Foi a mulher por detrás da Comida Independente ao logo dos últimos sete anos e foi a própria que, no final do mês de junho, anunciou que aquela mercearia e garrafeira de Santos ia fechar portas. “Despeço-me porque preciso de descansar”, escrevia Rita Santos naquela publicação do Instagram, a 19 desse mês. Duas semanas passadas, faz um balanço desta experiência que tanto valorizou o património gastronómico de Portugal e revela ao Observador o que pode vir por aí, ressalvando serem apenas ideias.
“Vou descansar um bocadinho”, começa por dizer ao Observador. Descansar depois do trabalho de quase uma década que ajudou a mudar o panorama da gastronomia em Lisboa, valorizando pequenos produtores e “encontrando fenómenos”. “Criou-se aqui uma comunidade tanto de produtores como de clientes e foi um trabalho muito satisfatório e muito importante para nós e para quem nos acompanhou”, reconhece. Esse trabalho chega agora ao fim — “não tão definitivo assim”— numa altura em que, acredita, foi possível “fechar bem” este capítulo antes de chegarem a um ponto de desgaste.
“A cidade está muito aquecida e não nos dá tempo. Os projetos aterram e têm que começar logo a correr. Mas há coisas que necessariamente levam tempo. Tempo de conhecer, provar, refletir, ir aos sítios, conhecer as pessoas envolvidas. E eu não estava a ter esse tempo e não estava a ter essa possibilidade de ter um processo mais sustentado”, justifica, destacando a importância da reflexão e dos “tempos de recolhimento e de pausa” que reconhece agora não ter tido nos últimos anos.
Sem revelar datas, confessa já estar a pensar em planos para o futuro, mas assegura que não vai regressar a um formato como o que criou na Comida Independente: “Gostava de fazer projetos um pouco mais intimistas, que foi sempre aqueles que me deram mais prazer e mais compensação fazer. Seja através de provas ou de passeios. Se calhar fazer coisas com grupos”, afirma. Quanto à relação que tem com os produtores, afirma que se vai manter e que vai certamente voltar a encontrá-los em mercados, visitas ou provas, como anteriormente acontecia.
Já quanto aos clientes, confessou ter recebido “mensagens super emotivas” quando anunciou que ia fechar o negócio: “O projeto teve tanta importância para tanta gente que eu fiquei também muito satisfeita. Não tive a sensação de ter feito um erro ou um projeto falhado. Tive a sensação de ter feito uma coisa que precisava fazer”, afirma, acrescentando esperar ter contribuído para manter em Lisboa aquilo que é a identidade portuguesa e que a Comida Independente tenha sido uma referência.