingo] e isso foi bom para a nossa equipa, que gere muito bem esse tipo de resultados. Tradição do jogo 3? São dados do passado e que não vão contar para nada neste jogo. O que importa é aquilo que conseguimos controlar”, apontara Nuno Dias.

Um amor verde e branco que voltou a fazê-los vibrar: Sporting esteve a perder, remontou e saiu da Luz com o fator casa do seu lado (de novo)

Olhando para o histórico dos últimos Campeonatos, o triunfo no jogo 3 costuma ser o marco decisivo para o título. A par disso o Sporting contava ainda com outro dado: apesar do desaire no jogo 1 da final, por grandes penalidades, ainda não tinha perdido qualquer encontro com o Benfica no tempo regulamentar e/ou tempo extra em sete duelos para Liga, Taça de Portugal e Taça da Liga, entre quatro vitórias e três empates. Mais: era preciso recuar mais de dois anos para encontrar um triunfo encarnado no Pavilhão da Luz diante do rival verde e branco, algo que teria de ser contornado para continuar a acalentar a esperança de regressar aos triunfos na principal prova nacional. Neste caso, nem foi preciso: apesar da igualdade no final do tempo regulamentar, os encarnados voltaram a ser melhores no tempo extra e ganharam o jogo 4 por 7-5.

O encontro voltou a ter um início alucinante mas neste caso sem que nenhuma equipa conseguisse disparar para uma vantagem que se tornasse quase decisiva. Taynan inaugurou o marcador para o Sporting com 11 segundos de jogo, Chiskala a meio com Taynan empatou logo de seguida num lance que seria anulado por falta sobre Zicky Té no início da jogada, Higor fez mesmo o 1-1 depois de uma grande rotação para remate (2′). Esse lance do pivô brasileiro acabou por serenar os ânimos encarnados, que tiveram depois ascendente na partida até chegarem mesmo à reviravolta com uma grande meia distância de Chiskala sem hipóteses para Bernardo Paçó (8′). No entanto, ainda haveria mais história para contar na primeira parte que por pouco não deu nova viragem: Rocha empatou na sequência de um canto (15′) e os leões tiveram ainda mais dois tiros nos ferros da baliza de Léo Gugiel por Rúben Freire (17′) e Pauleta (18′) antes do intervalo.

A primeira parte tinha sido boa, a segunda não ficou nada atrás mesmo sem golos nos instantes iniciais entre oportunidades flagrantes sobretudo para os verde e brancos. Também aqui, um golo não veio só: Taynan fez o 3-2 em mais uma boa saída rápida do Sporting (25′), Higor bisou apenas 11 segundos depois em mais um remate de longe. Esse era o grande mérito do Benfica, que nunca esteve muito tempo em desvantagem dando essa possibilidade de controlo aos leões. As oportunidades continuavam a aparecer, as mais flagrantes por Sokolov, Silvestre e Taynan mas sempre sem golo até à expulsão de Bernardo Paçó por defender um chapéu de Chiskala com as mãos fora da área, deixando os leões com menos um e Henrique na baliza (32′) apesar de o 4-3 ter surgido a poucos segundos de ambas as equipas ficarem com cinco, de novo por Higor.

O hat-trick do pivô brasileiro fazia a terceira reviravolta no dérbi, com o Sporting a passar a ter menos de seis minutos para evitar a derrota num Pavilhão da Luz que acreditava cada vez mais que era possível levar tudo para a decisão na “negra”. A pouco mais de quatro minutos do final, nova chance de empate com Taynan a ter um livre direto pela sexta falta dos encarnados para marcar o hat-trick e reabrir tudo com o Benfica “tapado” pelas cinco infrações e os leões com quatro, a fazerem a quinta a 1.52 minutos do final, o que daria depois oportunidade para novo golo de livre direto pela sexta falta desperdiçado por Raul Moreira.

O jogo iria mesmo para prolongamento, com Arthur a fazer o 5-4 com um golo fantástico (41′), Zicky Té a empatar já depois de um livre direto falhado por Sokolov (43′) e Chiskala a acertar no poste com um desvio com Henrique fora da jogada (43′) antes de marcar o 6-5 ainda na primeira parte do tempo extra depois de um livre direto por uma falta “ganha” a Diogo Santos (44′). Era um jogo 4 impróprio para cardíacos, que já levava quase duas horas e meia desde o apito inicial e que voltaria a ter mais um livre direto por uma mão de Zicky na área dos encarnados, desta vez com Henrique a ganhar o duelo a Chiskala (45′). Seria o russo a dar mesmo a estocada final no arranque da segunda parte do prolongamento, com o 7-5 na sequência de um ressalto após canto que levou todas as decisões para domingo, com a “negra” no João Rocha (47′), entre mais um livre direto falhado pelos leões nos derradeiros segundos com Alex Merlim a rematar ao lado.