O Ministério Público pediu esta segunda-feira pena de prisão efetiva superior a cinco anos para Fernando e Sandra Madureira no âmbito da Operação Pretoriano. No arranque das alegações finais do julgamento, a procuradora Susana Catarino pediu também pena efetiva para Vítor Catão, Hugo Carneiro, Vítor Aleixo e Vítor Bruno (filho de Aleixo), mas segundo avança o Jornal de Notícias, é reclamada pena mais pesada para o antigo líder da claque Super Dragões e a mulher.

“Existia um interesse desmedido em apoiar Pinto da Costa [na Assembleia-Geral Extraordinária do FC Porto]. A não aprovação [dos estatutos] era vista como uma derrota para Pinto da Costa”, disse a procuradora citada pelo Correio da Manhã.

A procuradora entende que “deixar os arguidos em liberdade seria passar a mensagem de que podem fazer tudo” e reitera o interesse dos Super Dragões na perpetuação do antigo presidente como líder do clube com declarações do próprio Fernando Madureira.

O antigo líder da claque admitiu a “avultada fonte de rendimento” relacionada com a venda de produtos desportivos. “Fernando Madureira revelou que os rendimentos estavam relacionados com a venda de ‘merchandising’ do clube. Queriam manter a fonte de rendimentos e garantir que a claque que dirigiam tinha financiamento direto”, o que implicava a aprovação dos estatutos votados nessa AG, acrescenta a procuradora.

“As condutas dos arguidos visaram arregimentar pessoas e introduzirem-nas na assembleia, nem que não fossem sócias do FC Porto, para que constrangessem outras”.

Para o MP, o pedido de uma pena mais pesada para o casal Madureira baseia-se na assunção de que os dois eram os cabecilhas do plano. “[Fernando] Madureira quis agregar uma enorme massa humana da sua confiança. O clima de controlo e intimidação começou à entrada do pavilhão”, prossegue.

“Fernando Madureira orientou a entrada das pessoas, afastando uns, passando outros, permitindo assim que quem era da sua confiança passasse primeiro”, detalha, citada pelo Correio da Manhã.

Dentro do Dragão Arena, mantinha-se o controlo e intensificava-se a atitude de intimidação dos arguidos, que insultavam os adeptos do FC Porto que festejavam discursos não alinhados com a direção de Pinto da Costa. “Existiam pessoas agredidas ao soco e pontapé. [Arguidos] diziam: és Villas-Boas, vais morrer”, recorda Susana Catarino.

“O caos criado resultou de uma ação concertada dos arguidos e para o qual contribuiu a passividade dos elementos da mesa e dos seguranças, fecharam os olhos a um clima de intimidação. (…) O que aconteceu só conheceu à luz do dia graças à coragem dos sócios, que caracterizam aquele dia como o mais negro da história do clube”, destaca.

Os arguidos, em especial Sandra Madureira, tinham também o objetivo de impedir que os presentes na AG filmassem a confusão. Para atestar esse dado, a procuradora leu uma mensagem da mulher de ‘Macaco’ a insultar os portistas que captaram imagens da reunião: “É só repórteres da CMTV, vão filmar para o c*****”.