O Partido Popular de Espanha (PP, direita), que lidera a oposição no país, reúne-se este fim de semana num congresso extraordinário para preparar a queda do Governo socialista de Pedro Sánchez, que considera estar próxima.
O 21.º Congresso Nacional do PP, que arranca formalmente esta sexta-feira à tarde, em Madrid, e cujos trabalhos se estendem até domingo, tem dois convidados, ambos internacionais, que discursarão no plenário no sábado de manhã: o presidente do Partido Popular Europeu, Manfred Weber, e o primeiro-ministro de Portugal e líder do PSD, Luís Montenegro.
“Temos de estar preparados”, disse o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, em 12 de maio, dia em que anunciou este congresso extraordinário argumentando que o “sanchismo” está já “em contagem decrescente”, com um Governo envolvido em diversos casos de corrupção e que vive um bloqueio no parlamento, onde depende de uma geringonça formada por partidos de esquerda, de direita, independentistas e nacionalistas.
“Estamos prestes a iniciar um novo ciclo eleitoral e vamos estar preparados”, disse Feijóo, que sublinhou ter decidido convocar um congresso extraordinário “com o objetivo de ativar o partido, prepará-lo para fazer frente nas urnas a Pedro Sánchez e desenhar, desde já, uma alternativa de governo”.
Desde 12 de maio, o Governo de Sánchez e a sua liderança no Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) foram atingidos por novas polémicas e suspeitas de corrupção que acentuam o diagnóstico do líder do PP e que, dada a dimensão, podem pela primeira vez colocar realmente em risco a sobrevivência política do primeiro-ministro, segundo a opinião unânime dos analistas.
O último e maior golpe ocorreu na segunda-feira, quando o até há poucas semanas “número três” do PSOE e um dos braços direitos de Sánchez, Santos Cerdán, ficou em prisão preventiva, num caso de suspeita de corrupção que envolve também um antigo ministro de Sánchez e ex-dirigente do partido, José Luis Ábalos.
Cerdán e Ábalos foram dois dos homens mais próximos de Sánchez na sua corrida à liderança do PSOE (que conquistou em 2014) e do Governo (tornou-se primeiro-ministro pela primeira vez em 2018). Santos Cerdán foi também o dirigente socialista que negociou a lei de amnistia com os independentistas catalães que possibilitou a reeleição de Sánchez como primeiro-ministro em novembro de 2023.
É neste contexto que o PP se reúne em congresso este fim de semana e com sondagens recentes a indicarem a descida dos socialistas e um avanço da direita, sobretudo da extrema-direita caso haja eleições agora em Espanha.
O PP endureceu a linguagem em relação a Sánchez nas últimas semanas, com repetidos apelos à demissão do primeiro-ministro e à queda do Governo, que consideram ser “uma máfia” liderada por “um capo”. A liderança de Feijóo não foi desafiada neste congresso, pelo que será reeleito para o cargo, e sem contestação, no sábado.
Já o resto da direção do partido será ajustada e terá caras novas, como Miguel Tellado (passa a ser o “número dois”) e Esther Muñoz (nova líder parlamentar), ambos conhecidos por um estilo agressivo e por pertencerem à ala menos moderada do PP.
O PSOE já considerou que o PP “vai parecer-se mais com um grupo de hooligans do que um partido de direita moderada”. A reunião magna do PP coincide com uma reunião da direção federal do PSOE, o máximo órgão do partido entre congressos, também em Madrid, na qual Sánchez vai mudar a cúpula socialista.
Depois, na quarta-feira, irá ao parlamento espanhol dar explicações aos deputados sobre as suspeitas de corrupção no partido. A geringonça não retirou, para já, o apoio a Sánchez e Feijóo tem rejeitado, por isso, avançar com uma moção de censura, assumindo que lhe faltam votos para garantir a aprovação.
Feijóo conta apenas com o apoio do Vox, de extrema-direita, insuficiente para aprovar a moção de censura e também, por outro lado, um dos motivos que afasta outros partidos de uma eventual coligação para derrubar Sánchez e forçar eleições antecipadas, quando as próximas legislativas estão previstas para 2027.
Alberto Núñez Feijóo foi eleito líder do PP em 2022 e venceu as últimas legislativas nacionais, em julho de 2023, mas não chegou a primeiro-ministro por não ter conseguido reunir uma maioria absoluta no parlamento que aprovasse a sua eleição para o cargo.
Desde que Feijóo está à frente do PP, o partido venceu também as eleições autonómicas e municipais de maio de 2023, as europeias de 2024 e as regionais na Galiza do ano passado. Além de ser o maior partido no parlamento de Espanha, o PP está à frente dos governos autonómicos de 13 das 19 regiões e cidades autónomas do país.